90 Anos de Jaguar

Published On 1 de Julho de 2012 | carros e marcas


A história da Jaguar começa no longínquo ano de 1922, quando na cidade inglesa de Blackpool, William Lyons, um apaixonado por motociclos conheceu William Walmsley. Naquela altura Walmsley estava empenhado na construção de um side-car que atraiu a atenção de Lyons.

As suas qualidades estavam à vista, e o seu nome iria ficar gravado na história. O jovem Lyons de 21 anos, propôs a Walmsley a criação de uma sociedade que se dedicaria apenas à construção de side-cars. Desta forma nasceu a Swallow Sidecar Company.

Com o lançamento do Austin Seven em 1927, a pequena empresa deu outro grande passo evolutivo ao decidir expandir-se. Lyons construiu uma carroçaria para este modelo que muitos na altura consideraram mais bonita que a original.Este foi o mote para os dez anos seguintes, onde Lyons e Walmsley especializaram-se na construção de carroçarias para diversos modelos de automóveis, e a sua maior característica era a sua beleza, com um design cativante ao olhar. No entanto, o ambicioso Bill Lyons queria fazer mais do que desenhar carroçarias. E em 1931, a Swallow se associou à Standard Motor Company, tendo estes modelos assumido o nome de SS.

Os SS I e II ficaram conhecidos pelo mundo pela notável relação preço-qualidade. Conseguiam a extraordinária proeza, de ser parecerem com carros de grande porte e elegância, mas com um preço verdadeiramente de combate. Nas palavras de um jornal da época, o “SS tem um aspecto de custar 1000 libras, mas custa apenas 310!”.

Depois de se ter separado de Walmsley, Lyons juntou-se em 1934 a dois engenheiros: Harry Weslake e William Heynes. Estes nomes iriam marcar os seguintes 35 anos da marca. Foi com este trio, que apareceram os primeiros modelos de quatro portas e importantes inovações no capítulo dos motores. Em determinada altura, as diferenças para os modelos originais eram tão grandes e evidentes que precisavam de um nome diferente. Lyons estava reticente em relação a esse tema no início, mas acabou por aceitar o novo nome: Jaguar. E a partir daqui que nasceu o primeiro Jaguar, tendo sido revelado num Hotel de Londres em Setembro de 1935. Foi nesta apresentação que os responsáveis da Jaguar pediram aos presentes que tentassem adivinhar o preço do modelo exposto. Um SS Jaguar de 2,5 Litros. A assembleia ali reunida pensava que o modelo iria custar qualquer coisa como 1000 euros, quando na realidade, custava apensas 610! Era uma diferença abismal para a época.

Nos anos 30, a marca ficou conhecida pelos modelos de 2 e 4 lugares que definiriam a tradicional qualidade e elegância, que se prolongou nos anos vindouros. Destaque para o elegante e muito bonito SSJaguar 100, porventura o mais representativo da época.

Mas infelizmente, o deflagrar da II Guerra Mundial impediu este modelo de alcançar o sucesso a que parecia estar destinado. Depois com o fim da guerra, a Jaguar foi forçada a abandonar a denominação SS, uma vez que esta sigla estava associada às tropas alemãs, e a partir daí o construtor britânico opta pela mudança de nome para Jaguar Cars.

Com todas as dificuldades sociais e restrições económicas que se viveram na altura, sabendo que o aço era muito requisitado para fábricas que construíam armamento e que limitavam o acesso a este metal, a Jaguar ainda assim conseguiu lançar uma nova gama em 1949. Foi denominada de Mark V, ou simplesmente MK.

Seriam os primeiros modelos a contar com uma suspensão dianteira independente e com um novo motor e muito potente motor, equipado com duplo comando de válvulas. Falamos do Jaguar XK, de 3,5 Litros e com 160 cavalos de potência máxima. Com este propulsor o XK 120 Roadster tornou-se no modelo de produção mais rápido do mundo, sendo capaz de atingir a velocidade record de 212 km/h.

A partir deste feito a história da Jaguar muda uma vez mais em busca de sucesso. E apesar de uma experiencia mal sucedida em 1950, a Jaguar começa a sua tradição desportiva, com cinco vitórias em Le Mans na década de 50. Esta senda de vitórias foi determinante para a imagem vanguardista que a Jaguar manteve ao longo de décadas. Prova disso é a introdução em 1953, de um sistema de travagem até então usado apenas por aviões. Com este sistema a Jaguar não só venceu a corrida de Le Mans, como foi determinante na forma como marcou a (re)evolução automóvel ao introduzir os travões de disco.

Em jeito de resumo até ao final da década de 50; três factos importantes marcariam a história da Jaguar, começando pelos positivos: o modelo D, ainda hoje famoso pelas vitórias conquistadas em pista e o XK 150, um dos mais bonitos coupés de sempre. Pela negativa: O incêndio que, em 1957, quase dizimou as capacidades da marca.

No início dos anos 60, fica marcado pela compra da Jaguar pela Daimler. Mais ainda relevante, pelo lançamento do Jaguar mais famoso de sempre; o E Type. Modelo esse, que se manteve em produção até 1974. Marcou sem precedentes a historia dos automóveis.

Ainda dentro da década de 60 mais concretamente nos últimos anos a Jaguar apresentou a série XJ6, gama que viria a substituir todos os demais modelos de quatro lugares e a sustentar a marca nas duas décadas subsequentes. Na mesma altura a Jaguar adquiriu a conhecida Coventry-Climax que lhe permitiu apresentar novidades de relevo ao nível de motores. Algo que foi determinante para enfrentar a crise petrolífera de 1973.

Foi nesta época que se deram dois factos importantes e com relevo histórico na Jaguar: primeiro, viu nascer o famoso XJS. E em segundo, viu Sir William Lyons abandonar a marca que fundara mais de meio século antes.

Depois nos anos 80, e apesar de inúmeros sucessos nas pistas, sobretudo através de Tom Walkinshaw e de Martin Brundle, a Jaguar estava desactualizada. A beleza e a distinção de outros tempos esteve sempre presente nos modelos mas também vários problemas eléctricos que tiveram consequências, fruto de uma linha de montagem que estava completamente desactualizada e esquecida no tempo. Foi então que, em 1989, a Ford se propôs inicialmente a comprar 15% da empresa.

Uma vez que este objectivo da Ford era facilmente realizável, a marca de Detroit acabou mesmo por ir mais além na sua ideia, e comprou a totalidade da Jaguar. Obviamente que depois disto, a Jaguar passou por uma revolução e influenciou o futuro ao fazer renascer os “Jag´s”.

Foram muitas as mudanças como era previsível, desde logo marcada através da nova administração: Eficácia, redução de custos, e talvez umas das mais importantes tendo em conta o passado, o aumento do controlo de qualidade.

A partir daqui surgiram mais modelos que marcaram a história da marca. O XJ220, um superdesportivo e um familiar como S-Type. Mostrando que, como no início da sua história, a Jaguar ainda se mantinha fiel à elegância e bom gosto, nunca esquecendo a tecnologia e vanguarda.

Em 2007 a Ford anuncia o plano para vender a Jaguar. Foram várias as empresas que se mostraram interessadas. Mas só em 2008, no dia 1 de Janeiro, que a Ford anunciou que a proposta que mais lhe interessou era a dos Indianos da Tata Motors. E após várias negociações, incluindo a Land Rover no negócio, que se prolongaram até ao dia 2 de Junho.

Nesse dia a Ford anunciava ao mundo a venda da Jaguar por 1.7 Biliões de Libras ao grupo Tata Motors. Até aos dias de hoje, muitos foram os modelos que já foram lançados com os euros do grupo indiano. Entre eles, destaque para o Jaguar mais potente de sempre: o XKR-S. Com 550 cavalos de potência a partir do seu motor compressor V8 de 5,0 Litros de capacidade.

Assim como ao longo da vida são várias as mudanças que marcam a história de cada um, o tempo faz uma selecção natural, distinguindo os marcos, os factos, as ideias e as histórias. Bons ou maus, estes são os pontos que se assinalam no mapa do tempo. Fugindo ao esquecimento e atingindo a grandeza que só estão ao alcance de alguns. No caso concreto da Jaguar, as historias, as ideias, os factos e os marcos são imensos. São 90 anos de histórias que começaram com dois homens e um side-car.

Sérgio Gonçalves
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