A crise no sector automóvel e dos transportes

Published On 21 de Agosto de 2012 | Opinião

Não há dúvidas que a crise económica em que o país se encontra mergulhado, é ainda reforçada pela forte crise do mercado automóvel. Estamos provavelmente perante a maior crise de sempre do sector em Portugal.

Sabe-se agora que o consumo de gasóleo teve um retrocesso de 11,6% em Junho, quando comparado com igual período de 2011. Trata-se da maior queda de sempre no sector dos combustíveis. Se levarmos em conta que o gasóleo representa dois terços do consumo total de combustíveis em Portugal, então não há dúvidas de que quer as industria dos transportes, quer os particulares estão a tomar sérias medidas para reduzir o seu consumo.

Mesmo a gasolina, teve uma quebra de 10,7%, o que é um valor igualmente considerável. Estes dados foram divulgados agora pelo INE. Estes indicadores mostram também, desde o início do ano que o consumo da gasolina e gasóleo tem vindo a reduzir consideravelmente. Para reduzir efeitos de variações episódicas, estes valores referem-se a médias móveis de três meses e são os números reportados pelas principais empresas de distribuição de combustíveis.

Para agravar esta situação, os combustíveis voltaram a subir esta semana entre 2 a 3 cêntimos, o que faz com que o cenário tenha tendência a piorar.

O Automóvel Club de Portugal (ACP) criticou já a inércia do Governo face ao aumento do preço dos combustíveis, voltando a referir-se ao atraso na criação de uma rede de postos de abastecimento low cost.

Para Carlos Barbosa que lidera o ACP, a economia nacional está depenada e agonizada a cada novo aumento dos combustíveis. O ACP questiona ainda o Governo se «tem noção do garrote fatal que o sector automóvel está a enfrentar, dos despedimentos em massa, das empresas que não conseguem suportar estes aumentos nas suas frotas, dos automobilistas que precisam do carro para trabalhar e mal ganham para gasolina».

Mais uma vez, e bem, o ACP alerta para a desregulação no sector dos combustíveis, acusando a Autoridade da Concorrência de inoperância, maquilhada com relatórios com factos que não interessam aos consumidores.

Também a Associação Nacional do Ramo Automóvel se queixa, dizendo que o sector está a enfrentar uma crise sem precedentes. As vendas de veículos comerciais ligeiros não param de cair, com quebras de mais de 20% face a iguais periódos do ano passado, um ano que já foi bastante mau. António Teixeira Lopes, o presidente da associação, diz que tem vários indicadores que apontam para a uma crise de dimensão nunca antes vista.

Os preços dos automóveis em Portugal são os mais elevados da Europa. Para isso contribuíram agravamentos fiscais, em impostos já bastante elevados e em muitos casos, o valor de impostos representa mais de 50% do preço do automóvel.

Este valor deve-se ao facto de ser acumulado ao preço base de um automóvel, para além do Imposto de Valor Acrescentado (IVA), o Imposto Sobre Veículos (ISV), um imposto único sobre a matriculação de um veículo em Portugal, aplicável a carros novos, e a automóveis importados novos, ou usados.

O aumento dos impostos, aliado aos outros factores que levaram à quebra das vendas no ano passado e que tem vindo a piorar. Depois a crise generalizada, a baixa do consumo e o desemprego, sugerem que a situação não melhorará este ano.

Em causa estão também milhares de postos de trabalho que dependem directamente do sector. De acordo com a Associação Automóvel de Portugal (ACAP) a actual crise de vendas de carros deverá levar ao encerramento de mais de 2.500 empresas e 21 mil postos de trabalho em risco.

As cinco fábricas de automóveis em Portugal empregam hoje mais de seis mil trabalhadores directos, a indústria de componentes dá emprego a 30 mil colaboradores e a rede de concessionários (com mais de 30 mil empresas) conta com cerca de 100 mil trabalhadores. Desde o inicio do ano foram já despedidos milhares de trabalhadores e o cenário só tende a piorar.

Os fabricantes apelam ao Governo que reintroduza o Plano de Incentivos ao Abate de Veículos para travar a crise no sector, mas o governo parece não estar sintonizado para este problema.

Mas há muitos outros problemas como as SCUT sem trânsito que não geram receita ou o número cada vez mais preocupante de condutores que circulam nas estradas sem seguro automóvel.

O Governo terá que tomar medidas que façam o sector retomar aos poucos. Uma ideia seria baixar o valor dos impostos sobre os combustíveis e automóveis e assim fazer com que o aumento das vendas compensasse a estagnação que se verifica actualmente.

E na sua opinião, que outras medidas deveriam ser tomadas?

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