BMW M1

Published On 1 de Julho de 2013 | carros e marcas

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Antes de percebermos o que foi o BMW M1 convém realçar que já falámos aqui no Autoblog.pt da divisão especial da marca alemã, a BMW Motorsports. E de facto esta empresa começou bem, uma vez que o BMW 3.0 CSL foi muito bem-sucedido nas corridas. Mas o 3.0 CSL também conhecido como “Batmobile” foi envelhecendo e começou a enfrentar uma concorrência cada vez mais feroz e possante. O Porsche 935 foi talvez o melhor exemplo dessa concorrência, esse modelo era a versão de corrida do Porsche 911 (Turbo) preparado para as regras e especificações do Grupo 5 da FIA. O Porsche 935 foi introduzido em 1976 e tornou-se imediatamente vitorioso nessas corridas. Depois desses sucessos da marca de Estugarda, a BMW precisava de um carro novo para enfrentar e superar a Porsche. Portanto, os engenheiros em Munique deitaram mãos à obra e começaram a trabalhar e a desenvolver um novo automóvel desportivo com a assinatura da BMW Motorsport, que se tornou no primeiro automóvel de competição que não derivava de um modelo de produção em série. E estava o caminho traçado para a criação do BMW M1.

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Em contraste com o CSL que possuía motor dianteiro, o M1 foi projectado para ter um motor em posição central. Inicialmente os engenheiros Martin Braungart e Paul Roche planearam construir e desenvolver um V8 ou um V12, mas acabaram por optar por um motor mais pequeno com 6 cilindros em linha e 3,5 litros de capacidade baseado no motor M49 que era usado no BMW 3.0 CSi. Este motor alimentado a gasolina (conhecido como o M88) alcançava os 277 cavalos de potência na versão de estrada. Mas, na versão desenvolvida para o Grupo 5, o motor poderia produzir até uns “diabólicos” 900 cavalos de potência, potência essa que era obtida em grande parte, com o recurso a dois turbocompressores.

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Porém este foi um projecto com algumas dificuldades e contrariedades. O M1 foi uma parceria entre empresas diferentes, a BMW desenvolveu e projectou os componentes técnicos. A carroçaria foi projectada por Giorgio Giugiaro da ItalDesign, que inspirou-se no concept de 1972, o BMW X1 Turbo. Já a Lamborghini teve a tarefa de montar os carros numa cadência de dois por semana. Alguns protótipos foram construídos e testados perto de sede da Lamborghini em Sant’Agata em 1977. Mas a famosa marca italiana estava em grandes dificuldades financeiras naquele período, o que resultou em atrasos significativos na montagem do M1. E pouco antes de inúmeros empregados infelizes e revoltados da Lamborghini ocuparem a fábrica em sinal de protesto, a BMW sabiamente foi buscar os seus sete protótipos durante a noite e enviou-os para a Alemanha, antes que mais algum mal acontecesse.

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Assim a BMW foi forçada a procurar novos parceiros, para a construção do seu primeiro supercarro. Eventualmente a produção do chassi foi realizada pela empresa Marchesi, enquanto, que a carroçaria em fibra de vidro e plástico reforçado foi produzida pela TIR, ambas as empresas eram altamente qualificadas e tinham a sua actividade estabelecida em Modena. Outra empresa chamada ItalDesign montava todas essas partes e também tratava dos interiores. A montagem final foi realizada pelo especialista Baur, que trabalhava como construtor de descapotáveis na Alemanha. Mas todo este quebra-cabeças, onde se incluía a rede de produção e montagem do M1 provou ser um grande desafio. Portanto, um grupo de engenharia especial chamado Italengineering foi fundada para organizar toda esta complexidade produtiva.

O primeiro BMW com a famosa letra “M” no seu nome foi lançado no final de 1978. Capaz de alcançar uma velocidade máxima de 265 km/h, foi o carro de estrada mais rápido construído na Alemanha naquele período. O M1 acelerava de 0 a 100km/h em menos de seis segundos, e conseguia alcançar a barreira dos 200 km/h em apenas 20 segundos. Naquele tempo, apenas alguns carros eram capazes de rivalizar com estes números.

Porventura um dos M1 mais famosos, é sem dúvida o que foi criado pela lenda da Pop Art, Andy Warhol. O carro correu apenas uma vez, nas 24 Horas de Le Mans em 1979, terminando em sexto na geral e segundo na sua classe. Outro M1 também se tornou um ícone cultural, porque foi pintado por Frank Stella, em 1979. Frank também já tinha sido contratado para pintar um CSL 3.0, pois tinha sido uma encomenda especial da BMW.

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A divisão de automobilismo da BMW tinha começado a construção do M1 com a intenção de correr com ele no Campeonato Mundial de Sportscar. Os alemães planearam a estreia do M1 na categoria de corridas do Grupo 5, mas o órgão para o automobilismo FISA tinha alterado os requisitos quando o desenvolvimento do carro estava bem encaminhado. A fim de cumprir as regras e regulamentos estabelecidos para o Grupo 5, a BMW construiu as necessárias 400 unidades do M1, num período de 24 meses antes de a homologação ser concedida. Em vez de atrasar o programa de desenvolvimento do BMW de competição, até que o valor mínimo dos carros fosse construído, os alemães tiveram uma solução interessante, permitindo que o M1 participasse em corridas.

BMW M1 Procar

Jochen Neerpasch, que estava no comando da BMW Motorsport, sugeriu a organização de uma competição única, fazendo uso de BMW M1 modificados. Ao criar a sua própria série de corridas, a BMW foi capaz de usar o M1 na pista, uma vez que não foi autorizado a entrar em qualquer outro campeonato. Segundo os regulamentos da FISA, era obrigatório fabricar 400 automóveis. Este campeonato, nasceu da necessidade da marca em participar competitivamente com o M1, depois do fim do Grupo 5, e tornou-se conhecido como o campeonato BMW M1 Procar.

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O campeonato Procar que funcionou como suporte para o campeonato do mundo de Fórmula 1 começou em 1979 e incluiu muitos pilotos da F1. As corridas eram realizadas ao sábado e os cinco mais rápidos da qualificação de sexta-feira competiam contra outros 15 pilotos. Todos os participantes pilotavam carros construídos com características idênticas. A série esteve no activo durante dois anos, com Niki Lauda a vencer a temporada em 1979, e Nelson Piquet a respectiva segunda temporada em 1980.

A BMW conseguiu cumprir com os requisitos para o Campeonato Mundial de Sportscar, em 1980, no mesmo ano, em que os alemães anunciaram que iriam entrar na Fórmula 1 como fornecedor de motores para a Brabham, na altura chefiada por Bernie Ecclestone. A BMW Motorsports a partir daí focou-se principalmente na Fórmula Um.

Ironicamente a empresa terminou com os seus planos para entrar na categoria do Grupo 5, após a construção de apenas dois automóveis de competição. O primeiro BMW F1, com motor turbo participou na temporada em 1982, e permitiu que Piquet conseguisse vencer o campeonato de pilotos em 1983. A BMW e sua divisão de competição conseguiram construir o motor mais potente de sempre da F1. O seu motor turbo sem restrição que equipava o BMW Benetton B186 em 1986, conseguia atingir os 1200 cavalos de potência máxima, e viram o pico do seu potencial na pinta de Monza onde atingiram cerca de 1400 cavalos de potência em qualificação.

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Voltando ao M1, foram produzidos um total de 456 destes BMW, e seu fabrico fica datando de 1978 a 1981. Apesar do facto de o carro nunca ter tido um papel significativo no palco para que foi produzido e desenvolvido, acabou por ser produzido em massa e tornou-se assim um dos carros mais emblemáticos do seu tempo, graças ao seu design, desempenho e ao popular Campeonato Procar. O espírito do M1 viveu no M5 da primeira geração, uma vez que partilhava o mesmo motor. Há quem diga que foi o primeiro supercarro em que era fácil viver e conduzir no dia-a-dia. Muitas qualidades e carisma para um automóvel emblemático.

Sérgio Gonçalves
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