Daihatsu Charade GTti

Published On 15 de Dezembro de 2012 | carros e marcas

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Numa época em que os fabricantes de automóveis recorrem ao downsizing dos motores, será uma boa altura para falarmos em jeito de regresso ao passado, de grandes automóveis com motores pequenos mas cheios de carácter. Depois de já termos falado sobre o Suzuki Swift Gti surge agora a oportunidade de dar a conhecer outro pequeno automóvel japonês. Este porém menos conhecido a nível nacional e internacional, mas com a mesma importância de outros adversários e concorrentes. Afinal o mundo automóvel evoluiu mas parece que o que se fez no passado é hoje visto como o caminho a seguir.

O Daihatsu Charade GTti faz parte dos pequenos “foguetes” que foram muito populares no japão e também em vários mercados internacionais. Este modelo foi lançado em 1987, e foi aplaudido pelas revistas especializadas e por muitos fãs de automóveis um pouco por todo o todo o mundo. Este pequeno desportivo foi produzido entre 1987 e 1993, e teve como base a terceira geração do Daihatsu Charade, que adoptava o chassis com o código G100 e só estava disponível na carroçaria de 3 portas (hatchback).

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O seu design não foi muito inovador ou espectacular, mas a sua carroçaria era extremamente aerodinâmica e muito eficiente, com um coeficiente aerodinâmico de 0,32. E verdade seja dita que apesar de não ser muito exuberante por fora, o pequeno automóvel japonês até envelheceu muito bem. Muitos dos pequenos automóveis utilitários de hoje não fogem assim tanto aquele conceito de design do fim dos anos 80.

O seu motor possuía “apenas” três cilindros, 993 centímetros cúbicos, 12 válvulas, duas árvores de cames e um turbocompressor. Produzia uma potência na ordem dos 100 cavalos (101 para ser mais exacto). O motor tinha o nome de código “CB80”, ou também referenciado como um “CB70” para os modelos destinados a países onde existiam (necessários) controlos de emissão de gases mais rígidos. Este fantástico motor (obviamente modificado) foi inicialmente projectado utilizado para o Daihatsu Charade Tomaso 926R de ralis (nome de código G11), mas devido à mudança das regras do Grupo B nunca chegou a ser realmente produzido.

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Com a barreira dos 100 cavalos/litros ultrapassada, que de acordo com várias fontes foi o primeiro automóvel de produção em série a atingir essa marca, o que hoje pode não parecer muito, na época era de facto um marco assinalável. E ainda hoje figura como um dos automóveis mais rápidos com apenas 1 litro de capacidade.

Com uma caixa de velocidades bastante rápida um chassis com suspensão extremamente competente e toda independente e discos de travão às quatro rodas, o GTti era rápido o suficiente para incomodar automóveis desportivos e berlinas de outros segmentos. Com apenas 844kg de peso, os 101 cavalos de potência permitiam ao pequeno desportivo japonês cumprir o tradicional arranque de 0 a 100 km/h em apenas 8,2 segundos. Depois a sua boa aerodinâmica permitia atingir os 185 km/h de velocidade máxima. Já o seu consumo médio era na ordem dos 7 litros aos 100 km.

As capacidades dinâmicas do GTti foram extensamente elogiadas pela imprensa especializada assim com a seu motor que permitia alcançar velocidades mais elevadas sem grande esforço. Foi de facto um automóvel bem-sucedido para a marca Daihatsu, e foi pena que não tenha chegado de forma oficial ao cenário internacional dos ralis, ainda que a “culpa” não tenha sido da marca.

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O GTti também foi vendido no Japão sob o nome de GTxx, essencialmente era igual ao mesmo automóvel que era vendido fora do Japão, com algumas diferenças a nível de equipamento e acabamentos. Seja o GTti ou GTxx o seu sucesso comercial foi um marco e de certa maneira um pouco surpreendente, pois as 227.790 unidades vendidas durante seus seis anos de vida demonstram que até uma marca pouco conhecida fora do Japão consegue vender muitas unidades de um automóvel, desde que acerte em cheio na “receita” para fabricar algo único e vencedor.

O Daihatsu Charade GTxx era uma variante única e rara da versão GTti, que como já referenciei foi vendido apenas no Japão. As diferenças principais que separavam os dois modelos eram; o spoiler traseiro, as saias laterais, as jantes de liga leve 14 da marca Speedline, a direcção assistida (PAS), o Ar Condicionado (AC) e o controlo de temperatura electrónico (ECC).O motor em si era basicamente o mesmo, ou seja não continha qualquer tipo de alteração.

Em jeito de resumo, a Daihatsu produziu um automóvel com um motor, que era mecanicamente avançado para a época, numa altura importante onde uma nova era onde pequenos hatchbacks desportivos com mecânicas turbo, começavam a ganhar terreno e a tornaram-se abundantes tanto no Japão como na Europa.

Embora este fosse apenas o começo, vários entusiastas têm alcançado mais de 200 cavalos por litro e não é raro ver exemplos com potências entre 150 e os 250 cavalos nestes automóveis. Ao acoplar o potencial de desempenho do motor, a um chassis muito leve, obtém-se uma excelente relação peso/potencia, algo em que este Daihatsu era exímio.

Interessante reparar que a generalidade das marcas, nos dias de hoje recorrem a mecânicas com pouca cilindrada e reduzindo o número de cilindros, usando um turbocompressor ou um compressor volumétrico não só para reduzir as emissões de gases como para obter melhores consumos sem beliscar as performances. Ou seja uma receita (ganhadora), que em grande parte já era usada há mais de 20 anos atrás.

Sérgio Gonçalves

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