
Há um quarto de século, a Ducati revelou o seu primeiro modelo de homologação com o emblema “R” – a 996R, que viria a conquistar o título do WSBK em 2001 – e nada ilustra melhor a evolução desde então do que a nova Panigale V4 R, que pretende repetir a façanha em 2026.
Essa 996R estreou o motor Testastretta da Ducati, com 133,1 cv. A nova Panigale V4 R ultrapassa esse valor em quase 100 cv, atingindo 231,8 cv (235 hp) quando equipada com o escape opcional em titânio Akrapovič apenas para pista, ou 235,7 cv em combinação com o óleo Shell Advance na especificação Ducati, permitindo uma velocidade máxima de 330,6 km/h.
Mesmo em configuração de estrada, com o escape de série compatível com a norma Euro 5+, debita 215 cv e atinge 318,4 km/h. Com o novo chassis, estreado na Panigale V4 de 2025, que inclui o primeiro braço oscilante duplo numa Ducati de WSB desde a 999R em 2007, e aerodinâmica baseada na MotoGP, já surge como uma das grandes favoritas ao título do próximo ano. Graças ao limite de preço para motos homologadas no WSBK, atualmente fixado em 44.000 €, será uma verdadeira pechincha tendo em conta o nível de tecnologia e desempenho.

Enquanto a Panigale V4 R anterior atingia os mesmos 215 cv às 15.500 rpm, o motor da versão de 2026 precisou de alterações profundas para manter a potência cumprindo as normas Euro 5+.
Novos condutos de admissão, injetores reposicionados sob as borboletas, pistões mais leves, bielas tratadas a shot peening, cames de escape revistos, além de um novo sistema de escape e trompetes de admissão, resultam numa curva de potência mais ampla, com um ganho médio de 4 cv em toda a faixa de rotações. O binário sobe 3%, chegando a 114,8 Nm às 12.000 rpm, e há um aumento de 7% nas rotações mais baixas.
Isto deve-se a uma cambota mais pesada que melhora a tração sem prejudicar a agilidade em curva, graças ao sentido contra-rotativo, como nos outros modelos Panigale V4.

O motor redesenhado está acoplado a uma estreia mundial: uma caixa de velocidades de especificação de competição numa moto de estrada. A Ducati Racing Gearbox (DRG) coloca o ponto morto abaixo da primeira mudança em vez de entre a primeira e a segunda, eliminando o risco de engrenar o neutro ao reduzir para curvas de primeira e tornando mais suave a transição entre as duas relações mais baixas.
Tal como nas motos oficiais de competição da Ducati, o ponto morto fica bloqueado até acionar uma alavanca no punho direito, que desativa um batente mecânico que o impede de ser selecionado acidentalmente.
A eletrónica, sempre um ponto forte nas Ducati, volta a destacar-se: a Panigale V4 R inclui o software Ducati Vehicle Observer, que simula o input de 70 sensores para os sistemas de controlo de tração em curva, controlo de arranque, controlo de derrapagem, anti-cavalinho e controlo de travagem do motor. Além disso, oferece cinco modos de condução ajustáveis, ABS em curva com Race Brake Control (que aplica ligeira pressão no travão traseiro ao usar os da frente) e quatro mapas de potência.

Inspirada na MotoGP, a nova Panigale V4 R dá ainda mais importância à aerodinâmica, integrando as “corner sidepods” (abas dianteiras viradas para baixo) que estrearam na moto de GP de 2021. Estas geram efeito solo quando a moto está inclinada, sem prejudicar a velocidade em linha reta. Winglets maiores aumentam a carga aerodinâmica em linha reta (mais 6 kg a 300 km/h), enquanto a entrada de ar ram redesenhada, com a borda inferior alongada em 70 mm, acrescenta 1,3 cv à mesma velocidade e pode deformar-se ao tocar no guarda-lamas dianteiro em travagens muito fortes.
O braço oscilante duplo é 37% menos rígido que o monobraço anterior e 3,27 kg mais leve, ajudando a reduzir o peso total para 186,5 kg. É regulável em altura e trabalha em conjunto com um amortecedor Öhlins TTX36, através de uma ligação ajustável para modificar a altura traseira.
O quadro dianteiro tem 40% menos rigidez lateral e monta forquilhas Öhlins NPX25/30 de 43 mm e um novo amortecedor de direção Öhlins SD20. A travagem conta com pinças Brembo Hypure e discos de 330 mm, com opção de upgrade para discos de 338,5 mm ou kit Pro+ com pinças GP4 de especificação MotoGP.

Entre os extras opcionais incluem-se registo de dados estilo competição, jantes em fibra de carbono para substituir as de liga forjada de série, além de várias peças em carbono (unidade traseira, guarda-lamas, winglets, coberturas de travão). Mas o destaque é o escape Akrapovič, que acrescenta uns impressionantes 17 cv, elevando a potência para 231,8 cv.
Tal como a Panigale V4 R anterior, a moto de 2026 utiliza o motor Desmosedici Stradale com 998 cc – 105 cc menos que o modelo padrão de 1103 cc – para cumprir os regulamentos do WSBK. A cilindrada resulta de uma menor distância de curso (48,4 mm em vez de 53,5 mm), combinada com um diâmetro de 81 mm – as mesmas medidas usadas no motor Desmosedici GP.
Com o escape de competição e o óleo especial, a Panigale V4 R atinge 235,7 cv e 330,6 km/h, valores que a colocam entre as motos de estrada mais rápidas de sempre. Mesmo de série, cumpre quase 320 km/h.

A Ducati Panigale V4 R 2026 chega aos concessionários europeus em novembro de 2025, com distribuição noutros países – começando pelos EUA – a partir do mês seguinte.
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