Ferrari F50

Published On 30 de Agosto de 2012 | carros e marcas

O F50 foi o Ferrari mas avançado e extremista da década de 90, sendo o natural sucessor do F40. Tal como aconteceu com o F40, era também um modelo de aniversário, desta vez a celebrar os cinquenta anos de Ferrari como fabricante de automóveis, embora, na realidade, foi apresentado um pouco mais cedo. Durante o lançamento deste modelo no Salão de Genebra 1995, o presidente da Ferrari, Luca Di Montezemolo afirmou que apenas 349 exemplos seriam produzidos, um a menos do que eles pensavam que podiam vender. Uma mudança definitiva na estratégia de comercialização, provocada pela alteração das condições do mercado, após a queda de vendas no início da década.

Considerando que os dois anteriores supercarros da Ferrari tinham sido equipados com motores V8 turbo, a estratégia da década de noventa iria ser diferente, pois foi usado um motor atmosférico (V12) para a sua propulsão. Este era cerca de 50 por cento maior em capacidade do que seus antecessores.

Da mesma forma os modelos anteriores tinham introduzido graus crescentes de tecnologia e know-how, a partir da experiência obtida nos monolugares da Fórmula 1, em especial no domínio dos materiais compósitos, o F50 não foi diferente e contribuiu para mais um avanço nesta tecnologia, elevando a fasquia no seu desenvolvimento, como a utilização de um chassis composto, com uma construção monobloco. Curiosamente utilizava o motor, que era derivado (vagamente) do V12 usado no monolugar de Fórmula 1 da década de 90 que Alain Prost pilotou, como uma parte integrante do chassi.

Foi descrito como sendo o único automóvel da época, que conduzido na via pública, transmitia sensações próximas da condução de um Fórmula 1. O carbono foi extensivamente usado, em particular na célula de segurança onde os passageiros se sentam. Nessa estrutura é onde a suspensão dianteira está directamente montada, com uma subestrutura tubular projectada para a frente para apoiar o radiador e outros equipamentos auxiliares. Na parte traseira da célula foi aparafusado o motor, que era um membro de suporte para a transmissão e suspensão traseira, tal como era usado nos carros de Fórmula Um.

O design Pininfarina não tinha a beleza bruta do F40, e mostrou o pouco em comum que tinha com qualquer outro modelo da Ferrari. A sua carroçaria em Kevlar, carbono e nomex, possuía uma silhueta que revelava, que o carro foi desenvolvido para fornecer o maior apoio aerodinâmico possível, fornecendo um grande caudal de ar fresco ao motor e ao mesmo tempo permitia retirar todo o ar quente que dele sai. Outra característica da carroçaria era uma asa traseira enorme, ainda mais radical do que a do F40.

O F50 tinha um hardtop removível, para que os ocupantes pudessem sentir ainda mais de perto a experiência de condução ao estilo da F1. Porém não havia nenhum lugar para guardar o tejadilho do carro. Na capot dianteiro, o símbolo da Ferrari esta entre duas enormes saídas de ar quente nos radiadores dianteiros, numa bossa que imita na perfeição o “nariz” de um F1. Quando se encontra com o tejadilho montado existe maior fluidez de linhas. Atrás encontra-se a tampa do motor, produzida em plástico transparente, que proporciona uma boa visão da majorada admissão de fibra de carbono que se encontra em cima do motor, assim como os componentes mecânicos em seu redor.

O motor montado em posição central, longitudinalmente e rigidamente na retaguarda da célula monocoque. Um bloco de ferro fundido nodular muito leve foi usado e contou com integrantes Nikasil que revestem as camisas dos cilindro, enquanto que as bielas dos pistões (especiais) foram produzidas em liga leve, forjadas e fabricados em liga de titânio. A capacidade do motor era de 4.7 litros, com 85mm de diâmetro e 69 milímetros de curso, e a sua referência de fábrica correspondia ao código F 130 A. Tinha cinco válvulas por cilindro, lubrificação por cárter seco, sistema de injecção combinada de ignição / combustível, reivindicado de 520 cavalos de potência máxima às 8000rpm. O diferencial foi montado na parte traseira do motor em unidade com a caixa de 6 velocidades.

Tudo estes componentes estavam devidamente montados sobre o chassi, que possui uma distância entre eixos de 2.580 milímetros. Os chassis em fibra de carbono (Cytec Aeroespacial), tiveram números de referência de fábrica (F 130 BD), e estavam gravados no chassi.

As jantes possuíam um estilo próprio, em forma de “estrela”, da famosa marca Speedline ligados por uma porca única aos cubos, como na competição. Com 8,5 polegadas de largura e 18 polegadas de diâmetro na frente e 13 polegadas de largura e 18 polegadas de diâmetro na traseira, eram imponentes. A tracção estava assegurada por pneus de enormes dimensões, com 335mm de largura na traseira e 245mm de largura no eixo frontal.

Estas jantes permitiam também aos grandes e perfurados discos ventilados com duplo circuito hidráulico sem assistência do servofreio, arrefecer de forma eficaz.

A suspensão é independente às 4 rodas, através de triângulos com um sistema de haste com mola montada horizontalmente. As unidades dos amortecedores, uma vez mais análogas ao sistema usado em carros de F1, eram também equipadas, com um sistema electrónico de controlo do amortecedor, para optimizar o desempenho em virtude da velocidade do mesmo.

Ao contrário do F40 que só tinha uma cor possível, o vermelho, no F50 houve mais possibilidade de opções nesse capítulo, com os clientes a poderem escolher uma das cinco cores possíveis, entre elas: dois diferentes tons de vermelho, amarelo, preto e cinza prata. Sendo já tradicional entre os clientes da marca, a maioria optou pela já habitual cor vermelha.

O ar condicionado foi instalado não como se fosse um luxo, mas porque sem esse equipamento o condutor e respectivo passageiro poderiam sofrer as agruras do calor que emana do motor V12. Os vidros abriam de forma manual para reduzir ao máximo no peso, assim como as backet, que são em carbono revestidas com uma pequena camada de pele. Outra peça fantástica do F50, eram os pedais, onde o acelerador era uma peça construída em seis tipos diferentes de titânio ultra leve. O painel de instrumentos possuía iluminação própria e indicadores de dimensões generosas.

A produção do F50 ficou compreendida de 1995 a 1997, e ouve ainda tempo para a Ferrari criar um protótipo GT1, que acabaria mesmo por ser produzido, mas nunca chegou a correr de forma oficial.

As performances oficiais do F50 são ainda hoje de enorme respeito e valia. 0 a 100 km/h em 3,7 segundos e atingia uma velocidade máxima de 323 km/h. Com um peso total na casa dos 1230kg. Faziam deste automóvel um temível rival aos adversários na altura, sendo porventura o seu maior concorrente, o Mclaren F1.

Era um automóvel cru, talvez mais equiparado a um brinquedo, um automóvel único que tinha como objectivo proporcionar experiências inesquecíveis em termos de condução.

Sérgio Gonçalves
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