Fiat 500 – O clássico

Published On 14 de Março de 2014 | carros e marcas

A história deste pequeno automóvel da marca italiana começa com uma procura por parte dos consumidores por automóveis económicos no período pós guerra.

O seu famoso nome que se pronuncia Cinquecento em Italiano, teve um enorme sucesso não só em Itália como no resto da Europa fruto das suas dimensões (2,97 metros de comprimento) e pelo seu motor de 479 cm3 de dois cilindros refrigerado a ar. Este modelo é considerado um dos pioneiros quando falamos de automóveis citadinos.

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Assim em 1949 surge o primeiro Fiat 500 que possuía motor frontal, carroçaria com 2 portas (Coupé) e um teto de abrir. Mais tarde acabou por surgir a versão carrinha e ambos estes modelos tiveram um ciclo de vida até 1954, tendo sido posteriormente substituídos por uma nova versão bastante diferente, mais leve e com o motor colocado atrás numa configuração patenteada pelo também icónico Volkswagen Carocha. Era em tudo parecido ao seu irmão mais “crescido” o Fiat 600 de 1955.

Esta configuração de motor atrás foi seguida por diversos fabricantes de automóveis, e diga-se de passagem que com enorme sucesso comercial.

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O Fiat 500 teve enorme sucesso mesmo sendo de dimensões reduzidas já que era muito prático de usar e os europeus adoraram-no naqueles tempo e hoje é um clássico muito apreciado em todo o mundo.

A par com a versão de duas portas este modelo também era disponibilizado, como já foi referido, na versão carrinha conhecida como Giardiniera. Este usava o pequeno motor numa configuração lateral e a sua distância entre eixos era 10 centímetros maior, o que lhe permitia possuir um banco traseiro convencional que proporcionava maior conforto e espaço a bordo.

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Outras características que distinguiam esta carrinha eram o facto de possuir um teto de abrir de grandes dimensões e travões mais potentes iguais aos usados no Fiat 600.

O Fiat 500 era um automóvel aerodinâmico com um coeficiente de 0.38 cx, um valor notável para a época.

Foram construídas versões desportivas do 500 pela Abarth e pela Giannini. Para além destas existiu uma variante produzida pela Steyr-Daimler-Puch no período de 1957 a 1973 e era conhecido pelo nome de Steyr-Puch 500.

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Este modelo tinha um motor de moto e permitiu mais tarde (1965 a 1969) criar uma versão desportiva denominada Steyr-Puch 650 TR2.

A produção do Fiat 500 terminou em 1975, e na mesma altura passou o testemunho ao Fiat 126 que tinha sido lançado dois anos antes. Este modelo porém não teve o mesmo sucesso nem o mesmo impacto que o seu antecessor em Itália, contudo foi muito bem-sucedido nos países de leste, já que era extramente fiável e muito económico.

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Olhando mais em pormenor para os modelos produzidos pelo construtor italiano conseguimos saber um pouco mais da história de sucesso deste modelo.

A primeira versão tinha o nome de Nuova (traduzido para português significa novo) e foi produzida de 1957 a 1960.

Tinha um motor de dois cilindros que era comum a todos os primeiros modelos, com os tais 479 cm3 que arredondado dava os 500, a origem do seu nome. Produzia apenas 13 cavalos de potência.

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Outras características desta versão era o seu teto de abrir que se dobrava até à traseira do carro, característica semelhante a outro modelo da época o Citroen 2CV. Este modelo também era conhecido por possuir portas com abertura ao contrário das convencionais conhecidas como “suicide doors”.

Existiu uma versão mais desportiva que se distanciava da versão normal por possuir uma risca vermelha ao longo da carroçaria e um motor mais potente, com um pouco mais de cubicagem (499.5 cm3) e também mais (alguns) cavalos de potência.

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A versão que se seguiu tinha o nome de “D” e existiu no período de tempo de 1960 a 1965 e teve como objetivo ser o sucessor do Nuova apesar de ser muito semelhante a esse modelo.

Porém existiam duas grandes diferenças entre ambos, uma era o tamanho do motor, já que esta versão tinha uma unidade motriz de 499 cm3 que produzia 17 cavalos de potência.

Curiosamente ou talvez não este motor foi utilizado até 1973 até ao fim de produção do modelo “L”.

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A outra diferença principal era o facto deste modelo ter um teto de abrir de origem que já não se dobrava até a traseira do veículo como no Nuova, ainda assim havia a possibilidade de o adquirir como versão Transformable que possuía o mesmo tipo de teto como o Nuova. As portas com abertura “ao contrário” mantiveram-se nesta versão.

Na Nova Zelândia esta versão era produzida pela Torina Motors e possuía outro nome, era conhecido como Fiat Bambina, nome que ainda hoje é usado para o modelo.

Como já referimos anteriormente existiu uma versão carrinha que ficou conhecida tanto pelo nome Giardiniera como pela letra K.

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Produzido de 1960 a 1975 foi a versão com mais longevidade de produção, o seu motor estava colocado debaixo do fundo da mala o que permitir criar uma área de carga plana. Já o seu teto de abrir permitia ser aberto na totalidade até à traseira.

Já as famosas portas (“suicide doors”) mantiveram-se nesta carrinha até para lá dos anos 70.

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Outro facto histórico é que este modelo mudou a sua produção em 1966 para a cidade de Desio onde este modelo foi produzido pela subsidiária da Fiat, a Autobiachi.

Foram produzidos 327.000 Giardinieras e muitos destes modelos chegaram a ostentar o símbolo da Autobianchi.

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Outra versão que existiu do 500 foi o “F” também conhecido como Berlina e foi produzido de 1965 a 1973.

Esta versão teve uma produção dividida em dois períodos, no primeiro, de 1965 a 1969 o “F” tinha os mesmos símbolos do “D” apesar de ambos os modelos serem facilmente distinguidos pelo posicionamento das dobradiças das portas.

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O “D” como falámos tinha as tais famosas portas, porém o “F” produzido a partir de 1965 já era fabricado com portas de abertura convencional.

Os modelos “F” e “L” eram semelhantes em termos mecânicos contudo existiam diferenças entre ambos, nos para-choques por exemplo e no interior, já que o “L” era mais desportivo e o “F” mais clássico, semelhante ao modelo original de 1957.

Entre 1969 e 1972 o “F” foi vendido lado a lado com o modelo Lusso, tornando-se numa alternativa mais barata a este último.

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A versão “L” ou também conhecida por Lusso foi produzida de 1968 a 1972.

As principais diferenças em relação aos modelos anteriores, consistia num interior mais moderno que incluía um novo tablier que tornava o 500 num automóvel mais moderno a par com os tempos. Para além disto era mais confortável e tinha um design (ainda) mais apelativo.

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A última versão a ser produzida (1972 a 1975) do Fiat 500 era conhecida pela letra “R” ou pelo nome de Rinnovata.

Este tinha um motor com mais capacidade, 594 cm3 que foi produzido pela Abarth e que produzia 23 cavalos de potência e estava equipado com uma caixa de velocidades totalmente sincronizada.

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O fundo da carroçaria neste modelo era igual à versão “L” como mais tarde era o mesmo usado no 126.

Esta última versão que foi produzida era a mais confortável de todas mas tinha um equipamento muito básico, ao ponto de os responsáveis da marca italiana terem retirado o manómetro da gasolina e apenas tenham deixado uma luz avisadora de reserva de combustível.

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O Fiat 500 R foi a rampa de lançamento para o seu sucessor, o Fiat 126. A partir daí as vendas do 500 R caíram a pique quando foi comercializado lado a lado com o 126 durante dois anos.

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Atualmente o nome “500” continua a fazer enorme sucesso comercial, com o novo modelo que foi lançado em 2007. Com um design “retro” ao modelo que aqui retratamos, porém já não é tão pequeno e tão desejado como o seu semelhante mais antigo.

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O ícone que moveu milhares de pessoas, com permitia estacionar em todo o lado e que se guiava muito facilmente aliado a uma estética intemporal faz deste modelo uma referência na história dos automóveis mesmo que não tenha sido uma referência em termos de performance (Abarth aparte), mas essa nunca foi a principal intenção por parte dos responsáveis da Fiat.

Sérgio Gonçalves

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