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Fiat Coupé: história, características, motores e especificações

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O Fiat Coupé é um dos automóveis desportivos mais marcantes produzidos pela Fiat durante a década de 1990. Apresentado no início dos anos 90 e produzido entre 1994 e 2000, destacou-se pelo desenho agressivo, pela carroçaria de duas portas e, sobretudo, pelas versões Turbo capazes de oferecer prestações muito elevadas para a época. Com uma combinação pouco habitual de tração dianteira, motores potentes e um estilo italiano muito próprio, o Fiat Coupé tornou-se um modelo particularmente apreciado entre os entusiastas de automóveis desportivos.

A produção terminou em setembro de 2000, depois de aproximadamente 72.800 unidades fabricadas.

Design e carroçaria

O Fiat Coupé, também conhecido internamente como Tipo 175, apresenta uma carroçaria coupé de duas portas, com configuração 2+2. O desenho exterior foi desenvolvido pelo Centro Stile Fiat, enquanto o interior recebeu a colaboração da Pininfarina. O resultado foi um automóvel com uma identidade visual muito própria, caracterizado pela frente baixa, faróis circulares, superfícies marcadas, traseira curta e uma linha lateral bastante pronunciada.

Com aproximadamente 4,25 metros de comprimento, 1,77 metros de largura e 1,34 metros de altura, o Coupé mantém proporções compactas, mas transmite uma presença bastante mais agressiva do que muitos dos seus contemporâneos. O entre-eixos é de 2,54 metros e a bagageira apresenta uma capacidade próxima dos 295 litros.

O interior segue uma filosofia igualmente distinta. O conhecido painel com elementos circulares e a instrumentação orientada para o condutor tornaram-se uma das imagens de marca do modelo. Apesar de ser um coupé compacto, o Fiat Coupé dispõe de quatro lugares, embora os traseiros sejam mais adequados para passageiros de menor estatura ou para utilizações ocasionais.

Motores do Fiat Coupé

Ao longo da sua carreira, o Fiat Coupé recebeu diferentes motorizações de quatro e cinco cilindros. A gama começou com motores de 2,0 litros e quatro cilindros e evoluiu posteriormente para os motores de cinco cilindros da família Pratola Serra.

A primeira versão atmosférica foi o Fiat Coupé 2.0 16V, com 1.995 cm³, quatro cilindros em linha, 16 válvulas e uma potência de aproximadamente 142 cv. O binário máximo situava-se nos 180 Nm. Esta versão atingia cerca de 208 km/h e precisava de aproximadamente 9,2 segundos para acelerar dos 0 aos 100 km/h.

Ao lado da versão atmosférica surgiu o Fiat Coupé 2.0 16V Turbo, uma das variantes mais importantes da primeira fase do modelo. O motor de 1.995 cm³, equipado com turbocompressor, desenvolvia cerca de 195 cv e 290 Nm. A aceleração dos 0 aos 100 km/h rondava os 7,5 segundos e a velocidade máxima chegava aos 225 km/h.

Em 1996, a Fiat reformulou significativamente a gama. Entrou em produção o 1.8 16V, com 1.747 cm³ e cerca de 131 cv, enquanto os motores de dois litros passaram a utilizar cinco cilindros. O novo 2.0 20V atmosférico apresentava inicialmente 147 cv e, posteriormente, recebeu alterações no sistema de admissão, passando a desenvolver 154 cv.

Fiat Coupé 2.0 20V Turbo

O verdadeiro topo da gama foi o Fiat Coupé 2.0 20V Turbo. O motor de cinco cilindros em linha, com 1.998 cm³, cinco válvulas por cilindro e turbocompressor, produzia 220 cv a cerca de 5.750 rpm e aproximadamente 310 Nm de binário máximo.

A potência era transmitida às rodas dianteiras através de uma caixa manual. Algumas versões utilizavam cinco velocidades, enquanto as versões posteriores passaram a dispor de uma caixa manual de seis velocidades. O sistema Viscodrive, através de um diferencial com acoplamento viscoso, ajudava a controlar a entrega de potência ao eixo dianteiro.

As prestações eram impressionantes para um coupé de tração dianteira. O 2.0 20V Turbo conseguia cumprir os 0 aos 100 km/h em aproximadamente 6,3 a 6,5 segundos, dependendo da versão e da transmissão, enquanto a velocidade máxima podia atingir os 250 km/h.

A combinação entre o motor de cinco cilindros, o turbocompressor Garrett, a tração dianteira e o sistema Viscodrive tornou o 20V Turbo uma das versões mais desejadas do Fiat Coupé.

Chassis, suspensão e travagem

O Fiat Coupé utiliza suspensão independente, com arquitetura MacPherson no eixo dianteiro e uma solução independente no eixo traseiro. A configuração foi desenvolvida para proporcionar um comportamento desportivo sem abandonar completamente a utilização quotidiana.

A travagem também recebeu atenção especial nas versões mais potentes. A gama utilizava discos às quatro rodas, com discos dianteiros ventilados e dimensões superiores nas versões Turbo. Algumas das versões mais evoluídas, incluindo as variantes Turbo posteriores, receberam pinças Brembo e discos dianteiros ventilados e perfurados.

A direção assistida hidráulica e a configuração de tração dianteira contribuem para uma condução relativamente fácil em utilização normal, embora as versões Turbo exijam mais atenção quando o condutor explora toda a potência disponível.

Dimensões e capacidade

O Fiat Coupé apresenta 4.250 mm de comprimento, aproximadamente 1.766-1.768 mm de largura, 1.340 mm de altura e 2.540 mm de distância entre eixos. A capacidade da bagageira é de aproximadamente 295 litros e o depósito de combustível tem cerca de 63 litros.

O peso varia de acordo com a motorização, equipamento e versão. As primeiras versões atmosféricas são mais leves, enquanto as variantes Turbo e os modelos mais equipados apresentam valores superiores. Para o 2.0 16V Turbo são habitualmente indicados cerca de 1.320 kg, enquanto diferentes fontes apresentam valores distintos para as versões 20V Turbo, devido às diferenças de equipamento e especificação.

Fiat Coupé 20V Turbo: principais especificações

O Fiat Coupé 2.0 20V Turbo é equipado com um motor dianteiro transversal de cinco cilindros em linha, com 1.998 cm³ de cilindrada, distribuição DOHC e cinco válvulas por cilindro. O motor utiliza injeção eletrónica multiponto e turbocompressor Garrett, com intercooler. A potência máxima é de 220 cv às 5.750 rpm e o binário máximo ronda os 310 Nm às 2.500 rpm.

A transmissão é manual, com cinco velocidades nas primeiras configurações e seis velocidades nas versões posteriores. A tração é dianteira e algumas versões utilizam o sistema Viscodrive para melhorar a motricidade e reduzir as perdas de aderência do eixo dianteiro.

A velocidade máxima chega aos 250 km/h e a aceleração dos 0 aos 100 km/h situa-se aproximadamente nos 6,5 segundos. As dimensões mantêm-se próximas dos 4,25 metros de comprimento, 1,77 metros de largura e 1,34 metros de altura, com uma distância entre eixos de 2,54 metros.

Principais motorizações

VersãoCilindradaCilindrosPotênciaBinário0-100 km/hVelocidade máxima
2.0 16V1.995 cm³4142 cv180 Nm9,2 s208 km/h
2.0 16V Turbo1.995 cm³4195 cv290 Nm7,5 s225 km/h
1.8 16V1.747 cm³4131 cv164 Nm—cerca de 205 km/h
2.0 20V1.998 cm³5147 cvcerca de 188 Nm—cerca de 212 km/h
2.0 20V1.998 cm³5154 cv186 Nm——
2.0 20V Turbo1.998 cm³5220 cv310 Nm6,3-6,5 s250 km/h

Os valores podem variar ligeiramente consoante o ano, mercado, versão e método de medição utilizado pelas fontes.

Um clássico desportivo italiano

O Fiat Coupé conseguiu combinar características que raramente aparecem juntas no mesmo automóvel: um design extremamente distinto, motores de quatro e cinco cilindros, versões turbo de elevado desempenho e uma configuração de tração dianteira. O 2.0 20V Turbo, em particular, tornou-se a versão de referência graças aos seus 220 cv, ao som característico do cinco cilindros e às prestações que ainda hoje impressionam.

A produção terminou em 2000, mas o modelo manteve uma forte presença entre os entusiastas de automóveis clássicos e desportivos. O facto de ter sido produzido em números relativamente limitados, aliado ao seu desenho facilmente reconhecível e às versões de elevado desempenho, contribuiu para a sua transformação num modelo de interesse para colecionadores.

Hoje, o Fiat Coupé é recordado não apenas como um dos Fiat mais rápidos da sua geração, mas também como um exemplo de uma época em que os fabricantes generalistas ainda apostavam em coupés compactos com personalidade própria. Entre todas as versões, o 2.0 20V Turbo permanece como a referência da gama, mas mesmo as versões atmosféricas têm interesse histórico e continuam a oferecer uma experiência de condução muito característica.

Sérgio Gonçalves

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