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Honda CBR900RR FireBlade: a moto que mudou as regras das superbikes

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Quando a Honda apresentou a CBR900RR FireBlade em 1992, o mundo das motos desportivas estava prestes a mudar. Desenvolvida sob a liderança do engenheiro japonês Tadao Baba, a FireBlade nasceu com uma filosofia diferente da que dominava o segmento das superbikes na época. Em vez de apostar apenas numa cilindrada elevada e numa potência máxima cada vez maior, a Honda procurou criar uma moto mais leve, compacta e ágil, capaz de oferecer um desempenho extraordinário sem sacrificar a facilidade de condução.

A primeira CBR900RR, identificada pelo código de modelo SC28, utilizava um motor de quatro cilindros em linha, quatro tempos, com distribuição DOHC e 16 válvulas. Apesar da designação 900RR, a cilindrada real era de 893 cm³, obtida através de um diâmetro de 70 mm e de um curso de 58 mm. O motor era refrigerado por líquido e recorria a quatro carburadores Keihin CV de 38 mm. A taxa de compressão era de 11,0:1.

A potência rondava os 122 a 124 cv às 10.500 rpm, dependendo da especificação e do mercado, enquanto o binário máximo situava-se próximo dos 89 Nm. Para a época, estes números eram impressionantes, sobretudo quando associados ao reduzido peso da moto. A transmissão era composta por uma caixa de seis velocidades e a transmissão final era feita por corrente.

Mas era precisamente no peso que estava uma das grandes armas da FireBlade. Com aproximadamente 185 kg de peso seco, a CBR900RR era significativamente mais leve do que muitas das suas rivais de maior cilindrada. A Honda percebeu que uma moto mais leve não precisava necessariamente de ter a maior potência para ser extremamente rápida. Menos massa significava acelerações mais eficazes, travagens mais fortes e, sobretudo, uma capacidade de mudança de direção que impressionava tanto em estrada como em circuito.

A ciclística foi, por isso, uma das grandes responsáveis pelo sucesso da FireBlade. O quadro e a geometria foram desenvolvidos com o objetivo de proporcionar uma resposta rápida aos comandos do piloto, mantendo simultaneamente estabilidade a velocidades elevadas. A distância entre eixos rondava os 1.405 mm e a altura do assento era aproximadamente 810 mm.

Na dianteira, a CBR900RR estava equipada com uma suspensão telescópica convencional e dois discos de travão de 296 mm, associados a pinças de quatro pistões. Na traseira encontrava-se um disco de aproximadamente 220 mm. Para a época, o conjunto proporcionava uma capacidade de travagem adequada ao desempenho da moto e ajudava a transmitir ao piloto uma sensação de controlo particularmente importante numa máquina tão rápida.

Outro elemento marcante da primeira FireBlade era a combinação de diferentes medidas de pneus. Na dianteira utilizava um pneu 130/70 ZR16, enquanto na traseira encontrávamos um 180/55 ZR17. Esta configuração contribuía para a agilidade que se tornou uma das características mais reconhecidas da CBR900RR.

O depósito de combustível tinha capacidade para cerca de 18 litros, enquanto a velocidade máxima situava-se na ordem dos 260 km/h. Embora estes números possam parecer modestos quando comparados com algumas superbikes modernas, é importante enquadrá-los na época. No início da década de 1990, uma moto com cerca de 185 kg e mais de 120 cv representava um nível de desempenho extraordinário.

A filosofia da FireBlade era simples, mas revolucionária: não era necessário construir a moto mais potente para construir a moto mais rápida e eficaz. Ao reduzir o peso e apostar numa ciclística extremamente competente, a Honda conseguiu criar uma máquina que podia ser explorada por pilotos experientes sem se tornar excessivamente difícil de conduzir em estrada.

O nome FireBlade tornou-se rapidamente associado a agilidade, equilíbrio e desempenho. Ao longo dos anos seguintes, a Honda continuaria a desenvolver o conceito, aumentando a cilindrada, refinando o quadro, a suspensão e o motor e introduzindo novas soluções técnicas. A CBR900RR passou por várias gerações e, mais tarde, a evolução natural do conceito conduziu à CBR954RR FireBlade.

A importância histórica da primeira CBR900RR vai muito além dos números da sua ficha técnica. A FireBlade ajudou a redefinir aquilo que os fabricantes entendiam por uma moto desportiva de alta performance. A relação entre potência e peso passou a assumir uma importância ainda maior, e a agilidade tornou-se tão importante quanto a potência máxima.

Mais de três décadas depois da sua apresentação, a CBR900RR FireBlade continua a ser uma referência entre os apaixonados por motos desportivas clássicas. A combinação de um motor de quatro cilindros em linha, mais de 120 cv, baixo peso, dimensões compactas e uma ciclística orientada para a agilidade transformou a primeira FireBlade numa das motos mais marcantes da história da Honda.

A CBR900RR de 1992 não foi apenas mais uma superbike. Foi uma moto que mudou a forma de pensar as superbikes e estabeleceu uma filosofia que continuaria a influenciar a família FireBlade durante muitos anos: mais leve, mais ágil e mais eficiente, em vez de simplesmente mais potente.

Sérgio Gonçalves

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