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Honda Civic MK3: a geração que mudou o Civic na Europa

Quando o Honda Civic de terceira geração chegou ao mercado europeu em 1983, a Honda apresentou muito mais do que uma simples evolução do modelo anterior. O novo Civic era um automóvel completamente diferente na aparência, na conceção e na ambição. Mais baixo, mais largo e consideravelmente mais moderno, o Civic MK3 marcou o início de uma nova fase para a marca japonesa e preparou o caminho para alguns dos automóveis desportivos mais importantes que a Honda produziria durante a segunda metade da década de 1980.

Produzido entre 1983 e 1987, o Civic de terceira geração foi vendido na Europa numa gama bastante variada. Existiam versões hatchback de três portas, versões de quatro portas em determinados mercados e o prático Civic Shuttle. A plataforma deu também origem ao Honda CRX, embora este fosse comercializado como um modelo distinto.

O mercado europeu recebeu uma seleção de motores diferente daquela disponível no Japão ou nos Estados Unidos. Por essa razão, é importante analisar o Civic MK3 europeu separadamente. Os motores mais comuns na Europa foram os 1.2, 1.3 e 1.5, com versões carburadas e, mais tarde, uma importante versão de injeção eletrónica: o Civic 1.5i GT.

O Civic MK3 manteve a tradicional arquitetura de motor dianteiro transversal e tração dianteira, mas a Honda desenvolveu uma plataforma completamente nova. A suspensão dianteira utilizava um sistema independente sofisticado para a época e o comportamento em estrada tornou-se um dos pontos fortes do automóvel.

As dimensões do hatchback europeu eram compactas, mesmo para os padrões da década de 1980. O modelo de três portas media aproximadamente 3,81 metros de comprimento, 1,635 metros de largura e 1,34 metros de altura, com uma distância entre eixos de 2,38 metros. O peso das versões mais simples podia ficar pouco acima dos 800 kg, uma característica que ajudava bastante tanto no consumo como nas prestações.

Civic 1.2: a versão de acesso

Na base da gama europeia encontrava-se o Civic 1.2. Esta versão utilizava um motor de quatro cilindros em linha com 1.187 cm³ de cilindrada e uma potência de aproximadamente 55 cv, dependendo da especificação apresentada.

Era um motor simples, destinado sobretudo à economia e à utilização diária. O Civic 1.2 não pretendia ser um automóvel desportivo, mas o baixo peso da carroçaria permitia-lhe oferecer prestações suficientes para a época.

A versão europeia de três portas utilizava normalmente uma caixa manual de quatro velocidades. O binário rondava os 82 Nm.

Em termos de prestações, o 0 aos 100 km/h situava-se aproximadamente nos 15,5 segundos, enquanto a velocidade máxima rondava os 145 km/h, dependendo das condições e da especificação exacta do mercado.

O Civic 1.2 era particularmente adequado à condução urbana. O motor pequeno contribuía para consumos reduzidos e para custos de utilização relativamente baixos, duas características fundamentais para muitos compradores europeus.

Honda Civic 1.2 europeu — especificações principais: motor de quatro cilindros, 1.187 cm³, aproximadamente 55 cv, 82 Nm, caixa manual de quatro velocidades, tração dianteira, cerca de 15,5 segundos dos 0 aos 100 km/h e velocidade máxima na ordem dos 145 km/h.

Civic 1.3 DX: o equilíbrio da gama

Acima do 1.2 encontrava-se o Civic 1.3 DX, uma das versões mais equilibradas da gama europeia.

O motor tinha 1.342 cm³ e desenvolvia 70 cv. O binário máximo era de 105 Nm.

Esta diferença de potência relativamente ao 1.2 transformava consideravelmente o comportamento do Civic. O motor de 1,3 litros oferecia melhores recuperações e tornava o automóvel mais confortável em estrada.

O Civic 1.3 DX foi comercializado com caixas manuais de quatro e cinco velocidades. O modelo pesava aproximadamente 810 kg, demonstrando como a Honda continuava a dar enorme importância ao baixo peso.

A versão de quatro velocidades tinha uma velocidade máxima declarada de 157 km/h e acelerava dos 0 aos 100 km/h em aproximadamente 12,7 segundos.

A caixa de cinco velocidades melhorava a utilização em estrada e, dependendo da fonte e da metodologia de medição, permitia uma aceleração dos 0 aos 100 km/h próxima dos 12 segundos.

Para um automóvel compacto do início da década de 1980, estes valores eram perfeitamente competitivos.

Honda Civic 1.3 DX europeu — especificações principais: motor de quatro cilindros, 1.342 cm³, 71 cv, 105 Nm, caixa manual de quatro ou cinco velocidades, peso aproximado de 810 kg, 0–100 km/h em cerca de 12 a 12,7 segundos e velocidade máxima de 157 km/h.

Civic 1.5 GL e Civic S: o salto para as verdadeiras prestações

O motor de 1,5 litros representava um passo importante na gama europeia. Com 1.488 cm³, quatro cilindros e doze válvulas, o Civic 1.5 GL desenvolvia aproximadamente 86 cv e 126 Nm de binário.

O motor era combinado com uma caixa manual de cinco velocidades e o peso continuava muito baixo, ficando perto dos 825 kg.

Foi precisamente esta combinação que permitiu ao Civic 1.5 apresentar prestações bastante interessantes. A velocidade máxima declarada era de 172 km/h e a aceleração dos 0 aos 100 km/h era realizada em aproximadamente 9,9 segundos.

O Civic 1.5 S europeu utilizava uma mecânica semelhante e apresentava números praticamente idênticos.

Para colocar estes valores em perspetiva, um Civic 1.5 S conseguia acelerar dos 0 aos 100 km/h em menos de dez segundos, algo que colocava o pequeno Honda numa posição bastante competitiva entre os compactos da época.

A leveza era uma das grandes vantagens. Com pouco mais de 800 kg, os 86 PS ofereciam uma relação peso/potência que muitos automóveis mais modernos e aparentemente mais potentes não conseguem igualar.

Honda Civic 1.5 GL/S europeu — especificações principais: motor de quatro cilindros de 1.488 cm³, 86 cv, 126 Nm, caixa manual de cinco velocidades, aproximadamente 825 kg, 0–100 km/h em 9,9 segundos e velocidade máxima de 172 km/h.

Também existiu uma versão equipada com transmissão automática Hondamatic de três velocidades. Esta configuração sacrificava naturalmente parte das prestações.

O Civic 1.5 GL Hondamatic mantinha os 86 cv, mas pesava aproximadamente 835 kg. A velocidade máxima descia para cerca de 167 km/h e os 0 aos 100 km/h demoravam aproximadamente 12 segundos.

A diferença demonstra bem a importância da caixa manual de cinco velocidades no caráter mais dinâmico do Civic europeu.

Civic 1.5i GT: o verdadeiro desportivo europeu

A grande estrela da gama hatchback europeia foi o Honda Civic 1.5i GT.

Esta versão recebeu uma evolução importante do motor de 1,5 litros, agora equipada com injeção eletrónica. A potência subiu para 100 cv, enquanto o binário atingia os 130 Nm.

O motor mantinha os 1.488 cm³ e a configuração de quatro cilindros, mas a injeção eletrónica permitia uma resposta mais precisa e melhores prestações.

O Civic 1.5i GT utilizava uma caixa manual de cinco velocidades e pesava aproximadamente 855 kg.

Com estes números, o pequeno Honda atingia uma velocidade máxima declarada de 185 km/h e acelerava dos 0 aos 100 km/h em aproximadamente 9,2 segundos.

O 1.5i GT era um automóvel extremamente interessante para a época. Não tinha ainda a fama dos posteriores Civic VTEC, mas já apresentava muitas das características que se tornariam típicas dos Honda desportivos: baixo peso, motor de rotação elevada, caixa manual precisa e um comportamento ágil.

O nome GT distinguia a versão europeia das designações utilizadas noutros mercados. Enquanto os japoneses e norte-americanos receberam diferentes versões Si, o mercado europeu utilizou a designação 1.5i GT para esta versão de 100 PS.

Honda Civic 1.5i GT europeu — especificações principais: motor de quatro cilindros, 1.488 cm³, injeção eletrónica, 100 cv, 130 Nm, caixa manual de cinco velocidades, aproximadamente 855 kg, 0–100 km/h em 9,2 segundos e velocidade máxima de 185 km/h.

O Civic Sedan europeu

A berlina de quatro portas teve uma presença mais limitada na Europa do que o hatchback. Inicialmente, foi disponibilizada sobretudo em determinados mercados, incluindo alguns países da EFTA, como a Suíça e a Suécia.

Uma das versões europeias utilizava o motor de 1.488 cm³ com aproximadamente 86 cv e 126 Nm.

A carroçaria era consideravelmente maior que a do hatchback. O comprimento chegava aos 4.145 mm e a distância entre eixos aumentava para 2.450 mm.

O peso também subia para aproximadamente 865 kg.

Apesar do aumento de dimensões, o Civic Sedan 1.5 EX manual de cinco velocidades continuava a oferecer prestações respeitáveis. A velocidade máxima declarada era de 166 km/h, enquanto a aceleração dos 0 aos 100 km/h situava-se aproximadamente nos 10,7 segundos.

Com a transmissão automática Hondamatic de três velocidades, o desempenho diminuía. A velocidade máxima ficava perto dos 164 km/h e os 0 aos 100 km/h demoravam aproximadamente 12,4 segundos.

O Sedan era menos radical do que o hatchback e destinava-se a compradores que valorizavam mais o espaço e o conforto.

Honda Civic Sedan 1.5 europeu — especificações principais: motor de 1.488 cm³, aproximadamente 86 cv, 126 Nm, caixa manual de cinco velocidades, cerca de 865 kg, 0–100 km/h em aproximadamente 10,7 segundos e velocidade máxima de 166 km/h.

Civic Shuttle: o familiar da gama

O Honda Civic Shuttle era a resposta da Honda aos compradores que precisavam de mais espaço.

A carroçaria era muito diferente do hatchback tradicional. O tejadilho elevado e prolongado aumentava significativamente a capacidade interior e permitia transportar mais bagagem.

Na Europa, o Shuttle estava associado principalmente ao motor de 1,5 litros, com uma potência próxima dos 85 cv, dependendo do ano e do mercado.

Era uma das versões mais práticas da família Civic. Apesar da carroçaria maior, mantinha a tração dianteira e as características de economia que tinham tornado o modelo famoso.

Em determinados mercados existiram também versões do Shuttle com tração às quatro rodas. Estas variantes eram especialmente interessantes para regiões com neve e estradas de piso difícil.

O Civic Shuttle demonstrava a versatilidade da plataforma. A mesma geração conseguia oferecer um pequeno hatchback urbano, uma berlina familiar, uma carrinha e até versões com tração integral em determinados mercados.

O Honda CRX: o parente desportivo

Embora seja normalmente tratado como um modelo próprio, o Honda CRX de primeira geração nasceu diretamente da plataforma do Civic MK3 e merece ser mencionado ao falar desta família.

Na Europa, o primeiro CRX foi inicialmente disponibilizado com um motor de 1,5 litros de injeção, com 100 cv e 130 Nm.

Mas o CRX tinha uma vantagem decisiva: era ainda mais baixo e compacto. Media aproximadamente 3,675 metros de comprimento e apenas cerca de 1,29 metros de altura.

Esta configuração contribuía para uma excelente agilidade.

O CRX 1.5i europeu atingia aproximadamente 190 km/h e acelerava dos 0 aos 100 km/h em 8,9 segundos, segundo dados publicados para o mercado europeu.

Estes números colocavam o pequeno coupé Honda num nível muito competitivo para meados da década de 1980.

Em 1986, a Honda levou o conceito muito mais longe com o CRX 1.6i-16V, equipado com um motor de 1.590 cm³, dupla árvore de cames à cabeça e quatro válvulas por cilindro.

A potência subia para 125 cv, enquanto o binário rondava os 140 Nm.

A velocidade máxima chegava aos 202 km/h e os 0 aos 100 km/h eram realizados em apenas 8,1 segundos.

Embora o CRX fosse um modelo distinto, estes números demonstram até onde a plataforma e a engenharia associadas ao Civic MK3 tinham evoluído.

A evolução estética de 1986

Em 1986, o Civic MK3 recebeu uma atualização visual.

As alterações não transformaram completamente o automóvel, mas modernizaram a sua aparência. A frente recebeu novos elementos e os faróis passaram a ter um desenho diferente e mais integrado.

A base mecânica permaneceu essencialmente a mesma, o que significa que muitas peças eram partilhadas entre os modelos produzidos antes e depois da atualização.

Esta característica é hoje particularmente interessante para os proprietários e restauradores, porque existe uma considerável compatibilidade de componentes entre os vários Civic da terceira geração.

Um Civic antes do VTEC

Quando se fala de Honda, é quase impossível não pensar imediatamente no VTEC. No entanto, o Civic MK3 europeu pertence a uma época anterior à generalização dessa tecnologia.

Os motores mais comuns desta geração utilizavam configurações de oito ou doze válvulas, carburadores ou injeção eletrónica, dependendo da versão.

O VTEC só chegaria posteriormente e tornar-se-ia uma das tecnologias mais famosas da Honda.

Isso não significa que o MK3 fosse tecnologicamente simples. Pelo contrário, a utilização de motores multiválvulas, injeção eletrónica nas versões mais potentes e uma suspensão sofisticada colocavam o Civic numa posição bastante avançada para o seu segmento.

O 1.5i GT, em particular, mostrava claramente a direção que a Honda pretendia seguir.

Sérgio Gonçalves

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