Views: 110
Durante muitos anos, a Hyundai foi associada sobretudo a automóveis económicos e práticos. Porém, na década de 1990, a marca sul-coreana começou a procurar uma identidade mais emocional e ambiciosa. Foi nesse contexto que nasceu, em 1996, o Hyundai Coupé, conhecido em vários mercados como Hyundai Tiburon. O modelo tornou-se um dos automóveis mais importantes da história da Hyundai, não apenas pelo seu desenho, mas também por representar uma mudança na forma como a marca era vista internacionalmente.

As origens: do S-Coupé ao Tiburon
Antes do Hyundai Coupé, a marca já tinha experiência no segmento dos coupés. Entre 1990 e 1995, produziu o Hyundai Scoupé, um pequeno coupé baseado na plataforma do Excel. Embora tivesse uma aparência desportiva, ainda era um produto relativamente simples e não representava um verdadeiro automóvel desportivo desenvolvido de raiz pela Hyundai.
A experiência adquirida com o Scoupé serviu de ponto de partida para um projeto muito mais ambicioso. A Hyundai queria criar um coupé capaz de demonstrar que a indústria automóvel sul-coreana já tinha capacidade para desenvolver um automóvel desportivo próprio. O resultado surgiu em abril de 1996 com o Tiburon, considerado pela própria Hyundai como o primeiro modelo desportivo totalmente desenvolvido pela marca na Coreia.

O nome Tiburon, utilizado sobretudo em mercados como os Estados Unidos e a Austrália, deriva da palavra espanhola tiburón, ou seja, “tubarão”. Na Europa, o automóvel ficou mais conhecido simplesmente como Hyundai Coupé.
Primeira geração: o Coupé RD
A primeira geração, identificada pelo código RD, entrou em produção em 1996 e permaneceu no mercado até 2001. O seu desenho foi fortemente influenciado pelos protótipos HCD-1 e HCD-2, apresentados pela Hyundai durante a década de 1990. A intenção era criar uma imagem muito mais agressiva e moderna do que aquela a que os clientes estavam habituados na marca.
O resultado foi um coupé de duas portas, baixo e relativamente leve, com tração dianteira. A plataforma derivava do Hyundai Elantra, mas a Hyundai trabalhou significativamente no chassis e na suspensão para proporcionar um comportamento mais desportivo. A marca destaca, inclusivamente, o desenvolvimento de uma suspensão dianteira do tipo McPherson em colaboração com a Porsche.

No lançamento coreano, o Coupé utilizava um motor de quatro cilindros de aproximadamente 2,0 litros, associado a uma caixa manual de cinco velocidades ou automática de quatro. A versão inicial anunciava 156 cv e uma velocidade máxima de 220 km/h, números bastante interessantes para um coupé acessível dos anos 90.
A primeira geração recebeu uma importante atualização em 1999. O desenho frontal tornou-se mais controverso e agressivo, enquanto o interior e o equipamento também foram atualizados. A existência de diferentes motores e níveis de equipamento fez com que o Coupé pudesse assumir vários papéis: desde um desportivo relativamente económico até uma alternativa mais equipada para quem procurava algo diferente dos tradicionais hatchbacks e berlinas.
A primeira geração do Hyundai Coupé surgiu em 1996 e utilizou principalmente motores de quatro cilindros da família Beta.

1.6 16V
O motor 1.6 era a opção de entrada da gama em determinados mercados.
- Motor: 4 cilindros em linha, 16 válvulas
- Cilindrada: aproximadamente 1.6 litros
- Potência: cerca de 114–116 cv
- Binário: aproximadamente 145–150 Nm
- Tração: dianteira
- Caixa: manual de 5 velocidades
- 0–100 km/h: aproximadamente 10–11 segundos
- Velocidade máxima: cerca de 190 km/h
- Consumo misto: aproximadamente 7,5–9 L/100 km
Era uma versão orientada sobretudo para a economia e utilização diária. Apesar de o Coupé ter uma aparência bastante desportiva, o 1.6 não oferecia prestações particularmente fortes.
1.8 16V
O 1.8 surgiu como uma alternativa intermédia em determinados mercados.
- Motor: 4 cilindros em linha
- Cilindrada: cerca de 1.8 litros
- Potência: aproximadamente 130–132 cv
- Binário: cerca de 165 Nm
- Tração: dianteira
- Caixa: manual de 5 velocidades
- 0–100 km/h: aproximadamente 9 segundos
- Velocidade máxima: cerca de 200 km/h
- Consumo misto: aproximadamente 8–9,5 L/100 km
O 1.8 oferecia um compromisso interessante entre desempenho e custos de utilização.
2.0 16V
O 2.0 era a principal motorização da primeira geração e uma das versões mais interessantes do RD.

- Motor: 4 cilindros em linha
- Cilindrada: 1.995 cm³
- Potência: até aproximadamente 156 cv, dependendo do mercado e versão
- Binário: aproximadamente 194 Nm
- Tração: dianteira
- Caixa: manual de 5 velocidades
- 0–100 km/h: aproximadamente 8–9 segundos
- Velocidade máxima: cerca de 220 km/h
- Consumo misto: aproximadamente 8,5–9,5 L/100 km
- Consumo urbano: aproximadamente 11–12 L/100 km
Com cerca de 1.160 kg, o RD 2.0 apresentava uma relação peso/potência de aproximadamente 7,4 kg/cv. Para um coupé de tração dianteira dos anos 90, era um conjunto bastante interessante.
A segunda geração: o Coupé ganha maturidade
Em 2001/2002 surgiu a segunda geração, conhecida internamente como GK, que chegaria aos mercados como modelo de 2003. A mudança foi significativa. O carro cresceu, ganhou uma aparência mais madura e passou a oferecer uma gama mecânica mais diversificada.

O desenho desta geração tornou-se um dos elementos mais marcantes da história do modelo. As linhas arredondadas e musculadas, os faróis dianteiros e a traseira curta davam-lhe uma presença bastante distinta. Na Europa, onde era vendido como Hyundai Coupé, tornou-se particularmente conhecido entre os jovens que procuravam um automóvel desportivo sem o preço dos coupés de marcas japonesas ou europeias mais prestigiadas.
A gama de motores variava consoante o mercado. Entre as opções encontravam-se motores de quatro cilindros, incluindo unidades de 1,6 e 2,0 litros, e posteriormente um 2.7 V6. Este último tornou-se uma das versões mais interessantes do modelo, oferecendo uma experiência mais próxima daquilo que se esperava de um coupé desportivo.
Apesar disso, o Hyundai Coupé nunca pretendeu competir diretamente com máquinas de alto desempenho. A sua filosofia era diferente: oferecer estilo, equipamento e uma condução suficientemente desportiva a um preço relativamente acessível.

A segunda geração trouxe uma gama mecânica mais moderna e introduziu o motor que viria a ser considerado o topo da gama: o 2.7 V6.
1.6 16V
O 1.6 continuou a existir em determinados mercados europeus.
- Cilindrada: aproximadamente 1.6 litros
- Potência: cerca de 105–107 cv
- Binário: aproximadamente 145 Nm
- Tração: dianteira
- Caixa: manual de 5 velocidades
- 0–100 km/h: aproximadamente 11–12 segundos
- Velocidade máxima: cerca de 185–190 km/h
- Consumo misto: aproximadamente 7,5–9 L/100 km
Era claramente a versão mais económica da gama, mas também a menos adequada para quem procurava verdadeiras prestações desportivas.

2.0 16V
O 2.0 foi provavelmente a motorização mais equilibrada da segunda geração.
Dependendo do mercado e do ano, a potência rondava os 138–143 cv.
- Motor: 4 cilindros em linha
- Cilindrada: aproximadamente 2.0 litros
- Potência: cerca de 138–143 cv
- Binário: aproximadamente 180–190 Nm
- Tração: dianteira
- Caixa: manual de 5 velocidades ou automática
- 0–100 km/h: aproximadamente 9–10 segundos
- Velocidade máxima: aproximadamente 200–205 km/h
- Consumo misto: aproximadamente 8,5–10 L/100 km
- Consumo urbano: aproximadamente 11–13 L/100 km
O 2.0 tinha uma vantagem importante: oferecia prestações razoáveis sem chegar aos consumos do V6.
Para quem pretende utilizar atualmente um Coupé como carro de todos os dias, esta é provavelmente uma das motorizações mais equilibradas.

O Coupé de 2004 e a evolução do modelo
Em 2004, a Hyundai apresentou uma nova atualização do Coupé. O exterior recebeu alterações significativas, enquanto o habitáculo ganhou materiais e equipamentos mais sofisticados. A gama mecânica também evoluiu, com destaque para os motores 2.0 de quatro cilindros e 2.7 V6.
Foi nesta fase que o modelo começou a afirmar-se como um dos últimos representantes de um segmento que estava a desaparecer. Vários coupés compactos concorrentes deixaram de ser produzidos, tornando o Hyundai Coupé uma alternativa cada vez mais rara.
A Hyundai continuou a atualizar o modelo até aos seus últimos anos. Em 2006/2007 surgiu outra evolução estética, com alterações importantes na dianteira e traseira. Algumas versões contavam com jantes de 17 polegadas, spoiler traseiro, suspensão revista e, nos mercados onde estava disponível, caixa manual de seis velocidades.

2.7 V6 — o topo da gama
O grande destaque mecânico da segunda geração foi o 2.7 V6.
Este motor atmosférico de 2.656 cm³ transformava completamente a personalidade do Coupé.
- Motor: V6 a gasolina
- Cilindrada: 2.656 cm³
- Potência: aproximadamente 165–172 cv, dependendo do ano e mercado
- Binário: aproximadamente 245 Nm
- Tração: dianteira
- Caixa: manual de 5 ou 6 velocidades, dependendo da versão
- Caixa automática: 4 velocidades
- 0–100 km/h: aproximadamente 7,8–8,5 segundos
- Velocidade máxima: aproximadamente 218–221 km/h
- Consumo misto: aproximadamente 9,5–11 L/100 km
- Consumo urbano: aproximadamente 12–14 L/100 km
- Consumo em condução desportiva: frequentemente 14–17+ L/100 km
Na versão de 172 cv com caixa manual de seis velocidades, o Coupé conseguia atingir aproximadamente 221 km/h e fazer 0–100 km/h em cerca de 7,8 segundos.
Para um automóvel de tração dianteira e preço relativamente acessível, eram prestações bastante respeitáveis no início dos anos 2000.
O V6 também proporcionava uma característica que nenhum dos quatro cilindros conseguia reproduzir: uma entrega de potência mais suave e um som mais encorpado.

Um fenómeno entre os jovens
Mais do que os números de vendas, o impacto cultural do Hyundai Coupé é uma parte importante da sua história.
Na Coreia do Sul, o Tiburon ajudou a criar uma nova cultura automóvel ligada aos coupés, à personalização e aos clubes de proprietários. A própria Hyundai reconhece que o modelo teve um papel importante no crescimento da cultura de tuning e dos clubes automóveis no país.
Na Europa aconteceu algo semelhante, embora em menor escala. O Coupé tornou-se especialmente popular entre jovens condutores que queriam um carro visualmente chamativo sem entrar nos preços dos desportivos tradicionais.
A sua aparência também ajudou a criar uma reputação que ultrapassava as suas prestações reais. O Coupé parecia muito mais exótico do que aquilo que o preço sugeria. Essa combinação de desenho, acessibilidade e possibilidade de personalização contribuiu para a sua popularidade entre os entusiastas.

O fim da produção
A produção do Hyundai Tiburon/Coupé terminou no final da década de 2000, depois de aproximadamente doze anos de carreira. A produção total da família decorreu aproximadamente entre 1996 e 2008, dependendo do mercado e da designação utilizada.
O modelo não recebeu uma sucessão direta com o mesmo posicionamento. Mais tarde, a Hyundai apresentou o Veloster, enquanto o Genesis Coupé ocupou um espaço diferente e mais orientado para o desempenho, incluindo tração traseira.
Assim, o Hyundai Coupé acabou por ficar numa posição bastante particular na história da marca: foi o carro que ajudou a estabelecer a Hyundai como fabricante capaz de produzir automóveis com personalidade e apelo emocional.
Um clássico moderno?
Hoje, o Hyundai Coupé é visto de forma diferente daquela que tinha quando era novo. Durante os anos 2000, era frequentemente encarado simplesmente como uma alternativa económica aos coupés japoneses. Com o desaparecimento de muitos desses modelos, porém, o Coupé tornou-se uma espécie de representante de uma época em que os fabricantes ainda produziam coupés relativamente simples, acessíveis e utilizáveis no dia a dia.
O primeiro RD é particularmente interessante para quem aprecia automóveis dos anos 90 e representa o momento em que a Hyundai deu o salto de um simples fabricante de automóveis económicos para uma marca capaz de desenvolver um verdadeiro coupé desportivo próprio.
A segunda geração GK, por outro lado, é provavelmente a versão mais reconhecível. O seu desenho agressivo, a possibilidade de motor V6 e a grande comunidade de proprietários fizeram dela um dos Hyundai mais carismáticos da sua época.
O Hyundai Coupé não foi o desportivo mais rápido, mais sofisticado ou mais prestigiado da sua geração. A sua importância histórica está noutro lugar.
Foi um automóvel que mudou a percepção da Hyundai. Em 1996, o Tiburon mostrou que uma marca sul-coreana podia desenvolver um coupé próprio, com um desenho apelativo, tecnologia própria e uma personalidade claramente desportiva. Ao longo de duas gerações, o modelo evoluiu, ganhou motores mais interessantes, melhor equipamento e uma imagem cada vez mais forte.
Mais de uma década depois do fim da produção, o Hyundai Coupé continua a ser lembrado precisamente por aquilo que representou: um desportivo acessível que ajudou a transformar a imagem da Hyundai e que marcou uma geração de entusiastas.
- PORSCHE MISSION S: A ESSÊNCIA DO AUTOMÓVEL DESPORTIVO REINTERPRETADA - 16 de Outubro de 2026
- Tesla revela novo Roadster numa apresentação espetacular: o desportivo elétrico que também quer voar - 16 de Outubro de 2026
- Top 10 quadriciclos à venda em Portugal: preços, autonomia e especificações dos modelos mais interessantes - 15 de Outubro de 2026