Lancia Delta S4

Published On 23 de Outubro de 2012 | carros e marcas

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O Lancia Delta S4 é um carro de rali do Grupo B, que competiu no Campeonato Mundial de Rali entre 1985 e 1986, até que os carros do Grupo B fossem banidos da competição e respectivamente proibidos pela FIA. O Delta S4 foi o substituto, e uma evolução do vitorioso Lancia 037. O S4 tirou o melhor proveito dos regulamentos do Grupo B, e possuía um motor montado em posição central e tracção às quatro rodas, características que lhe permitia confrontar-se com os seus mais directos adversários na procura do título mundial.

O seu motor (desenvolvido pela Abarth) tinha 1753 cm3, quatro cilindros e combinava um compressor volumétrico para reduzir o turbo-lag nas baixas rotações e um turbocompressor para aumentar o poder na zona mais alta do conta-rotações.

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Oficialmente, o S4 produzia 480 cavalos de potência, mas o que participou no Campeonato Mundial de Ralis em 1986 desenvolvia mais de 560 cavalos de potência. Em 1985, os engenheiros da Lancia, testaram um motor em condições extremas, com um aumento da pressão do turbo para 5 bares, o motor chegou mesmo a atingir para cima de 1000 cavalos de potência.

Testes na altura mostravam que o S4 conseguia cumprir o arranque de 0 a 100 km/h em cascalho, em menos de 2,3 segundos. Uma cilindrada múltipla de 1400cm3 foi aplicada a motores de indução forçada pela FIA, isso fez com que a escolha de 1.759 cm3 pela parte da Lancia, permitisse colocar o S4 na classe abaixo, ou seja até 2500 cm3, o que permitiu um peso mínimo de 890 kg. O sistema de compressor e turbocompressor combinado (muitas vezes referido como twincharging) foi um desenvolvimento do que era usado no motor do Lancia 037 que chegou a produzir 350 cavalos de potência somente com um compressor.

Como anteriormente visto no Peugeot 205 T16, o Lancia Delta S4 também tinha o seu motor no meio do carro. Era um Delta apenas no nome (para fins de marketing), com um estilo único na sua carroçaria, não compartilhava praticamente nada em termos de construção com a versão de produção do Delta com motor dianteiro.

O chassis era de estrutura e construção tubular, muito parecido à que foi usada no 037. O S4 possuía uma suspensão dianteira com um grande curso, de duplos braços no eixo dianteiro e traseiro, com um único amortecedor na frente e a respectiva mola separada e, amortecedores duplos na traseira.

A carroçaria era feita num compósito de fibra de carbono com a parte dianteira e traseira da carroçaria totalmente destacável para rápida substituição em caso de danos num acidente, permitindo uma grande facilidade de acesso nos ralis, durante as paragens para a manutenção.

A mesma carroçaria, possuía uma série de ajudas aerodinâmicas incluindo a abertura da tampa atrás do radiador de água montado na frente, um spoiler dianteiro, pequenos apêndices aerodinâmicos moldados ao pára-choques dianteiro, saia dianteira flexível, e na zona traseira do S4 existia também uma asa traseira.

O estilo de construção das portas foi trazido do 037, com uma construção toda em Kevlar, que não tinha interior, sem puxador de porta e sem possibilidade de abrir os vidros de forma convencional. A porta era aberta com um pequeno laço e as janelas eram fixas com pequenos painéis deslizantes para permitir alguma ventilação para o interior assim como a passagem de cartões de tempo e afins. Para efeitos de homologação, a Lancia construiu 200 Lancia S4 a que lhe deram o nome de Stradale. Como o carro de rali, possuíam um motor com 1,8 litros, mas na versão civil só produzia 250 CV.

O sistema de tracção integral, desenvolvido em colaboração com os ingleses da Hewland, contava com um diferencial central que permitia que entre 60 a 75% do binário chegasse as rodas traseiras.

O Lancia ECV de Grupo S era o sucessor para substituir o Delta S4 na temporada em 1987, mas como o Grupo S foi descartado juntamente com o Grupo B, a Lancia acabou por usar o Delta em 1987.

Na competição o Lancia S4 ganhou o seu primeiro evento, em 1985 no Rali RAC nas mãos de Henri Toivonen e Markku Alén e conseguiu ficar em segundo no campeonato de pilotos no ano seguinte. Durante duas semanas após o final da temporada em 1986, Markku Alén foi provisoriamente campeão até a FIA anular os resultados do Rali de Sanremo devido a verificações técnicas que determinaram características irregulares no seu Lancia S4. Alén tinha vencido o evento e a perda de pontos entregou o título de bandeja a Juha Kankkunen da Peugeot. Ao todo, em 1986, O Delta S4 conseguiu 3 vitórias em ralis (Sanremo não incluído). O Rali de Monte Carlo por Toivonen, o Rali da Argentina por Massimo Biasion e o Rali Olimpo por Alén.

O S4 também ganhou o campeonato de ralis europeu em 1986 com o italiano Fabrizio Tabaton como piloto, cujo carro era preparado pela equipa italiana, HF GRIFONE com a publicidade da ESSO. A equipa de fábrica e os seus Lancias S4 eram suportados pela publicidade da TOTIP, um desses S4 era pilotado por Dario Cerrato.

O legado do S4 ficou irremediavelmente manchado pelos acidentes que vitimaram o piloto Toivonen e o seu co-piloto Sergio Cresto no Rali da Córsega em 1986, onde o piloto finlandês inexplicavelmente perdeu o controlo do Lancia numa curva fechada e caiu numa ravina, tendo o carro de se seguida pegado fogo, incinerando o carro e os dois motoristas.

O Lancia Delta S4 é um automóvel que ficará para sempre marcado por esta tragédia, mas também pelo seu design arrojado e pelo som único do motor com dupla sobrealimentação. Fez parte da grande colecção dos tempos de ouro dos Ralis em especial do Grupo B.

Sérgio Gonçalves

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