María de Villota

Published On 19 de Outubro de 2013 | Personalidades

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María de Villota foi piloto de automóveis e infelizmente o seu nome ficou tragicamente marcado por um acidente que quase lhe roubou a vida nesse instante. Ainda assim infelizmente acabaria por lhe roubar a vida um ano depois, por culpa das sequelas deixadas nesse dia horrível quando testava um monolugar de F1 da equipa Marussia Formula One.

Espanhola de nacionalidade, nascida no dia 13 de Janeiro de 1980 na cidade de Madrid, filha de um conhecido ex-piloto de Fórmula 1 de seu nome Emilio de Villota. Existia mais genes ligados ao automobilismo na sua família já que o seu irmão Emilio de Villota, Jr. também é piloto e participou em vários campeonatos.

A sua carreira começa nas várias competições onde esteve inscrita como piloto, das quais as que merecem maior destaque são o WTCC, o campeonato espanhol de F3, o Superleague Formula ou o campeonato ADAC Procar Series.

Em 2009 María de Villota assinou um contrato com o conhecido clube de futebol madrileno, o Atlético de Madrid o que lhe permitiu conduzir um monolugar durante o campeonato Superleague Formula onde os bólides tinham as cores de várias equipas mundiais de futebol. A sua participação neste campeonato terminou na mesma altura em que esta competição foi oficialmente abandonada em 2011 e sem que tenha conseguido resultados de relevo.

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Antes de entrar nesta competição chegou a participar em 2005 nas 24 horas de Daytona.

Os melhores resultados alcançados foram no início da sua carreira aos volantes de um monolugar no campeonato espanhol de Fórmula 3 no qual participou de 2001 a 2005 onde foi 11º em 2002 e 2005, 12º em 2004 e 13ª em 2003. No seu ano de estreia apenas alcançou o vigésimo lugar final neste campeonato.

Sem grandes resultados de relevo ao longo da sua carreira automobilística, o facto de ser mulher também deve ter ajudado a despertar o interesse de algumas equipas de Fórmula 1.

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A primeira a mostrar interesse nas qualidades de María de Villota foi a equipa Lotus Renault GP, onde em 2011 confirmou que iria fazer o seu primeiro teste ao volante de um monolugar de F1, mais concretamente um Renault R29 no circuito de Paul Ricard. Nessa mesma altura o seu agente fazia tudo o que estava ao seu alcance para que María conseguisse assegurar um lugar no futuro neste competitivo campeonato.

Em Dezembro desse ano a piloto espanhola reiterava uma vez mais o seu desejo de participar na Fórmula 1 em 2012 e para isso desvendou que já tinha vários contactos para se tornar piloto de testes também conhecido como o terceiro piloto de uma equipa de F1.

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E esse desejo acabou por se tornar realidade em 2012 quando a própria anunciou que tinha assinado contrato com a equipa Marussia F1 Team para ser o seu piloto de testes. O seu grande desejo era trabalhar arduamente para conseguir no ano seguinte competir como piloto oficial desta equipa.

Contudo o futuro de Villota ia ser bastante diferente do que tinha planeado e as coisas não correram nada bem como é do conhecimento geral. No dia 3 de Julho de 2012 por volta das 9;30 da manhã deu-se o acidente que quase roubou a vida à piloto espanhola.

Quando se encontrava a testar o monolugar da equipa Marussia, no aeródromo de Duxford em Inglaterra, numa altura em que se preparava pela primeira vez para testar o carro, no qual o teste consistia apenas em aceleração a direito, Villota acabou por colidir com um camião que se encontrava parado, quando já tinha efectuado esse mesmo teste e encontrava-se a dirigir para a zona de assistência.

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Desse brutal acidente a cerca de 50/60 km/h segundo testemunhas presentes no local, foram precisas cerca de quatro horas para a retirar do monolugar, o que comprova a violência do embate e as mazelas físicas que Villota tinha sofrido.

Foi levada para o hospital em Cambridgeshire com ferimentos graves, e onde a sua vida esteve sempre em perigo. As principais lesões incidiam na sua cara em especial no olho direito, porém esteve consciente após o embate.

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No dia seguinte ao acidente, o patrão da equipa Marussia, John Booth informou à imprensa que Villota estava em estado critico mas estável, e que tinha perdido o olho direito fruto do violento embate.

No dia 6 de Julho os responsáveis pela equipa Marussia deram a conhecer que as lesões na cabeça de Villota estavam a evoluir favoravelmente.

Do acidente ficam as conclusões de que foi erro humano, já que a equipa Marussia veio a público no dia 16 de Julho afirmar que a investigação interna efectuada revelou que não houve nenhum problema mecânico com o monolugar.

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María de Villota deixou o hospital em Inglaterra 17 dias depois do acidente tendo regressado ao seu país natal.

A sua primeira aparição em público só aconteceu em Outubro quando deu uma entrevista exclusiva à revista ¡Hola! e onde também deu uma conferência de imprensa para os media.

Revelou que fruto do acidente, tinha perdido alguns dos sentidos, como o cheiro e o paladar e continuava a sofrer de dores de cabeça e que para além disso, ainda tinha pela frente algumas cirurgias.

Ainda assim afirmou que não fazia intenções de desistir de competir ao mais alto nível desde que lhe concedessem a respetiva licença para o puder fazer. Para além disto, Villota estava empenhada em envolver-se na promoção para melhorar as condições de segurança nos desportos motorizados.

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No entanto a vida é por vezes muito madrasta e a vida de Villota acabaria por ter o fim em Outubro de 2013 mais precisamente no dia 13. A notícia foi dada pelos media espanhóis e reportava que Villota tinha sido encontrada sem vida no quarto de hotel em Sevilha.

A sua presença em Sevilha tinha como objectivo a participação como oradora na conferência Fundación Lo Que De Verdad Importa (LQDVI) e também com o intuito de lançar a sua autobiografia no dia seguinte. Esse foi um dos últimos projectos de vida da piloto espanhola, ou seja o lançamento desse mesmo livro intitulado: La vida es un regalo.

A autópsia revelou que a piloto espanhola tinha sofrido uma paragem cardíaca e que se crê ter sido por culpa do acidente que sofreu em 2012. Ainda que não tenha tido uma carreira brilhante como piloto nem resultados expressivos na sua curta carreira automobilística, a morte de Villota chocou o mundo.

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Era uma pessoa determinada, como muita vontade de viver, prosseguir a sua vida e carreira apesar das limitações. E se calhar era finalmente a oportunidade de termos finalmente uma mulher piloto na Fórmula 1, algo que nunca aconteceu mas que muitos desejam que venha acontecer em breve.

Paz à sua alma.

Sérgio Gonçalves
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