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Nissan Primera P10 — A Berlina que Nasceu para a Estrada

Apresentado em 1990, o Nissan Primera P10 foi o modelo que marcou a entrada da Nissan numa nova fase no mercado europeu. Desenvolvido especificamente com as necessidades dos condutores europeus em mente, o Primera substituiu progressivamente o Bluebird e foi produzido na fábrica da Nissan em Sunderland, no Reino Unido. Desde o início, a intenção era criar uma berlina familiar moderna, confortável e eficiente, mas também capaz de proporcionar um comportamento dinâmico particularmente competente.

A primeira geração do Primera foi produzida aproximadamente entre 1990 e 1996, embora algumas fontes indiquem 1997 como o final da produção de determinadas versões. Ao longo desse período, a gama foi evoluindo, recebendo novas motorizações, alterações de equipamento e uma atualização estética na fase final da sua carreira.

O P10 foi desenvolvido com uma arquitetura relativamente convencional para a época, utilizando motor dianteiro transversal e tração dianteira. A transmissão era normalmente feita através de uma caixa manual de cinco velocidades, embora algumas versões pudessem ser equipadas com uma caixa automática de quatro velocidades. Existiram ainda versões com tração integral associadas ao motor 2.0, embora fossem bastante menos comuns.

A carroçaria apresentava linhas simples e funcionais. A Nissan não procurou criar um automóvel excessivamente extravagante, mas sim uma berlina com boa aerodinâmica, habitabilidade e uma imagem moderna. O Primera estava disponível como berlina de quatro portas e hatchback de cinco portas, enquanto a versão carrinha tinha uma configuração própria dentro da gama.

Uma das grandes qualidades do P10 estava no chassis. A Nissan investiu bastante no desenvolvimento da suspensão e na estabilidade do automóvel. O resultado foi um modelo familiar com um comportamento em estrada bastante preciso, especialmente em curvas e mudanças rápidas de direção.

A suspensão independente permitia controlar eficazmente os movimentos da carroçaria e manter um bom contacto dos pneus com o asfalto. Esta característica tornou-se uma das imagens de marca do Primera e ajudou a criar a reputação dinâmica que o modelo mantém atualmente entre os entusiastas.

A gama de motores a gasolina começava com o 1.6 de quatro cilindros, pertencente à família GA16. Nos primeiros anos, esta unidade recorria a alimentação por carburador em determinadas versões e desenvolvia cerca de 90 a 95 cv, dependendo do mercado e da configuração. Mais tarde, foram introduzidas versões de injeção, com potência próxima dos 90 a 102 cv.

O 1.6 era essencialmente uma motorização destinada a quem procurava simplicidade e economia. Com cerca de 90 cv, o Primera conseguia atingir aproximadamente 180 km/h e realizar os 0 aos 100 km/h em cerca de 12 segundos. O consumo combinado podia situar-se perto dos 7 a 8 litros por 100 km, dependendo da versão e das condições de utilização.

O motor de 1,6 litros apresentava uma construção relativamente simples e tornou-se uma das opções mais acessíveis da gama. Para utilização urbana e viagens normais, oferecia prestações suficientes, embora o seu desempenho fosse naturalmente limitado quando o automóvel estava carregado ou quando se pretendiam acelerações mais rápidas.

Um dos motores mais importantes do P10 era o 2.0 de quatro cilindros, pertencente à família SR20. Este motor tinha uma cilindrada próxima dos 2,0 litros e utilizava uma configuração de quatro cilindros em linha com 16 válvulas.

Nas primeiras versões convencionais, o 2.0 desenvolvia aproximadamente 115 ou 116 cv, dependendo do sistema de alimentação. O SR20Di utilizava injeção central e produzia cerca de 116 cv e 181 Nm, enquanto outras versões SR20 apresentavam especificações diferentes.

Com cerca de 115 cv, o Primera 2.0 conseguia atingir aproximadamente 200 km/h e acelerar dos 0 aos 100 km/h em cerca de 9,9 segundos. O consumo combinado podia rondar os 8,3 litros por 100 km em determinadas versões.

O 2.0 era uma das motorizações mais equilibradas da gama. Oferecia uma diferença significativa de desempenho relativamente ao 1.6, mas mantinha uma mecânica relativamente simples. A entrega de potência era progressiva e o motor funcionava de forma suave.

Uma das características mais interessantes do P10 era a possibilidade de associar o motor 2.0 a tração integral em determinadas versões. O Primera 2.0 4×4 utilizava a mesma base mecânica de quatro cilindros, mas enviava a potência para as quatro rodas. Esta configuração aumentava a capacidade de tração e tornava o automóvel particularmente interessante em condições de baixa aderência.

No entanto, a versão que viria a tornar o Primera P10 verdadeiramente especial era o 2.0 GT.

O Primera 2.0 GT utilizava uma versão mais potente do motor SR20 e desenvolvia cerca de 150 cv. O motor SR20 de 1.998 cm³ apresentava quatro cilindros, 16 válvulas e, nas especificações mais conhecidas, cerca de 181 Nm de binário. Algumas versões e mercados tiveram especificações diferentes, mas os 150 cv são a referência mais associada ao GT europeu.

Com 150 cv, o Primera GT transformava-se num automóvel bastante rápido para a época. A aceleração dos 0 aos 100 km/h podia ser realizada em aproximadamente 8,4 a 8,7 segundos, enquanto a velocidade máxima atingia cerca de 220 km/h. O consumo combinado situava-se aproximadamente entre os 8,3 e os 9,5 litros por 100 km, dependendo da fonte e das condições de medição.

O carácter do GT não dependia apenas do motor. O chassis do P10 permitia explorar de forma eficaz os 150 cv disponíveis. A suspensão, a direção e o equilíbrio geral contribuíam para uma condução bastante envolvente.

O SR20 tornou-se posteriormente um dos motores mais conhecidos da Nissan, e a sua presença no Primera ajudou a criar uma ligação especial entre o modelo familiar e o mundo da condução desportiva. A própria documentação técnica do motor revela uma construção robusta, com cambota apoiada em cinco pontos e uma arquitetura de quatro cilindros que permitia trabalhar em regimes elevados.

A versão GT podia ser encontrada tanto com a configuração normal de tração dianteira como, em determinados períodos e mercados, associada à tração integral. Algumas versões de competição e preparação também exploraram bastante o potencial do conjunto mecânico.

Além dos motores a gasolina, o Primera P10 recebeu uma motorização diesel. A partir do início da década de 1990, a Nissan disponibilizou o 2.0 D, um motor de aproximadamente 1.974 cm³ com quatro cilindros e oito válvulas.

Este motor desenvolvia cerca de 75 cv e 132 Nm. Era uma unidade orientada sobretudo para a economia e para a utilização em viagens longas. O desempenho era bastante modesto: a aceleração dos 0 aos 100 km/h podia demorar cerca de 16,5 a 17 segundos, enquanto a velocidade máxima rondava os 152 a 165 km/h, dependendo da especificação.

A grande vantagem do 2.0 D estava nos consumos. Os valores combinados podiam situar-se aproximadamente entre 6 e 7 litros por 100 km, tornando-o uma opção bastante económica para a época.

Mais tarde surgiu o 2.0 TD, uma versão turbodiesel que elevava a potência para cerca de 90 cv. Esta motorização apresentava prestações claramente superiores às do diesel atmosférico, atingindo aproximadamente 174 km/h e realizando os 0 aos 100 km/h em cerca de 13,9 segundos.

O consumo continuava relativamente moderado, embora superior ao do diesel atmosférico em determinadas condições. A principal vantagem do turbodiesel era o aumento de binário e a maior facilidade de progressão, especialmente em subidas e ultrapassagens.

Durante a vida do P10, a Nissan foi atualizando progressivamente os sistemas de alimentação dos motores a gasolina. As primeiras versões utilizavam soluções como carburadores ou injeção central, enquanto as versões posteriores passaram a utilizar sistemas de injeção mais modernos.

Por volta de 1995, a gama recebeu alterações importantes. O 1.6 passou a desenvolver cerca de 102 cv em determinadas versões, enquanto o 2.0 passou a disponibilizar aproximadamente 125 cv numa configuração de injeção. O 2.0 GT de 150 cv continuou a representar o topo da gama a gasolina.

O facelift trouxe também alterações visuais. A aparência exterior foi ligeiramente modernizada e alguns equipamentos foram atualizados. Apesar dessas alterações, a filosofia fundamental do P10 permaneceu intacta.

Em termos de dimensões, o Primera P10 apresentava cerca de 4,43 metros de comprimento, aproximadamente 1,71 metros de largura, 1,41 metros de altura e uma distância entre eixos na ordem dos 2,60 metros, dependendo da carroçaria e especificação.

Estas dimensões permitiam oferecer um habitáculo relativamente espaçoso sem tornar o automóvel excessivamente grande. O espaço interior era uma das suas características práticas, enquanto a bagageira e a versão hatchback acrescentavam versatilidade.

A posição de condução era relativamente baixa para os padrões atuais e contribuía para a sensação de controlo do automóvel. Os comandos eram simples e a instrumentação apresentava uma disposição bastante funcional.

Outro ponto importante era o peso relativamente contido de algumas versões. O P10 conseguia assim tirar bom partido dos motores de quatro cilindros, especialmente no caso do 2.0 GT.

A caixa manual de cinco velocidades era a transmissão mais habitual. A relação das mudanças permitia explorar adequadamente a faixa de rotação dos motores e, no caso do GT, aproveitar melhor a potência disponível.

Algumas versões podiam ser equipadas com uma caixa automática de quatro velocidades. Esta opção privilegiava o conforto e a facilidade de utilização, embora apresentasse prestações inferiores às versões equipadas com caixa manual.

O sistema de travagem variava de acordo com a motorização e o nível de equipamento. As versões mais potentes recebiam travões mais adequados às suas prestações, enquanto o ABS começou a ganhar maior presença ao longo da produção.

Em termos de segurança, o P10 representou um passo importante relativamente aos modelos mais antigos da Nissan. A carroçaria foi concebida tendo em conta a absorção de energia em caso de impacto e, com a evolução da produção, foram acrescentados equipamentos de segurança adicionais.

O comportamento em estrada continuava a ser um dos principais argumentos do Primera. A suspensão independente permitia manter uma boa estabilidade mesmo quando o automóvel era conduzido de forma mais rápida.

No caso do GT, esta característica tornava-se particularmente evidente. Os 150 cv do SR20 permitiam atingir 220 km/h, mas era sobretudo nas estradas sinuosas que o potencial do conjunto se revelava. A direção e a suspensão contribuíam para uma condução precisa e previsível.

A distribuição de peso e a configuração de tração dianteira exigiam naturalmente alguma atenção quando se conduzia de forma mais agressiva, mas o chassis apresentava um comportamento equilibrado e uma boa capacidade de resposta.

No capítulo dos consumos, o P10 apresentava valores bastante variados. O 1.6 podia rondar os 7 a 8 L/100 km, o 2.0 de 115 cv cerca de 8 a 9 L/100 km, e o 2.0 GT aproximadamente 8,5 a 9,5 L/100 km em utilização combinada. O diesel atmosférico podia ficar próximo dos 6 a 7 L/100 km, enquanto o turbodiesel apresentava valores semelhantes ou ligeiramente superiores, dependendo da utilização.

Naturalmente, estes valores são referências históricas e não devem ser confundidos com consumos reais de um automóvel atualmente com várias décadas de utilização. Pneus, estado do motor, injeção, suspensão, transmissão e sistema de escape podem ter uma influência considerável.

Como acontece com qualquer automóvel dos anos 1990, a conservação tornou-se hoje um fator decisivo. No Primera P10 é importante verificar cuidadosamente a carroçaria, especialmente zonas sujeitas a corrosão, bem como o estado da suspensão.

Os braços e casquilhos da suspensão podem apresentar desgaste devido à idade e aos quilómetros acumulados. Os motores a gasolina também devem ser analisados quanto a fugas de óleo, sistema de refrigeração e estado da distribuição.

Nos motores 2.0, o estado dos componentes do sistema de distribuição e a qualidade da manutenção são particularmente importantes. Um motor SR20 corretamente mantido pode ser muito resistente, mas a idade de um P10 significa que nenhum exemplar deve ser adquirido sem uma inspeção cuidadosa.

O 2.0 GT é atualmente uma das versões mais procuradas pelos entusiastas. A combinação entre o motor SR20 de 150 cv, a caixa manual e o chassis do Primera cria um conjunto bastante interessante.

O facto de o GT conseguir atingir 220 km/h e acelerar dos 0 aos 100 km/h em pouco mais de oito segundos demonstra que o Primera P10 estava longe de ser apenas uma berlina familiar convencional.

Mesmo as versões menos potentes têm hoje o seu interesse histórico. O 1.6 mostra a vertente económica do modelo, o 2.0 de 115/116 cv representa o equilíbrio da gama e os motores diesel demonstram a preocupação da Nissan com os custos de utilização.

A existência de versões 2.0 com tração integral também acrescenta uma dimensão técnica interessante à primeira geração. Apesar de menos comuns, essas versões mostram a variedade de configurações que a Nissan conseguiu oferecer dentro do P10.

O Primera P10 acabou por criar uma identidade própria dentro da gama Nissan. Era um automóvel desenvolvido para utilização diária, mas com um chassis suficientemente competente para agradar a quem gostava de conduzir.

A versão GT tornou-se especialmente importante nesse contexto. Com o motor SR20DE de 150 cv, o Primera ganhou uma personalidade muito mais desportiva, mantendo simultaneamente a praticidade de uma berlina.

O final da carreira do P10 coincidiu com a introdução da geração seguinte. O Primera P11 deu continuidade à filosofia do modelo, mas trouxe uma carroçaria mais moderna e uma nova evolução das motorizações.

Apesar de ter sido substituído, o P10 deixou uma marca importante na história da Nissan. Foi o primeiro Primera e estabeleceu as bases de uma família que continuaria durante várias gerações.

Hoje, o Nissan Primera P10 é cada vez mais interessante como clássico moderno. As versões convencionais são relativamente discretas, mas o 2.0 GT desperta um interesse especial devido ao motor SR20, às prestações e ao excelente comportamento do chassis.

A primeira geração do Primera representa assim uma combinação muito característica da engenharia japonesa do início dos anos 1990: motores de quatro cilindros relativamente simples, construção robusta, boa eficiência e um chassis desenvolvido com especial atenção ao comportamento em estrada.

Desde o económico 1.6 até ao 2.0 GT de 150 cv, passando pelo 2.0 de 115/116 cv e pelos motores diesel de 75 e 90 cv, o Primera P10 oferecia uma gama suficientemente diversificada para responder a diferentes necessidades.

Mais do que simplesmente iniciar uma nova designação na gama Nissan, o P10 estabeleceu uma filosofia que acompanharia o Primera durante muitos anos: um automóvel familiar, prático e eficiente, mas com um chassis capaz de proporcionar uma condução verdadeiramente interessante.

Sérgio Gonçalves

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