Nissan Skyline GT-R

Published On 8 de Agosto de 2012 | carros e marcas

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O mais recente GT-R herdou a tradição criada pela longa linhagem de GT-R da Nissan, a classe mais alta da série Skyline destinada ao mercado doméstico, renascendo como «o supercarro que gera a maior das inspirações ao mundo». Expoente máximo da cultura moderna japonesa, abriu o caminho para todos os futuros veículos da marca.

Skyline + GTR
O Skyline nasceu na longínqua década de 50. Ao contrário daquilo que se pensa, não surgiu associado à Nissan, mas sim à Prince Motor Company.

Além disso, não era um desportivo; era um familiar com estilo inspirado nas “banheiras” americanas. Foram produzidas sob esta marca as duas primeiras gerações. Em 1966, o Governo japonês sugeriu a criação de grandes companhias para competir no mercado internacional, o que originou a fusão entre a Prince e a Nissan.

Os primeiros vestígios das mudanças que conduziram ao GT-R (iniciais de “Grand Turismo Racer”) que conhecemos hoje surgiram com a terceira geração do Skyline, em Fevereiro de 1969.

1969 PGC10 Nissan Skyline GT R

Produzido até 1972, o PGC10 GT-R, um sedan de quatro portas, estava equipado com um motor de seis cilindros em linha, com 2.0 litros e 160 cv. A transmissão de potência às rodas traseiras ficava a cargo de uma caixa manual de cinco velocidades. Em Março de 1971, passou a estar disponível na versão coupé (KPGC10 GT-R). No total, foram fabricados perto de dois mil exemplares.

A segunda geração do Skyline GT-R foi lançada em 1973. Devido à crise energética mundial, que gerou uma fraca procura por carros desportivos, foram vendidas apenas 197 unidades
do KPGC110 GT-R.

“Godzilla”
Após 16 anos de “seca”, a Nissan fez renascer o modelo. Devido ao facto de dominar por completo diversas provas de automobilismo no seu país de origem e um pouco por todo o mundo, determinou a alteração dos regulamentos de muitas delas. Para obter a homologação, a Nissan teve que fabricar 510 unidades. A produção iniciou em maio de 1989. O sucesso repentino e a aclamação por parte da imprensa especializada suscitaram uma enorme procura pelo carro, “obrigando” a Nissan a encetar uma produção ilimitada em agosto do mesmo ano.

Assim que o Skyline R32 GT-R foi lançando, uma revista australiana deu-lhe a alcunha de “Godzilla”, em alusão a um dos monstros mais famosos do cinema. O aspecto e a performance “intimidadores” rovinham do kit aerodinâmico, caracterizado pela extremidade dianteira agressiva e o aileron traseiro, por um lado, e do motor de seis cilindros em linha bi-turbo, com 2.6 litros e 280 cv (RB26DETT), por outro. A tração às quatro rodas (ATTESA E-TS) foi outra das novidades introduzidas.

Disponível apenas na carroçaria coupé, foram fabricados entre 1989 e 1994 quase 44 mil exemplares, mais de 40 mil na versão base.

A quarta geração teve a difícil tarefa de substituir o bem sucedido R32 GT-R. Lançada em Janeiro de 1995, nas versões sedan e coupé, recebeu um motor e uma caixa manual de cinco velocidades idênticos aos do antecessor.

Senhor de uma aparência mais moderna e musculada, o R33 GT-R apresentava uma frente agressiva e um interior mais confortável. Devido ao peso adicional, percorria a marca dos 0-100 km/h em 5,0 segundos, contra os 4,7 segundos do irmão mais velho.

Contudo, os melhoramentos efectuados ao nível do chassis permitiram-lhe tornar-se o primeiro automóvel de produção a completar o mítico Circuito de Nürburgring abaixo dos oito minutos.

Existe também uma teoria que defende que o Skyline R33 GT-R ganhou mais 40 cv, totalizando 320 cv, mas que tal não divulgado pela Nissan, por uma de duas razões: ou a legislação japonesa não permitia que os automóveis fabricados no país ultrapassassem a fasquia dos 280 cv; ou este limite resultou de um pacto entre todas as marcas nipónicas.

Seja como for, os mais puristas consideram que o R33 perdeu alguma da essência GT-R, pois tornou-se demasiado luxuoso. Entre 1995 e 1998 foram produzidas mais de 16 mil unidades.

Estrela de cinema
O R34 GT-R foi o terceiro representante desde que este lendário modelo foi retomado em 1989. Disponível novamente nas versões sedan e coupé, a quinta geração (1999-2002), que registou mais de 12 mil vendas, é considerada por muitos a melhor de sempre, reunindo os pontos fortes das duas anteriores. Além de apresentar um aspecto mais agressivo, adoptou uma caixa manual de seis velocidades. Com o objectivo de incrementar a agilidade, a Nissan decidiu encurtar-lhe a distância entre os eixos e o comprimento relativamente à geração precedente.

A versão Skyline GT-R foi definitivamente descontinuada em 2002, pois o Governo nipónico criou uma lei altamente restritiva de controlo de emissões poluentes. A publicação da notícia fez com que o último lote de aproximadamente mil unidades fosse vendido no Japão em apenas um dia. E com ele partiu também o entusiasmo pelas gerações mais recentes do Skyline.

Ao longo da sua existência foram lançadas várias edições especiais, alvo de melhoramentos ao nível da performance e de actualizações estéticas, tanto por parte da Nissan como da Nismo, a divisão desportiva da marca.

O Skyline R34 GT-R Z-tune (limitado a 19 exemplares e dois protótipos), precisamente preparado pela Nismo, é uma das mais emblemáticas.

Obviamente que o Skyline GT-R tem um vasto historial de sucesso em competições de automobilismo, sendo também um dos carros predilectos das mais prestigiadas casas de transformação em todo o mundo. Existem preparadores que apresentam exemplares da geração R34 GT-R com mais de 1.000 cv. É, também, presença assídua em videojogos (série “Gran Turismo”, por exemplo) e no cinema. Na saga “Velocidade Furiosa” aparecem diversos exemplares.

Um R34 GT-R totalmente transformado (prateado, com listas azuis, jantes de 19 polegadas, 500 cv, etc.) assume mesmo o papel principal no segundo filme.

GT-R conquista o mundo
O novo GT-R é a montra tecnológica mais evoluída da Nissan. Ao contrário dos modelos anteriores, ostenta apenas a sigla GT-R. Beneficiando de uma forte imagem e reconhecimento entre os aficionados de automóveis de elevadas performances, a sua versão actual (nome de código R35) foi a primeira a ser comercializada a nível global. Ou seja, do Japão directamente para as estradas de todo o mundo!

O GT-R foi lançado inicialmente no Japão em Dezembro de 2007. Entrou em fase de vendas nos Estados Unidos da América (EUA) em Julho de 2008 e na Europa, onde registou mais de 2.200 pré-encomendas, em Abril de 2009.

Todos os componentes (carroçaria, motor, transmissão, suspensão, pneus, interior, etc.) foram desenvolvidos exclusivamente para este automóvel, extensivamente aclamado pela comunicação social especializada.

Japonês de corpo e alma
«Não é, claramente, um automóvel italiano, alemão ou americano. Indiscutivelmente, é um automóvel japonês. É bastante mecânico, praticamente um robô animado, é espadaúdo e apresenta-se sólido e robusto. O anterior R34 GT-R possuía a mesma imagem. Praticamente, é como se pudéssemos conduzir este automóvel num videojogo. (…) Não pretendíamos formas simpáticas e elegantes, procurávamos linhas originais. Algumas pessoas que compram este automóvel terão também um Ferrari e um Porsche. Este automóvel tem de ser diferente de todos os outros. Vejo-o como um automóvel influenciado não pela beleza feminina, como acontece nos carros italianos, mas pela beleza masculina – forte, musculado, robusto», afirmou Shiro Nakamura, um dos mais altos responsáveis da Nissan na apresentação do modelo.

Ao contrário dos seus antecessores que envergaram o famoso símbolo GT-R, este foi o primeiro que não derivou de um sedan ou coupé de produção. A marca descreveu esta opção como «a nossa homenagem mais recente e fiel ao conceito GT-R, redefinido». Sendo um dos automóveis mais exclusivos, é também um dos mais aerodinâmicos. O estilo baseia-se no GT-R Proto, exibido no Salão Automóvel de Tóquio, em 2005.

Herança orgulhosa
O novo automóvel prossegue também com as linhas da herança orgulhosa do design do GT-R. Indicações estilísticas específicas inspiradas em grandes Nissan do passado incluem as formas quadradas e fluidas do PGC10 GT-R, as quatro luzes traseiras redondas do KPGC110 GT-R e as aberturas longas e finas da grelha do R34 GT-R.

À semelhança das gerações anteriores do lendário vencedor de corridas GT-R, este é um mostruário dos talentos de engenharia da Nissan. As suas características mais marcantes incluem um avançado sistema de tração permanente às quatro rodas. A carroçaria leve, que utiliza um novo conjunto de características construtivas desenvolvidas pela marca, designa-se “Premium Midship” e é formada por alumínio fundido, fibra de carbono e aço leve.

Montra tecnológica
Sob o capot, disponibiliza um motor V6 bi-turbo de 3.8 litros que, na altura do lançamento, desenvolvia 485 cv às 6.400 rpm e 588 Nm de binário entre as 3.200-5.200 rpm. Além disso, este GT-R atinge uma velocidade máxima de 314 km/h e acelera dos 0-100 km/h em 3,5 segundos. O VR38DETT é auxiliado pela caixa sequencial GR6 de seis velocidades com accionamento por patilhas e embraiagem dupla.

No modo “M” (regulação manual), as patilhas das mudanças permitem a engrenagem de forma rápida. Esta engrenagem mantém o impulso do turbo, resultando numa aceleração contínua. Quando é seleccionado o modo “R” (regulação desportiva), um comando computorizado prevê e prepara a mudança que o condutor irá engrenar a seguir, com base na posição do acelerador, velocidade do veículo, travagem e outras informações. A engrenagem de mudanças é assim efectuada mais rapidamente. No modo “A”, o veículo muda automaticamente de mudança, da forma mais eficiente em termos de economia de combustível.

O GT-R possui uma configuração avançada de suspensão que oferece uma estabilidade constante. Um interruptor permite que o condutor aceda a três modos distintos de suspensão, alterando electronicamente a regulação nos amortecedores Bilstein DampTronic. O veículo possui enormes travões de disco Brembo, dianteiros e traseiros, totalmente ventilados e perfurados (380 mm). Fazendo jus ao automóvel tão especial que é o GT-R, os pneus utilizados não poderiam deixar de ser exclusivos. Nas medidas 255/40 R20, à frente, e 285/35 R20, atrás, foram desenvolvidos pela Bridgestone e pela Dunlop e possuem uma superfície de contacto bastante resistente. São excelentes para dissipar a água, factor importante num carro concebido para revelar um bom comportamento, tanto em circuitos de competição como em estradas secundárias no inverno. As jantes em alumínio de 20 polegadas possuem um desenho especial que torna os pneus mais seguros em situações dramáticas de aceleração ou travagem.

Bem-vindos a bordo
O habitáculo é único, não partilha nenhum dos componentes ou características de design com outros modelos da Nissan. Os instrumentos analógicos circulares estão encaixados em aros sólidos e o conta-rotações é exibido orgulhosamente, iluminado a vermelho às 7.000 rpm. No centro do tablier, o visor multifunções indica o registo detalhado do comportamento de condução. O design deste visor, que inclui também a navegação por satélite e os comandos
áudio, foi concebido em parceria com a Polyphony Digital Inc., responsável pela série de videojogos “Gran Turismo”. Mais abaixo, a consola central contém o botão de arranque em vermelho. Também os bancos foram exclusivamente concebidos para o GT-R.

Aquando do lançamento, estava disponível em três níveis de acabamentos: GT-R, GT-R Black Edition e GT-R Premium Edition.

SpecV
No início de 2009, a Nissan anunciou uma nova série limitada do GT-R, designada SpecV e disponível apenas em sete concessionários japoneses, especificamente seleccionados. Esta versão, que também esteve disponível nas gerações anteriores do Skyline GT-R, possui diversas alterações que elevam os já incomparáveis dotes de desempenho do GT-R para um patamar superior. As novidades exteriores incluem deflector traseiro, grelha e condutas de arrefecimento dos travões em fibra de carbono, estando disponível na cor Ultimate Black Opal.

O desempenho é melhorado com um novo dispositivo que aumenta momentaneamente a pressão no turbo duplo nas relações de transmissão mais altas e para os regimes médios e altos. Este aumento permite um binário acrescido, proporcionando uma sensação mais forte de aceleração, mas, também, que o motor funcione a velocidades mais baixas com melhor economia de combustível. Outras modificações incluem um sistema de escape revestido a titânio, travões em carbono/cerâmica e jantes de competição forjadas em alumínio, desenvolvidas e comercializadas pela Nismo.

No interior de apenas dois lugares, exclusivo da versão SpecV, pontuam dois bancos especiais da Recaro em fibra de carbono, material que está presente noutros pontos específicos do habitáculo.

Para terminar, resta sublinhar que todos os GT-R são construídos na fábrica da Nissan em Tochigi, no Japão, tal como os modelos Infiniti. Além disso, grande parte da montagem é feita à mão, demonstrando a natureza complexa do veículo e a sua precisão artesanal.

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5 Responses to Nissan Skyline GT-R

  1. Alberto M says:

    Sem dúvida que o Nissan GT-R merece o estatuto de carro de culto. Adoraria conduzir um.

  2. João Miranda says:

    Excelente artigo, parabens. Há aqui muitos factos que desconhecia. Sou um fan do R34.

  3. Miguel Caravalho says:

    Um artigo muito completo, é um modelo que gosto muito e para mim sem dúvida o R34, tem um visual agressivo e é um carro muito completo, a versão que escolhia para o R34 era o V-Spec II Nur

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