Opel Manta 400

Published On 2 de Dezembro de 2012 | carros e marcas

O programa da Opel para Ralis, conheceu algum sucesso, porém o esforço não foi tão elevado como os de alguns dos seus mais directos adversários, no Grupo B de Ralis. O Opel Ascona de Grupo 4, com Walter Röhrl ao volante, ganhou o campeonato de pilotos de 1982, isto apesar de Röhrl ter vencido apenas duas provas durante a temporada. O Manta 400 foi o sucessor do Ascona.

Foi em 1981, quando o futurista Manta 400 foi visto pela primeira vez no Reino Unido pilotado por Tony Fall. Naquela época, enquanto assistia à condução de Jimmy McRae no seu Ascona 400, Fall tinha a confiança que iria o Manta na competição dentro de alguns meses. Demorou até 1 de Maio de 1983, pois antes disso a FISA não deu o carimbo oficial. A homologação B237, e o novo carro fizeram a sua estreia mundial na Córsega em Maio de 1983. Pilotado por Guy Fréquelin, durou apenas 100 quilómetros antes de ter problemas mecânicos graves (Junta de cabeça queimada). McRae terminou na sexta posição no Rali de Gales no Reino Unido.

Ao contrário do Ascona 400, o Manta fazia pleno uso na carroçaria de Kevlar: o painel frontal, spoilers dianteiros, capô, portas, arcos traseiros, tampa da mala, spoiler, faróis e até mesmo os apoios dos faróis foram feitos usando o mesmo material. Isso permitia economia no peso em mais de 80 kg, e tornou o Manta 400 num automóvel mais competitivo do que o Ascona.

O motor era um produto da Cosworth e, ao contrário do seu “irmão” mais pequeno que só produzia 144 cavalos de potência, este produzia quase o dobro, ou seja 275 cavalos na versão 3. A versão de estrada vinha equipada com um motor com 2.4 litros de capacidade e duas árvores de cames.

O bloco era derivado de um Opel Rekord a diesel, e posteriormente era equipado com uma cabeça Cosworth especialmente desenhada para este bloco. Ao contrário do sistema de injecção Jetronic Bosch EFI usado na versão de estrada, o fornecimento de combustível no 400 era feito por um par de carburadores de 50mm DCOE Weber (em vez dos 48 usados sobre o motor na fase 2) juntamente com cames mais agressivas.

Ou seja o binário não era o forte deste motor, e o seu binário máximo só aparecia por volta das 5000 rotações por minuto e os 275 cavalos só existiam na sua plenitude, quando o ponteiro do conta-rotações chegava perto das 7.200.

O Manta 400 conseguia atingir os 100 km/h em menos de 5 segundos e a sua velocidade máxima estava dependente das relações de caixa, por isso não existe um valor concreto. Para ajudar na distribuição de pesos, o motor foi montando 6cm mais atrás do que na versão civil. Nos primeiros testes do carro, os pilotos reclamaram da sua tendência subviradora, mas os principais problemas vieram do eixo traseiro.

O enorme número de quebras do eixo era um mistério, assim como a falta de dinheiro para o seu desenvolvimento. Era realmente estranho uma vez que os eixos foram retirados do Ascona 400 onde nunca deram problemas. A resposta possivelmente residiu no facto de que, os eixos não conseguiam lidar com a maior potência do Manta, em combinação com a carroçaria mais leve.

Enquanto o Manta 400 nunca ter conseguido alcançar grande fama internacional (além de quase ganhar o Safari), chegou porém a fazer manchetes durante o Rali Mille Pistes International Rally realizado em França. Henri Toivonen quando liderava o rali no seu Manta, ficou surpreso quando os organizadores decidiram proibir os protótipos, enquanto o rali estava em andamento. Toivonen foi obrigado a contentar-se com um troféu de consolação. Nem tudo foi mau, pois o Manta foi um sucesso em vários campeonatos nacionais, e foi um bom automóvel de Ralicross.

Opel Manta 400 4WD
Um protótipo do Opel Manta (único) com tracção às 4 rodas fez uma aparição na Suécia antes do rali internacional desse mesmo país em 1983 e foi posteriormente exibido à imprensa de automobilismo, como um golpe publicitário. O seu conceito era revelador da sua simplicidade, utilizava o sistema de tracção Ferguson (Sim isso mesmo, a marca de tractores agrícolas) como a única modificação do carro para a especificação de Grupo B. Nos testes seguintes, com Ari Vatanen o carro provou ser mais do que um agradável carro de tracção às 4 rodas, mas, infelizmente, foi um projecto morto antes mesmo de ver a luz do dia. Actualmente este protótipo é propriedade de um membro do Clube do Grupo B.

Como outros modelos da tracção traseira, o Manta M400 não obteve grande notoriedade no mundo dos Ralis, porém muitos são aqueles que adoram o comportamento e as características deste modelo. Faz parte da história e permitiu a grandes pilotos experiências que nunca serão esquecidas.

Sérgio Gonçalves

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