Peugeot 205: sacré numéro

Published On 22 de Setembro de 2012 | carros e marcas

A história deste ícone do mundo automóvel começa em Janeiro de 1983 quando o Peugeot 205 foi apresentado ao mundo, pelo grupo PSA (Peugeot Société Anonyme) através da rede de concessionária no Principado de Mónaco. Depois no mês seguinte foi lançado com inúmera propaganda na imprensa escrita e televisiva por toda a Europa.

A sua imagem de marca era uma identidade muito própria, com os seus faróis e grelha frontal semelhantes em toda a gama. O pequeno carro francês tinha linhas muito modernas e era muito bonito. Tinha apenas 3,71 metros de comprimento. De acordo com o que foi pré-estabelecido no seu desenvolvimento, tinha um grande espaço interno mas era compacto por fora, e a sua área envidraçada era ampla para proporcionar ainda mais essa sensação de espaço interior. As primeiras versões a serem apresentadas foram de 5 portas.

A sua capacidade de transporte permitia 5 pessoas a bordo. A bagageira não era muito expressiva, mas como o banco traseiro era rebatível, permitia assim aumentar (muito) a capacidade de carga. Todas estas características extremamente bem adaptadas ao gosto e necessidades das famílias europeias.

No interior, atrás do volante de dois raios, estava o painel de instrumentos em formato de trapézio invertido que albergava o velocímetro, relógio, termómetro da água do radiador e um indicador do nível de combustível. Ao centro do tablier e nas laterais, havia entradas de ar para a ventilação interna. Também contava com um porta-luvas e, por baixo do volante, um útil espaço que permitia arrumar e ocultar pequenos objectos. Por fora a grelha dianteira era pintada na mesma cor da carroçaria e no centro desta, era colocado o logotipo da marca. Os pára-choques eram pretos e o seu material de construção era o poliuretano.

Havia sete motorizações disponíveis, que iam de 954 cm3 a 1.360 cm3. O 205 tinha motor dianteiro em posição transversal, quatro cilindros em linha, era refrigerado a água e a sua tracção era no eixo dianteiro.

O motor com menos capacidade, o 954 cm3 desenvolvia 45 cavalos de potência às 6.000 rotações por minuto. A sua velocidade máxima era de 140 km/h.

O motor que se seguia na gama era o 1.124 cm³ e 50 cavalos de potência. Potência essa que lhe permitia atingir uma velocidade máxima de 145 km/h.

Nas versões mais potentes nesta fase inicial, estavam os de 1.4L. A versão SR tinha 60 cavalos de potência às 5.000 rotações por minuto. O seu tanque de combustível tinha capacidade para 50 litros de gasolina e seu consumo em estrada era muito comedido, o que lhe garantia uma óptima autonomia. A velocidade máxima era superior às versões base e conseguia atingir os 150 km/h, alcançando os primeiros 1.000 metros em 35 segundos.

A versão mais potente até então, e possuindo a mesma cilindrada, era a versão GT, tinha 80 cavalos de potência às 5.900 rotações por minuto. Alcançava os 170 km/h sem dificuldade. E conseguia o tradicional arranque de 0 a 100 em 12,2 segundos. Para isso muito contribuía o seu baixo peso, na ordem dos 900 quilos.

A estabilidade e o seu comportamento eram óptimos. Um automóvel divertido que fazia bom uso das suas características, fácil de estacionar e com enorme capacidade de serpentar pelo trânsito citadino.

A sua direcção era constituída por pinhão e cremalheira, era leve e não tinha nem necessitava de assistência hidráulica. O diâmetro de viragem era de 10,5 metros. As rodas bonitas (em ferro) à época usavam diferentes medidas de pneus que variavam entre 135 SR 13 para a versão base, até a 165 SR 13 para a GT. A suspensão era independente nas quatro rodas era do tipo Mc Pherson na frente, tinha molas helicoidais e amortecedores hidráulicos integrados. Atrás tinha barras de torção transversais, amortecedores hidráulicos, e barra estabilizadora.

Os seus grandes concorrentes na altura eram o Citroën Visa, o Fiat Ritmo, o Ford Escort 1300, o Mitsubishi Colt, o Opel Kadett GL, o Renault 9 e o VW Golf GL. A versão diesel só chegou mais tarde em Setembro do mesmo ano.

Um ano depois, em Março de 1984, no Salão de Genebra, na Suíça, o grupo PSA apresentou uma “arma” poderosa.

Tratava-se do Peugeot 205 GTI 1.6 com 105 cavalos. Na versão três portas, que passaria assim a estar também disponível em todas as motorizações, e foi um sucesso imediato, muito por culpa da sua beleza e potência.

O motor passava a ter 1.580 cm³ e em vez se ser alimentado por carburador, era alimentado por uma injecção Bosch Jetronic. A sua potência era de 105 cavalos atingida às 6.250 rotações por minuto. Conseguia cumprir o tradicional arranque de 0 a 100 km/h em 9,8 segundos e sua velocidade máxima era de 190 km/h. Valores extremamente interessantes para época. O coeficiente aerodinâmico deste GTI (Cx) como dos demais modelos era de 0,34. Um bom valor uma vez que se se tratava de um automóvel compacto.

Os maiores rivais do 205 GTI eram o Opel Kadett GSI, o VW Golf GTI e o Citroën Visa GTI. A denominação GTI ficaria assim definitivamente na moda naquele período da história.

A decoração da carroçaria era discreta mas continha pormenores próprios que o distinguiam dos restantes 205. Nos pára-choques dianteiro e traseiro exibiam uma linha vermelha assim como no caso do pára-choques dianteiro também recebeu dois novos faróis de longo alcance.

Era ligeiramente mais baixo que seus “irmãos” menos potentes, e estava equipado com umas bonitas rodas de liga leve. Os pneus, de baixo perfil, eram na medida 185/60 da marca Michelin. Os travões de disco dianteiros eram ventilados.

Por dentro tinha bancos desportivos que permitiam um look desportivo e uma outra envolvência de condução. O volante era de três raios. O painel era completo em informação para o condutor. Possuía velocímetro, conta rotações, indicador de temperatura da água, voltímetro, nível de combustível e pressão de óleo. O grafismo era elegante e discreto.

O 205 era já uma importante parte das vendas da marca, com 59 por cento das vendas a serem no continente Europeu e 41 por cento no resto do mundo.

Depois em 9 Dezembro de 1985 saiu das linhas de produção o milionésimo 205 depois de 22 meses de produção. O 205 era um verdadeiro sucesso à escala global.

Em 1986 foi lançada a versão descapotável denominada 205 cabriolet. Era muito elegante e atractiva. A versão Junior, mais simples, podia vir equipada com bancos com o mesmo material usado nas calças de ganga. Teve uma grande aceitação por parte do público, principalmente na faixa etária entre os 18 e 30 anos. Foi desenhado pelo estúdio Pininfarina.

O motor era o mesmo da versão XE com 954 cm3 e 45 cavalos de potência. Também estavam disponíveis as versões CT com 1360 cm³ e potência de 80 cavalos. Conseguia fazer o arranque de 0 a 100 km/h em 11,5 segundos e atingia os 174 km/h de velocidade máxima. A versão topo de gama, o CTi, com 1580 cm³ e 115 cavalos fazia o mesmo arranque 0 a 100 km/h em 9,7 segundos. Tinha um arco de protecção central que também servia de apoio para a capota de lona. Por dentro tinha o mesmo nível de acabamentos da versão GTI.

Também foi fabricado uma versão (novidade na altura) com caixa automática, com motorização 1.6 e 94 cavalos de potência.

Em 1987 já eram fabricadas 2100 unidades do 205 por dia. E facilmente o segundo milhão foi atingido sem dificuldades. Era o carro mais produzido e exportado da França.

Depois a versão GTI ganhou mais um motor. A nova unidade motriz tinha 1.905 cm3 e desenvolvia 130 cavalos de potência às 6.000 rpm. Atingia os 400 metros em apenas 16,8 segundos e o primeiro quilómetro em 29 segundos. A sua velocidade máxima era de 205 km/h. Foi unânime que era um prazer conduzir esta última versão, a sua óptima estabilidade, a aceleração vigorosa e a eficiência dos travões ainda hoje são elogiadas.

Em 1989 a Peugeot atingiu a marca de três milhões de unidades produzidas. E nessa altura já contava com nove motorizações. Com a carroçaria de três portas contava com treze versões de equipamento e na de cinco portas com dez.
E a versão movida a gasóleo era outra opção. Com 1.769 cm³ a sua potência era de 60 cavalos as 4.600 rotações por minuto. Chegava aos 155 km/h mas o seu forte era mesmo o baixo consumo. A caixa de velocidades era de 5 velocidades. Nas versões SRD e XTD vinham com um amplo tecto de abrir de série.

Em 1991 toda a gama recebeu ligeiras modificações nas luzes traseiras, nos faróis dianteiros e nos faróis de nevoeiro. Dois anos depois, a versão Cabriolet ganhou uma capota eléctrica e a versão GTI deixava de existir por causa de novas normas anti-poluição.

Em 1994 completou-se o 5º milhão de unidades produzidas. Em 1998 a produção é finalmente encerrada depois de 5.213.432 Peugeot 205 deixarem as linhas de produção.

Um sucesso óbvio, que marcou uma geração no mundo automóvel e também na vertente desportiva. Algo que ficará, para contar num futuro artigo. Será que o novo Peugeot 208 GTI está à altura do seu antecessor?

Sérgio Gonçalves

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