Renault Clio Williams – Um ícone entre os pequenos desportivos

Published On 11 de Setembro de 2014 | carros e marcas

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Não é a primeira vez que damos a conhecer um “pequeno” Renault carregado de história e carisma, mas se o Renault 5 GT Turbo marcou uma Era, o “senhor” que se segue continuou essa carreira de sucesso, de pequenos e acessíveis automóveis desportivos que a marca francesa tanto jeito tem para desenvolver e produzir.

Este artigo é dedicado ao “sobre-dotado” Clio Williams que tantos fãs conquistou e fez as delícias de quem teve o prazer de o conduzir tanto na sua forma civil como nas versões de competição.

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A Renault com a necessidade de produzir uma edição limitada do pequeno Clio num processo de homologação para competir, produziu cerca de 3800 Williams. Uma vez que a procura foi bastante maior do que a marca francesa previa inicialmente, o valor de produção acabou por ser bastante maior do que o previsto (+1600 unidades).

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Assim tendo em conta o sucesso comercial das primeiras unidades, a Renault teve que lançar mais duas séries, o Williams 2 e Williams 3 para um total de 12100 unidades, isto sem retirar nada às principais qualidades do Williams “original”

Contudo devido a muitos destes modelos terem sido convertidos directamente para automóveis de competição e como é sabido existem (muitos) acidentes no desporto motorizado, há medida que eram precisas mais unidades para competir fez com que o número de unidades de estrada reduzisse significativamente.

Já para não falar que muitas unidades foram desmanteladas para retirar peças o que torna cada vez mais raro encontrar um Clio Williams no seu estado original.

Renault Clio Williams. Client: Bilmagasinet

Entrando pela história deste modelo constatamos que o nome dado a esta versão deriva directamente do facto da Williams participar naquele tempo na Fórmula 1 e do monolugar ser motorizado por um motor Renault. Desengane-se contudo se acha que a Williams teve alguma coisa a ver com o desenvolvimento deste carro, porque não teve. Essa tarefa teve a mão dos especialistas da Renault Sport, a divisão de competição da marca francesa.

Esses especialistas começaram a desenvolver este modelo usando como base o Clio 16s, ao qual adicionaram um motor de 2,0 litros, 16 válvulas que produzia 147 cavalos de potência, 175 Nm de binário e que permitia ao Williams cumprir o arranque de 0 a 100 km/h em 7,8 segundo e atingir os 215 km/h de velocidade máxima.

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O motor de 2,0 litros (F7R) usado nesta versão conta com diferenças em relação ao 1.8 16V (F7P) já que para além de ter mais cubicagem, conta com válvulas de diferente tamanho, outras árvores de cames, outra cambota e também com um radiador a óleo.

As diferenças entre as duas versões também se estendem à maior largura do eixo frontal, jantes especiais diferentes da famosa marca Speedline, uma caixa de velocidades diferente, outra configuração no colector de escape (4-1), suspensão mais rija entre outras diferenças estéticas no exterior e no interior.

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Ou seja, ainda que a versão 16S seja também muito capaz dinamicamente, tem grandes diferenças em relação ao Williams.

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Olhando para outras diferenças é inevitável que olhemos para as que definem as três fases do modelo. Ainda que não sejam muito visíveis elas existem, foram graduais em áreas como a segurança ou no capítulo estético.

As primeiras fases do modelo não possuíam tecto de abrir e foram todos pintados num tom azul a que marca chama de 449 Sports Blue.

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Já a 3ª geração do Williams veio com um tom de azul mais claro (432 Monaco Blue) e já trazia o tecto de abrir de série. Para além disto a primeira versão do modelo era também a mais leve (1010 kg), muito por culpa da ausência de alguns componentes eléctricos, como o tecto de abrir e os espelhos. Mas o que mais define a primeira “fornada” é a pequena placa identificativa com o número de série coisa que as fases seguintes não possuem, tornando-o mais apetecível para coleccionadores.

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Já tínhamos referenciado que a carreira desportiva deste pocket rocket foi muito diversificada e cheia de sucessos. Basta falarmos num nome de um emblemático piloto, Jean Ragnotti para percebermos muito do sucesso desta viatura em competição, neste caso particular nos ralis.

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Olhando para essa disciplina constatamos que a versão “base” produzida para o Grupo N tinha suspensão específica de competição, uma centralina reprogramada e uma linha escape de competição menos restritiva. Com isto a potência subia dos 147 para os 165 cavalos. A segurança não foi esquecida e foi montado nestas versões um roll-bar integral produzido pela Matter France que juntado às backets da Sabelt permitiam aos pilotos e co-pilotos sentirem-se minimamente seguros em caso de acidente.

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O estágio seguinte na evolução passou para o Grupo A, onde o Williams recebeu mais alterações. Começando logo por ser equipado com jantes especiais de 16 polegadas Speedline que em opção podiam receber extractores de ar. Foram feitas modificações na suspensão para permitir um incremento de potência mais significativo sem prejudicar o comportamento dinâmico.

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Essas alterações mecânicas permitam subir a potência dos 165 cavalos da versão de Grupo N para uns respeitáveis 205/220 cavalos. Com este aumento de potência também houve necessidade de melhorar a travagem, e os especialistas da Renault Sport dotaram este modelo com discos de 323 mm de diâmtero mordidos por maxilas de 4 êmbolos da marca Alcon.

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Por fim a última evolução no modelo de competição foi o não menos famoso Clio Williams Maxi Kit-car, categoria esta que esteve em grande evidência nos anos 90 pela competitividade e espectacularidade dos veículos e das respectivas duplas de pilotos.

As diferenças desta versão para as do Grupo A eram evidentes logo pelo aspecto mais musculado da carroçaria, que recebia alargamentos nas cavas de rodas para albergar jantes de maiores dimensões (17 polegadas da mesma marca Speedline) que o tornava o Clio Maxi numa máquina visualmente mais agressiva.

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Para além disto, as suspensões foram mudadas para um sistema da Proflex e o motor foi modificado para debitar qualquer como 250 a 265 cavalos de potência.

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Foram muitos os sucessos desportivos que ajudaram este pequeno automóvel a tornar-se numa “lenda” entre os amantes de automóveis. O seu carácter dinâmico aliciou muitos que o conduziram, e o seu potencial de valorização cresce a cada dia que passa, ainda mais se for um Williams numerado.

Sérgio Gonçalves
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