Renault Spider

Published On 23 de Agosto de 2012 | carros e marcas

A história da Renault está fortemente ligada à história do desporto automóvel. Está preenchida por modelos que foram escrevendo uma página de ouro na história das competições automobilísticas.

Ninguém acredita que foi por mero acaso que o jovem Louis Renault decidiu no dia 24 Dezembro de 1898, cronometrar o seu tempo na rua Lépic, a fim de conquistar a subida. Essa decisão teve a repercussão que conhecemos hoje.

O Renault Alpine, foi o vencedor de Ralis em 1973, onde muitos de nós se lembram bem das vezes que esse automóvel tinha conseguido vencer corridas umas atrás de outras, e acabando por se tornar, num ícone para muitos fãs. O automóvel em questão chamava-se Barquette e tinha um motor com 2.0 Litros de capacidade. Foi o vencedor da Europa em 1974, quando obteve o 1 º lugar em 7 corridas das sete possíveis. O Renault Alpine obteve a sua grande conquista em 1978 em Le Mans, e teve como protagonistas os pilotos Jassaud e Pironi, que coroaram a marca com esse sucesso.

O Renault Spider Sport é um sucessor do bem-sucedido Renault Alpine. O Spider usava um grande número de elementos do concept Laguna e tinha a responsabilidade de preencher um espaço vazio no mercado automóvel. Este carro tinha como objectivo principal dar o máximo de felicidade e prazer de condução aos que pudessem conduzir um. A mesma felicidade que os seus construtores sentiram ao criar este carismático automóvel.

O Renault Spider não fazia concessões ao conforto, onde até o tejadilho era visto como um símbolo de conforto e como tal não fazia sentido o Spider ter um. A primeira versão do Spider nem o vidro da frente trazia de origem, que segundo os responsáveis da marca, tirava alguma beleza às linhas puras do automóvel. Assim, num Spider sem vidro da frente, você pode desfrutar da sensação de andar em contacto com a paisagem e os seus elementos. Quase como numa condução num motociclo mas sem os mesmos riscos.

Foram produzidas duas versões do Spider – Uma sem pára-brisas da frente e outra com. Apesar de as primeiras unidades do Spider não terem vidro, e ser obrigatório o uso de capacete a construção aerodinâmica especial permitira em certa medida, proteger os passageiros do ar.

Este Renault usava soluções técnicas comprovadas e inovadoras. Este automóvel foi desenvolvido e concebido tanto para a estrada, como para a competição, não esquecendo os condutores que não dispensavam umas voltas num circuito, ao melhor estilo dos Trackdays. A Renault escolheu para o seu Spider um chassi em alumínio, para permitir um baixo peso mas sem esquecer a sua rigidez. A adopção deste tipo de materiais permitiam conceder um excelente desempenho dinâmico, conjugando um bom sistema de travagem com parâmetros de comportamento de alto nível.

Este chassi em combinação com a carroçaria feita de materiais plásticos e compósitos, permitiam não só uma grande leveza e competências dinâmicas, como era extremamente seguro em caso de embate para os seus ocupantes, algo em que a Renault há alguns anos para cá se tem destacado. Este desportivo é realmente único, por variadíssimas razões, com o seu motor também a ter um lugar de relevo devido as suas características e história. São 150 cavalos de potência extraídos de um motor 2.0 litros (F7R). O motor é oriundo de outro ícone da marca, o Renault Clio Williams. A sua colocação no Spider, ficava em posição central para garantir o comportamento de excepção.

A caixa de velocidades e o motor são fixados no chassi como uma unidade, transversalmente fixados numa dobradiça oscilante, pormenor esse, que era inspirado na aeronáutica. Há blocos silenciosos especiais na parte interior do aparelho, assim como ligações em borracha, sendo extremamente flexível. Devido a estas características e aos componentes usados, a transmissão de fortes vibrações do motor para o chassis é quase impossível. Era mais uma das muitas qualidades e características da ideia inicial, de criar um automóvel com uma filosofia exclusiva em obter máximo prazer na condução.

No Spider foram aplicados os resultados de pesquisas na utilização do alumínio na construção de chassis de automóveis. A soldagem de perfis de alumínio prensado de uma firmeza enorme, com baixo peso e excelente resistência ao impacto, proporcionava as excelentes características deste chassi. Ferrugem neste chassi é coisa impossível de encontrar.

Uma vantagem dominante do chassi é a sua firmeza, leveza e homogeneidade. Por combinação destes três características dá lugar a outra característica importante ou seja uma grande capacidade de resistir a impactos. O centro de pesquisas da Renault efectuou várias simulações em cenários de impacto.

Os resultados mostraram todas as qualidades deste tipo estrutura em alumínio nessas situações. Este tipo de construção é capaz de eliminar a energia de impacto devido ao uso de alumínio e a sua grande capacidade de absorção, que é cerca de 1,5 vezes mais elevado do que a capacidade de absorção do aço. O Spider resiste ao impacto, sem qualquer deformação da parte interior da estrutura. A filosofia do carro não ignora princípios provados, o modelo foi construído sem qualquer dúvida de forma inovadora. Foi ao encontro do desejo de criar verdadeira segurança sem prejudicar as capacidades dinâmicas do chassi.

Os responsáveis pela construção do Spider pretenderam usar sempre o máximo de componentes possíveis da Renault. É fácil reconhecer essa estratégia por exemplo, no chassi e na suspensão. Esta era uma nova abordagem por parte da Renault Sport, onde elementos especiais foram criados para permitir que este automóvel cumprisse seu propósito ao seu melhor nível.

Este emblemático modelo traz outra característica específica – pedais ajustáveis. Combinando isso com a backet regulável longitudinalmente dá a possibilidade de atingir a posição de condução ideal, contribuindo para o aumento do prazer de condução. A segurança deste carro é reforçada graças a este dispositivo. O sistema de aquecimento apenas leva ar para as pernas dos passageiros, e os instrumentos estão bem organizados, sendo a colocação de acordo com a filosofia do automóvel, simples mas eficaz. Não é um carro de luxos mas tudo funciona perfeitamente bem para o objectivo porque foi criado.

As suas performances eram notáveis para época, não só por culpa do baixo peso (na casa dos 900kg) do Spider mas pelo excelente motor que possuía. O tradicional arranque dos 0 aos 100 km/h era realizado em 6,9 segundos, atingia uma velocidade máxima de 215 km/h. Por fim percorria 1 quilómetro num arranque lançado em 27,45 segundos.

Na Competição
Desde o início o Spider esteve destinado a ser a base para uma série de corridas. A Renault participava em vários campeonatos desde os anos 80 com os Renault 5 Turbo, 21 Turbo, e os modelos Clio. Um troféu especial do Spider foi projectado e construído para o efeito, com o motor ajustado para produzir 180 cavalos de potência máxima. Os campeonatos Spider, existiram durante vários anos como apoio para campeonatos maiores, como o British Touring Car Championship. Um dos grandes pilotos que esse campeonato “produziu” foi Jason Plato, que é lembrado por ter vencido 11 das 14 corridas no ano inaugural Spider UK Cup. Em 1999, Andy Priaulx conseguiu bater o recorde de Plato de oito vitórias sucessivas nos Spider, conseguindo ainda a proeza de conquistar 13 vitórias em todas as 13 corridas. Ele também acabaria por classificar para cada uma das corridas na pole position e conseguir obter voltas mais rápidas em todos as provas.

Na última configuração do Renault Spider de competição, a potência ascendia a 210 cavalos, que permitia acelerar dos 0 aos 100 km/h em cerca de 5,8 segundos. A velocidade máxima era de 251 km/h e a caixa de velocidades era de 6 velocidades (Sadev) mas sequencial. Era também mais leve que a versão de estrada e pesava aproximadamente 854 kg.

Este automóvel no dia que em foi apresentado pretendia ser já um futuro clássico. Era radicalmente diferente do que a Renault produzia até então. Um desportivo desprovido de equipamentos de conforto, construído com recurso a alumínio e outros materiais e com características técnicas que fazem dele um excelente automóvel em termos dinâmicos.

Foi ganhador em pista e ficará para sempre na memória daqueles que tiveram a oportunidade de o conduzir. O objectivo principal deste desportivo era extrair o máximo de prazer de condução, sempre em segurança, coisa que os responsáveis pelo projecto conseguiram com enorme sucesso.

Deixamos um especial agradecimento ao concessionário Mercar Lda em Abrantes, pela disponibilidade para a sessão fotográfica do Renault Sport Spider.

Sérgio Gonçalves

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