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Top 10 dos automóveis de combustão mais potentes do mundo

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Enquanto a indústria automóvel avança rapidamente para a eletrificação, existe uma categoria de automóveis que continua a desafiar essa tendência: os hipercarros equipados exclusivamente com motores de combustão interna.

Aqui não há baterias a ajudar na aceleração, motores elétricos a preencher falhas de binário ou sistemas híbridos a aumentar a potência. Há apenas gasolina, ar, combustível, turbos — e, em alguns casos, motores V8, V12 ou W16 capazes de produzir mais de 1.500 cavalos.

Para esta lista considerámos automóveis de estrada com motor exclusivamente de combustão, produzidos ou destinados a produção limitada, excluindo híbridos, elétricos, protótipos e automóveis exclusivamente de competição.

Os valores abaixo correspondem à potência máxima anunciada pelos fabricantes, normalmente utilizando combustíveis de alta performance como E85 quando essa configuração é oficialmente disponibilizada.

1. Giamaro Krafla — 2.157 PS

O primeiro lugar é ocupado por um nome que ainda é praticamente desconhecido fora do mundo dos hipercarros artesanais: Giamaro Krafla.

A marca italiana desenvolveu um extraordinário V12 de 6.988 cm³, com quatro turbocompressores, montado em posição central-traseira.

Na configuração normal, o Krafla anuncia 1.670 PS e 1.556 Nm. Porém, na configuração mais extrema, o mesmo motor pode atingir uns impressionantes 2.157 PS e 2.008 Nm, a 9.000 rpm.

É importante sublinhar que estes 2.157 PS não são obtidos através de eletrificação. O Krafla é um verdadeiro automóvel de combustão, alimentado exclusivamente pelo seu V12 quad-turbo.

A Giamaro descreve o motor como uma unidade desenvolvida internamente, com arquitetura V12 a 120 graus e 6,988 litros de cilindrada.

O resultado é uma das interpretações mais extremas do tradicional motor de combustão.

Potência máxima: 2.157 PS
Motor: V12 7.0 quad-turbo
Binário máximo: 2.008 Nm
Eletrificação: nenhuma

2. Hennessey Venom F5 Evolution — 2.031 hp

A Hennessey conseguiu algo que parecia cada vez mais improvável: construir um automóvel de estrada com mais de 2.000 hp exclusivamente através de um motor de combustão.

O Venom F5 Evolution utiliza o conhecido V8 Fury, com 6,6 litros e dois turbocompressores.

Depois de profundas alterações nos componentes internos e no sistema de sobrealimentação, o motor passou a produzir 2.031 bhp a 8.000 rpm, com 1.445 lb-ft de binário, utilizando combustível E85.

A Hennessey afirma que o Evolution é o automóvel de estrada com motor de combustão mais potente do mundo. A empresa também anuncia uma aceleração dos 0 aos 200 mph em apenas 10,3 segundos.

E há uma particularidade especialmente interessante: a Hennessey chegou a construir uma unidade única com caixa manual de seis velocidades, mantendo os 2.031 hp.

É uma combinação praticamente absurda: mais de dois mil cavalos, V8 biturbo e três pedais.

Potência máxima: 2.031 hp
Motor: V8 6.6 biturbo
Combustível: E85
Binário: 1.445 lb-ft
Transmissão: automática ou, numa unidade especial, manual

3. Hennessey Venom F5 — 1.817 hp

Antes da chegada do Evolution, o Venom F5 já era um dos automóveis de combustão mais potentes alguma vez construídos.

O seu V8 Fury de 6,6 litros, equipado com dois enormes turbocompressores, produz 1.817 hp na configuração original.

A potência é enviada exclusivamente para as rodas traseiras, tornando o Venom F5 numa máquina particularmente exigente para o condutor.

A Hennessey planeou uma produção máxima de 99 unidades para a família Venom F5, com várias versões — incluindo Coupé, Roadster e Revolution.

A empresa desenvolveu o F5 com um objetivo muito claro: ultrapassar a barreira das 300 mph, ou aproximadamente 483 km/h.

Potência: 1.817 hp
Motor: V8 6.6 biturbo
Tração: traseira
Produção: máximo de 99 unidades na família F5

4. SSC Tuatara — 1.750 hp

A resposta americana à Hennessey chama-se SSC Tuatara.

O hipercarro norte-americano utiliza um V8 biturbo de 5,9 litros, desenvolvido especificamente para o modelo em colaboração com a Nelson Racing Engines.

Com E85, o motor produz 1.750 hp. Com gasolina de 91 octanas, a potência é de 1.350 hp.

A SSC utiliza uma caixa robotizada de sete velocidades para transmitir a potência às rodas traseiras.

O Tuatara também ganhou notoriedade pelas suas prestações em alta velocidade. A SSC registou uma velocidade de 295 mph, aproximadamente 475 km/h, numa das suas tentativas oficiais.

Existe ainda uma versão de 2.200 hp, mas há uma diferença fundamental: essa configuração não é legal para estrada. Por isso, não a consideramos neste ranking.

Potência: 1.750 hp
Motor: V8 5.9 biturbo
Combustível: E85
Velocidade registada: 295 mph / ~475 km/h
Tração: traseira

5. Koenigsegg Sadair’s Spear — 1.625 hp

A Koenigsegg é uma das poucas marcas capazes de competir diretamente neste território sem recorrer a um sistema híbrido.

O Sadair’s Spear utiliza o mesmo conceito fundamental do Jesko: um V8 biturbo de 5,0 litros, com cambota flat-plane.

Na utilização com gasolina convencional, produz 1.300 hp. Com E85, chega aos 1.625 hp.

O automóvel pesa apenas 1.385 kg em ordem de marcha e foi desenvolvido com um enorme foco na utilização em circuito.

A produção está limitada a apenas 30 exemplares.

Apesar da potência impressionante, a relação peso/potência é talvez ainda mais extraordinária: são cerca de 1,17 kg por cavalo.

Potência: 1.625 hp
Motor: V8 5.0 biturbo
Combustível: E85
Peso: 1.385 kg
Produção: 30 unidades

6. Koenigsegg Jesko Absolut — 1.600 hp

O Jesko Absolut foi criado com um objetivo específico: atingir velocidades máximas extraordinárias.

Por baixo da carroçaria encontra-se um V8 biturbo de 5,0 litros capaz de produzir 1.280 hp com gasolina convencional e 1.600 hp com E85.

O motor utiliza uma cambota flat-plane e pode atingir 8.500 rpm.

A Koenigsegg combinou-o com a sua caixa Light Speed Transmission, de nove velocidades, desenvolvida internamente.

Ao contrário do Jesko Attack, o Absolut utiliza uma carroçaria profundamente otimizada para reduzir a resistência aerodinâmica. O coeficiente de arrasto anunciado é de apenas 0,278.

É um dos exemplos mais impressionantes de quanto desempenho ainda é possível extrair de um motor V8 exclusivamente a combustão.

Potência: 1.600 hp
Motor: V8 5.0 biturbo
Combustível: E85
Redline: 8.500 rpm
Cd: 0,278

7. Koenigsegg Jesko Attack — 1.600 hp

O Jesko Attack partilha o mesmo motor do Absolut, mas segue uma filosofia completamente diferente.

Em vez de procurar a menor resistência aerodinâmica possível, o Attack foi concebido para gerar enormes níveis de downforce e oferecer o máximo desempenho em circuito.

O V8 de 5,0 litros produz os mesmos 1.600 hp com E85 e 1.280 hp com gasolina convencional.

A Koenigsegg anuncia até 1.400 kg de downforce na configuração mais agressiva.

A produção conjunta do Jesko Attack e Jesko Absolut está limitada a 125 unidades.

É um dos poucos automóveis modernos que consegue combinar potência superior a 1.500 hp com um motor que continua a ser completamente mecânico na sua fonte de propulsão.

Potência: 1.600 hp
Motor: V8 5.0 biturbo
Combustível: E85
Downforce máximo: até 1.400 kg

8. Koenigsegg CCGT1 — 1.600 hp

Outro Koenigsegg entra na lista — desta vez o extremamente exclusivo CCGT1.

O modelo é uma interpretação moderna do antigo projeto CCGT de competição da marca, mas a nova versão é homologada para estrada.

O motor é novamente o V8 biturbo de 5,0 litros, produzindo 1.280 hp com gasolina convencional e 1.600 hp com E85.

A aerodinâmica foi profundamente modificada para aproximar o comportamento do automóvel ao de um carro de competição.

A Koenigsegg anuncia até 800 kg de downforce a 250 km/h.

O resultado é um automóvel extremamente raro que mistura tecnologia de competição, motor de combustão e homologação para estrada.

Potência: 1.600 hp
Motor: V8 5.0 biturbo
Combustível: E85
Downforce: até 800 kg a 250 km/h

9. Bugatti Chiron Super Sport 300+ — 1.600 PS

O Bugatti Chiron Super Sport 300+ representa uma abordagem completamente diferente.

Em vez de um V8 compacto e extremamente sobrealimentado, a Bugatti utiliza um monstruoso W16 de 8,0 litros com quatro turbocompressores.

O resultado são 1.600 PS e 1.600 Nm.

Foi este automóvel que ajudou a colocar novamente a Bugatti no centro da luta pela velocidade máxima. Em 2019, um protótipo de desenvolvimento atingiu 490,484 km/h, ultrapassando pela primeira vez a barreira dos 300 mph num automóvel de produção em série.

A versão destinada aos clientes foi limitada a apenas 30 unidades. A produção foi concluída em 2022.

É, portanto, um automóvel que já pertence à história dos hipercarros — mas continua a ser um dos motores de combustão mais potentes alguma vez colocados num carro de estrada.

Potência: 1.600 PS
Motor: W16 8.0 quad-turbo
Binário: 1.600 Nm
Produção: 30 unidades
Velocidade do protótipo: 490,484 km/h

10. Zenvo TSR-GT — 1.360 hp

Fechamos a lista com um automóvel dinamarquês extremamente raro: o Zenvo TSR-GT.

O TSR-GT utiliza um V8 de 5,8 litros equipado com dois compressores centrífugos, produzindo 1.360 hp.

A potência representa uma evolução significativa relativamente ao TSR-S, que produzia 1.177 hp.

Mas o objetivo do TSR-GT não era apenas aumentar a potência. A Zenvo modificou a aerodinâmica e a relação final da transmissão para permitir uma velocidade máxima anunciada de 424 km/h.

Com produção extremamente limitada, é um dos hipercarros de combustão mais exclusivos da era moderna.

Potência: 1.360 hp
Motor: V8 5.8 com dois compressores
Velocidade máxima: 424 km/h
Produção: extremamente limitada

A última grande batalha dos motores de combustão

Os automóveis mais potentes de produção já ultrapassaram há muito a barreira dos 2.000 cavalos, mas os exemplos que conseguem fazê-lo sem qualquer assistência elétrica são extremamente raros.

O Giamaro Krafla leva a fórmula clássica ao extremo com um V12 quad-turbo de quase sete litros. A Hennessey consegue resultados semelhantes com um V8 de 6,6 litros. A SSC aposta num V8 de 5,9 litros, enquanto a Koenigsegg demonstra que um V8 de apenas cinco litros pode atingir 1.600 hp com E85.

E existe ainda uma diferença importante relativamente aos números dos automóveis elétricos.

Nestes carros, a potência não aparece simplesmente ao pressionar o acelerador. É necessário gerir uma enorme quantidade de ar, combustível, temperatura, pressão de turbo e rotação do motor. O som, as vibrações e a entrega de potência fazem parte da experiência.

O Bugatti W16, o V12 da Giamaro e os V8 da Hennessey, SSC e Koenigsegg representam, de formas diferentes, o limite técnico de uma tecnologia que passou mais de um século a evoluir.

A eletrificação pode já ter ultrapassado estes números em potência absoluta, mas, no mundo da combustão, 2.000 cavalos continuam a ser território de máquinas extraordinárias.

E talvez seja precisamente isso que torna estes automóveis tão especiais: não precisam de um motor elétrico para atingir números absurdos. Toda a força vem de explosões controladas dentro de cilindros.

Sérgio Gonçalves

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