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Top 10: estes são os supercarros que gastam menos combustível

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Quem disse que conduzir um supercarro implica necessariamente visitar a bomba de gasolina a cada esquina? A eletrificação está a mudar as regras do jogo e alguns dos modelos mais rápidos do mundo já conseguem apresentar consumos homologados surpreendentemente baixos.

Há uma espécie de contradição fascinante nos supercarros modernos. Enquanto os números de potência continuam a subir para valores que, há poucos anos, seriam próprios de um protótipo de competição, o consumo homologado de alguns modelos está a descer.

A explicação está, naturalmente, na eletrificação.

Ferrari, McLaren, Lamborghini, Aston Martin e Mercedes-AMG recorreram a sistemas híbridos para combinar motores de combustão de elevada potência com propulsão elétrica. O resultado é uma nova geração de superdesportivos que pode oferecer centenas — e, em alguns casos, mais de mil — cavalos, sem apresentar consumos homologados tão elevados como seria de esperar.

Para elaborar este ranking, considerámos o consumo combinado homologado segundo o ciclo WLTP, sempre que esse valor está disponível para o mercado europeu. Nos híbridos plug-in, convém, porém, olhar para estes números com alguma cautela: dependem da utilização da bateria e não representam necessariamente o consumo que será obtido quando se conduz com a bateria descarregada.

10. McLaren 750S — 12,2 l/100 km

O McLaren 750S fecha este Top 10 com um consumo homologado de 12,2 l/100 km em ciclo WLTP. É, ao mesmo tempo, um dos exemplos mais interessantes de como ainda é possível conseguir níveis de eficiência relativamente contidos sem recorrer a um sistema híbrido.

Debaixo da carroçaria está um V8 biturbo de 4,0 litros, capaz de desenvolver 750 CV e 800 Nm de binário. A potência é enviada para as rodas traseiras através de uma caixa automática de dupla embraiagem de sete velocidades.

E os números de performance estão longe de ser modestos: o 750S acelera dos 0 aos 100 km/h em 2,8 segundos, chega aos 200 km/h em 7,2 segundos e pode atingir uma velocidade máxima de 332 km/h.

A receita é relativamente simples: muito desempenho, peso reduzido e um motor de combustão sem qualquer assistência híbrida. O resultado é um dos superdesportivos convencionais mais eficientes atualmente disponíveis.

Consumo combinado: 12,2 l/100 km
Potência: 750 CV
Binário: 800 Nm
0-100 km/h: 2,8 s
Velocidade máxima: 332 km/h
Motor: V8 biturbo, 4,0 litros

9. Porsche 911 Turbo S — 11,5 l/100 km

O Porsche 911 Turbo S está longe de ser um automóvel “económico” no sentido tradicional da palavra, mas num universo onde estamos a falar de superdesportivos com centenas de cavalos, 11,5 l/100 km é um valor relativamente contido.

A atual geração do Turbo S combina elevada performance com uma motorização eletrificada e anuncia 11,5 a 11,7 l/100 km em ciclo combinado WLTP, dependendo da configuração. A velocidade máxima chega aos 322 km/h e os 0-100 km/h são cumpridos em 2,5 segundos com o Sport Chrono.

Consumo combinado: 11,5–11,7 l/100 km
Potência: 711 CV
0-100 km/h: 2,5 s
Velocidade máxima: 322 km/h

8. Maserati MCPura — 11,5 l/100 km

O Maserati MCPura representa uma abordagem diferente: em vez de recorrer à eletrificação, mantém um V6 biturbo de 3,0 litros com 630 CV.

Segundo os dados oficiais da Maserati, o coupé apresenta 11,5 l/100 km em ciclo combinado WLTP, enquanto a versão descapotável MCPura Cielo sobe para 11,7 l/100 km.

É um daqueles casos em que a eficiência resulta sobretudo da combinação entre um motor relativamente compacto, baixo peso e uma aerodinâmica cuidada.

Consumo combinado: 11,5 l/100 km
Potência: 630 CV
0-100 km/h: 2,9 s
Velocidade máxima: mais de 320 km/h

7. Lamborghini Temerario — 11,2 l/100 km

O substituto do Huracán é uma das maiores demonstrações de como a eletrificação transformou o segmento.

O Lamborghini Temerario utiliza um V8 biturbo de 4,0 litros associado a três motores elétricos, atingindo uma potência combinada de 920 CV. O consumo homologado é de 11,2 l/100 km, acompanhado por um consumo elétrico de 4,3 kWh/100 km. Com a bateria descarregada, o valor sobe para 14 l/100 km.

Ou seja, os 11,2 l/100 km devem ser interpretados no contexto de um híbrido plug-in.

E há mais números impressionantes: 2,7 segundos dos 0 aos 100 km/h e 343 km/h de velocidade máxima.

Consumo combinado: 11,2 l/100 km
Potência: 920 CV
0-100 km/h: 2,7 s
Velocidade máxima: 343 km/h

6. Maserati GT2 Stradale — cerca de 11,6 l/100 km

A Maserati levou para a estrada a experiência adquirida em competição com o GT2 Stradale, uma evolução radical do conceito MC20.

Com o V6 biturbo de 3,0 litros e mais de 630 CV, continua a ser um superdesportivo de configuração tradicional, sem depender de um sistema híbrido para obter os seus números de performance.

O consumo homologado ronda os 11,6 l/100 km, colocando-o entre os modelos de motor exclusivamente térmico mais contidos desta seleção.

Consumo combinado: cerca de 11,6 l/100 km
Potência: cerca de 630 CV
Motor: V6 biturbo

5. Aston Martin Valhalla — cerca de 12,2 l/100 km

O Aston Martin Valhalla leva a receita híbrida para outro nível.

O supercarro britânico recorre a um V8 de 4,0 litros apoiado por motores elétricos e ultrapassa os 1.000 CV. Dados de homologação europeus disponíveis para unidades de 2026 apontam para 12,2 l/100 km de consumo ponderado em ciclo WLTP, além de consumo elétrico associado ao sistema híbrido.

É um valor que pode parecer elevado quando comparado com alguns híbridos plug-in mais eficientes, mas torna-se bastante mais interessante quando colocado ao lado das prestações: a velocidade máxima anunciada chega aos 350 km/h.

Consumo combinado: 12,2 l/100 km
Potência: mais de 1.000 CV
Velocidade máxima: 350 km/h

4. Mercedes-AMG GT 63 S E PERFORMANCE — 12,3 l/100 km com a bateria descarregada

O Mercedes-AMG GT 63 S E PERFORMANCE demonstra como a tecnologia híbrida pode ser utilizada para acrescentar desempenho sem transformar o automóvel num mero exercício de eficiência.

O V8 biturbo de 4,0 litros trabalha em conjunto com um motor elétrico, produzindo 816 CV e até 1.420 Nm de binário. A Mercedes anuncia 2,8 segundos nos 0-100 km/h e 320 km/h de velocidade máxima.

Com a bateria descarregada, o consumo indicado é de 12,3 l/100 km. O valor ponderado WLTP é mais baixo devido à componente elétrica, pelo que não é diretamente comparável com um automóvel exclusivamente a gasolina.

Consumo com bateria descarregada: 12,3 l/100 km
Potência: 816 CV
0-100 km/h: 2,8 s
Velocidade máxima: 320 km/h

3. Ferrari 296 GTB — uma nova interpretação da eficiência

O Ferrari 296 GTB é talvez um dos melhores exemplos da mudança de paradigma no mundo dos supercarros.

Em vez de um grande V8 ou V12 atmosférico, a Ferrari optou por um V6 biturbo de 3,0 litros associado a um motor elétrico. O resultado é uma potência superior a 800 CV, mas com a possibilidade de circular em modo elétrico durante trajetos curtos.

É precisamente esta capacidade que permite ao 296 GTB apresentar um consumo homologado muito inferior ao que seria esperado de um Ferrari desta categoria.

Na utilização real, naturalmente, a história muda: quanto mais vezes se recorrer ao potencial do V6 e menos se carregar a bateria, maior será o consumo.

Consumo: valor WLTP dependente da configuração
Potência: 830 CV
Motor: V6 biturbo híbrido plug-in

2. Ferrari SF90 Stradale — o supercarro que transformou a eletrificação em performance

Quando a Ferrari apresentou o SF90 Stradale, ficou claro que a eletrificação não seria apenas uma ferramenta para reduzir consumos.

O sistema combina um V8 biturbo com três motores elétricos para produzir 1.000 CV. A arquitetura híbrida permite ainda circular em modo exclusivamente elétrico durante determinados trajetos.

É precisamente a utilização da bateria durante o ciclo de homologação que permite ao SF90 apresentar um consumo de combustível muito inferior ao que a sua potência faria supor.

Na estrada, contudo, basta explorar regularmente os 1.000 CV para a realidade ser bastante diferente da ficha técnica.

Potência: 1.000 CV
Motor: V8 biturbo híbrido plug-in
Tração: integral

1. McLaren Artura — 4,8 l/100 km

Aqui entramos numa zona completamente diferente.

O McLaren Artura combina um V6 biturbo de 3,0 litros com um motor elétrico e uma bateria de 7,4 kWh. O resultado são 700 CV, 720 Nm de binário e uma velocidade máxima de 330 km/h.

Mas é o consumo homologado que chama a atenção: 4,8 l/100 km em ciclo WLTP, segundo a própria McLaren. A autonomia elétrica anunciada é de 33 km.

Naturalmente, este número depende fortemente da utilização da componente elétrica. Com a bateria descarregada e uma condução mais exigente, o consumo será substancialmente superior.

Consumo combinado: 4,8 l/100 km
Potência: 700 CV
0-100 km/h: 3,0 s
Velocidade máxima: 330 km/h
Autonomia elétrica: 33 km

Os supercarros híbridos mostram que potência e eficiência já não são conceitos opostos

A grande conclusão deste ranking não é que um supercarro possa ser transformado num automóvel económico.

Não pode. Mesmo os modelos com os valores WLTP mais impressionantes continuam a ser máquinas concebidas para oferecer níveis de performance extraordinários. O que mudou foi a forma como essa performance é obtida.

O McLaren Artura é um excelente exemplo: 700 CV e 4,8 l/100 km homologados seriam números praticamente inimagináveis num supercarro convencional.

Do outro lado está o Lamborghini Temerario. O seu V8 de 920 CV pode apresentar 11,2 l/100 km no ciclo combinado, mas, com a bateria descarregada, o valor sobe para 14 l/100 km. É por isso que estes números devem ser lidos com algum cuidado.

Afinal, qual é o mais económico?

A resposta depende daquilo que entendemos por “económico”. Se olharmos apenas para o consumo homologado WLTP, os híbridos plug-in dominam claramente a lista. Mas se a comparação for feita com a bateria descarregada, a diferença entre alguns destes supercarros diminui bastante.

E existe ainda uma variável impossível de ignorar: o condutor. Num supercarro de 700, 800 ou 1.000 CV, a eficiência depende muito mais do que acontece entre o volante e o acelerador do que daquilo que está escrito na ficha técnica.

Porque há uma regra que continua válida mesmo na era dos supercarros híbridos: quando se decide utilizar toda a potência disponível, nenhum destes automóveis se comporta como um utilitário.

Sérgio Gonçalves

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