Toyota Mr2 – Primeira Geração

Published On 7 de Agosto de 2013 | carros e marcas

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O Toyota MR2 é um automóvel desportivo de dois lugares, com motor central, tração traseira, que foi produzido pela Toyota de 1984 até Julho de 2007, quando a produção foi cessada no Japão, depois de três séries de design diferente. A última versão ficou conhecida por Toyota MR-S no Japão, Toyota MR2 Spyder nos Estados Unidos, e como Toyota MR2 Roadster na Europa. Importações para os Estados Unidos terminaram em 2004. Porém é da primeira geração do pequeno roadster japonês que este artigo tem a missão de dar a conhecer as suas qualidades e características.

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Alguns historiadores afirmam que o Toyota MR2 foi projectado pela Lotus. Esta é uma referência para o projecto Lotus M90 (o X100), projecto esse que viria a ser abandonado depois de apenas um único protótipo ter sido construído. Protótipo esse que usou o mesmo motor e caixa de velocidades, componentes usados no MR2.

À época, a Toyota, era um accionista importante na Lotus juntamente com a família Chapman, mas mais tarde a General Motors acabaria por adquirir o controlo maioritário da empresa Inglesa. A Lotus Engineering, era uma empresa em crescendo, que tinha uma função de consultadoria que fazia parte do Grupo Lotus, mas separada da Lotus Cars. Estavam fortemente envolvidos na concepção dos motores da série 4AG da Toyota (usada nos primeiros Mr2 por exemplo) e os motores de série ZZ em Toyotas mais modernos. No entanto, a suspensão do MR2 e comportamento dinâmico foram projectados pela Toyota com a ajuda do engenheiro da Lotus, Roger Becker.

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A vida do MR2 começou em 1976, quando a Toyota lançou um projecto de design com o objectivo de produzir um carro que seria agradável de conduzir, e ainda proporcionasse uma economia decente de combustível. Inicialmente, o objectivo do projecto não era um carro desportivo. O projecto real começou em 1979, quando Akio Yoshida, o piloto de testes da Toyota começaram a avaliar diferentes alternativas para a colocação do motor no chassi. Finalmente, foi decidido colocar o motor transversalmente a meio do carro. O resultado foi o primeiro protótipo em 1981, chamado de SA-X. Desde a sua concepção base, começou a evoluir para um verdadeiro carro desportivo, e os protótipos foram testados mais intensamente no Japão e na Califórnia. Uma quantidade significativa de testes foi realizada em circuitos de corridas, como Willow Springs, onde o ex-piloto de Fórmula Um Dan Gurney testou intensamente o carro.

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A Toyota fez a apresentação ao público do concept SV-3, no Outono de 1983 no Salão do Automóvel de Tóquio, e reuniu uma enorme quantidade de publicidade e interesse, tanto da imprensa como do público. O carro, estava programado para ser lançado na Primavera de 1984 no mercado japonês sob o nome MR2, que significa “Midship Runabout 2-seater”. Também se refere ao veículo com configuração de motor central e tração traseira, que acabaria por se tornar o primeiro automóvel em massa, a ser produzido com essa configuração por um fabricante japonês.

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O pequeno e leve MR2, com o nome de código AW11, foi algo que ninguém esperava da Toyota, conhecida mais pelos seus carros económicos e práticos. O MR2 dois lugares não foi definitivamente prático como um carro de família, os critérios de concepção foram diferentes dos da maioria dos veículos precedentes. Automóveis com um design semelhante e do mesmo conceito foram os Lancia Beta Montecarlo, Fiat X 1/9 e o exótico Lancia Stratos, todos produzidos na década de 70. As características mais importantes do AW11 eram o seu baixo peso, tão baixo como 998 kg no Japão e 1.066 kg nos EUA, uma dinâmica superior e com potência q.b. fruto de um motor de pequena cilindrada. A cooperação da Toyota com a Lotus durante a fase de protótipo pode ser visto no AW11, e deve muito a carros lendários desportivos da Lotus das décadas de 1960 e 1970.

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Em relação ao motor, a Toyota optou por utilizar o 4A-GE com 1587 cm3 e 4 cilindros com duas árvores de cames que permitiu o uso de 16 válvulas para um melhor fluxo de gás através da câmara de combustão. O motor também foi equipado com injecção electrónica de combustível multiponto da marca DENSO, e uma geometria de admissão variável (T-VIS. Os motores para o mercado norte-americano debitavam 112 cavalos de potência máxima, os motores europeus cerca de 124 cavalos, e os motores australianos cerca de 118 cavalos e os motores japoneses na ordem dos 130 cavalos. O motor já havia sido apresentado anteriormente no Toyota AE86, reunindo muita publicidade positiva. Houve também um modelo JDM AW10 que utilizou o mais económico motor 3A-U com 1452 cm3, mas estes modelos não foram muito populares. Algumas versões também foram equipadas com controlo automático de temperatura.

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Para o ano modelo de 1986, o AW11 passou por diversas mudanças que afectaram tanto a sua aparência como o seu desempenho. A adição mais importante foi, provavelmente, a opção de ter um tejadilho (T-Top) que não se encontrou disponível nos EUA e na Europa até ao modelo do ano seguinte. O exterior foi modificado passando a ter duas cores para os pára-choques e para as listas laterais, a esta evolução também foram adicionadas saias laterais à carroçaria.

Outras novas opções incluíam um interior em pele e uma transmissão automática de quatro velocidades. Algumas das outras mudanças foram feitas para o exterior em 1987, como novas luzes traseiras, e novas jantes. Porventura as mais notáveis foram a adição de travões de maiores dimensões e uma transmissão mais pesada e resistente, que substituiu a antiga transmissão. O significado da introdução desta nova transmissão é facilmente perceptível, hoje, a antiga transmissão era conhecida por desenvolver um problema crónico, a 5ª velocidade tinha o hábito de se estragar à medida que envelhecia e “saltava” em andamento.

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Também digno de nota é a ausência de uma barra estabilizadora posterior a partir de 1985 (embora o modelo 1989 sobrealimentado tenha sido equipado com essa barra de novo). Os modelos com a barra traseira são considerados mais valiosos para aqueles que gostam de corridas ou de usar os seus MR2 numa condução mais desportiva.

Em 1987 (1988 para o mercado dos EUA), a Toyota introduziu um motor sobrealimentado para o MR2. Com base no mesmo bloco e cabeça, o 4A-GZE foi equipado com um compressor Toyota (SC-12) e um intercooler da Denso aplicado em cima do motor. A taxa de compressão, e o comando das portas e válvulas foram também modificadas. O motor produzia uma potência máxima de 145 cavalos e permitia ao pequeno automóvel acelerar de 0 a 100 km/h em menos de 7 segundos. Além do novo motor, o MR2 SC também vinha equipado com barras estabilizadoras mais rígidas e reforços na carroçaria para melhorar a rigidez. Infelizmente, este modelo nunca foi vendido nos mercados europeus, embora alguns carros tenham sido importados de forma privada.

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A imprensa recebeu o AW11 com os braços abertos e elogiou a sua inovação, a ousadia da Toyota, o seu comportamento dinâmico, e o seu fantástico motor. Revistas como a Track & Car and Driver colocaram o AW11 no topo das suas listas de preferência, como um dos dez melhores carros da época, numa competição difícil, onde estavam incluídos desportivos de renome como o Ferrari Testarossa.

A revista australiana Wheels escolheu o AW11 em 1988, como o seu automóvel desportivo favorito. O MR2 recebeu pelas mãos da revista Motor Trend o prémio de Importação do Ano em 1985. Em 2004, a Sports Car International nomeou o MR2 como o oitavo na lista de melhores carros desportivos da década de 80. Este veículo foi muitas vezes referido como um ” Pocket Rocket”. E os modelos com cor cinzenta foram muitas vezes chamados de “The Silver Bullet”.

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Em Janeiro de 1989 a Toyota produziu uma versão final do MR2 AW11 com o nome “Super Edition”. O Super Edition incluía todos os extras dos modelos G com compressor, juntamente com outros extras, incluindo volante especifico e punho da caixa de velocidades da marca MOMO, backets da marca Recaro com painéis de portas correspondentes e pintura especial (Midnight Blue), juntamente com autocolantes revistos (Super Edition substituiu Super Charger). Os carros também contaram com espelhos eléctricos e retrácteis, e faróis traseiros ligeiramente modificados.

Apenas 270 Super Edition MK1 foram produzidos antes de a produção cessar em Dezembro de 1989 para abrir caminho para o novo modelo, o Mk2. As versões Super Edition foram destinadas apenas para o mercado doméstico japonês, mas como no passado muitos foram os clientes privados que importaram esta versão para outros países.

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A Toyota actualmente já não produz o Toyota Mr2, nem se sabe ao certo se alguma vez mais irá reproduzir este modelo. Porém esta primeira versão é já um clássico com algum valor o que prova o seu sucesso mundial e as suas características únicas.

Sérgio Gonçalves
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