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Volkswagen Polo E de 2001 coroado campeão de 2026 no maior Festival of the Unexceptional

A 12.ª edição do Hagerty Festival of the Unexceptional (FOTU) realizou-se no sábado, no Castelo de Grimsthorpe, e foi a maior de sempre. Os bilhetes esgotaram antes do evento, com 4.500 fãs de tudo o que é “comum” a assistirem a uma concentração de 2.500 dos automóveis mais banais do mundo.

A Hagerty voltou a demonstrar que os carros mais comuns têm uma comunidade verdadeiramente excecional de admiradores. Visitantes vindos de todo o mundo desfrutaram não só dos 50 automóveis selecionados para o prestigiado Concours de l’Ordinaire, como também de milhares de veículos vulgares conduzidos pelos próprios participantes, que encheram toda a entrada do Castelo de Grimsthorpe.

Entre Lada, Yugo e Austin, encontravam-se algumas raridades pouco notadas, como um Fiat Strada Cabrio, um Talbot Tagora e mais do que um Citroën LNA. Havia ainda modelos que apenas os fãs mais dedicados deste tipo de automóveis valorizariam, como uma Toyota Corona Mark II Pick-up e um impecável Ford Sierra Sapphire 2.3D GL.

A Hagerty criou o primeiro Festival of the Unexceptional em 2014 para celebrar os automóveis familiares do dia a dia que tinham sido esquecidos, sobretudo nas suas versões mais básicas. Atualmente, o festival homenageia carros desde os anos 70 até ao início dos anos 2000 e atrai visitantes e participantes de todo o mundo, muitos deles jovens entusiastas. Para a maioria dos proprietários, trata-se de um verdadeiro trabalho de paixão: muitos contam histórias sobre as milhares de horas e milhares de libras investidas nos seus automóveis, frequentemente muito superiores ao valor comercial dos próprios carros.

Os melhores exemplares estiveram em destaque no Concours de l’Ordinaire, realizado no relvado em frente ao Castelo de Grimsthorpe. Foram selecionados 50 automóveis considerados os melhores representantes dos veículos mais banais ainda em circulação. Este ano, o júri foi composto por nomes conhecidos do jornalismo automóvel: Steve Cropley, Steph Hoy, Richard Bremner, Jesse Billington, Antony Ingram, Gary Axon e Jon Bentley. Depois de muita discussão e de alguns debates amigáveis, chegaram finalmente à decisão.

3.º lugar

O terceiro lugar foi atribuído a um Ford Focus de 2001, pertencente a Jake Seddon. O carro tinha pertencido ao seu avô, foi restaurado pelo pai e é agora propriedade de Jake. O automóvel foi exposto juntamente com várias fotografias da família, especialmente do avô, tendo Jake segurado orgulhosamente uma dessas fotografias enquanto recebia o troféu.

O júri elogiou o excelente estado de conservação do carro, a sua forte ligação familiar e o facto de representar na perfeição o espírito do festival: restaurar e preservar um automóvel que muitos teriam simplesmente abatido e esquecido.

2.º lugar

O segundo lugar foi conquistado por um raríssimo Toyota Previa de 1992, pertencente a Matt Swinn.

Matt continua a utilizar regularmente esta monovolume, incluindo para transportar a sua banda e todo o equipamento por várias regiões do Reino Unido. Apesar da utilização intensiva, mantém o veículo em condições irrepreensíveis. Quando novo, era visto apenas como um veículo familiar prático e raramente recebia este nível de dedicação.

O proprietário é tão cuidadoso na preservação da história do automóvel que chegou a emoldurar embalagens de doces, recibos e outros objetos encontrados debaixo dos bancos quando comprou o carro.

Vencedor de 2026

O grande vencedor do Festival of the Unexceptional 2026 foi Gordon McNeill, com o seu Volkswagen Polo E de 2001.

Este automóvel representa perfeitamente o espírito do concurso. A pintura apresenta marcas do tempo e do uso, mas o carro é estimado pelo mesmo proprietário há 20 anos. Foi o primeiro automóvel de Gordon e continua a ser o único que alguma vez possuiu.

Após percorrer 176.000 milhas (cerca de 283.000 quilómetros), este Polo já serviu para o casamento do proprietário, deu voltas ao circuito de Nürburgring e até viajou até Espanha para férias.

Apesar da elevada quilometragem, continua a ser utilizado diariamente. Sendo uma versão muito simples, sem luxos nem extras, este Polo demonstra que um carro modesto pode ser amado e valorizado com uma dedicação que muitos superdesportivos nunca conhecerão.

Menções honrosas

O júri ficou tão impressionado com a qualidade dos participantes que decidiu atribuir menções especiais a:

  • Ford P100 TD de 1991, de Jack Duxbury;
  • Kia Clarus Wagon de 2000, de Marwin Jansen;
  • Citroën Axel de 1986, de Rick Martens;
  • Fiat 127 de 1982, de Maia Egan;
  • Honda Civic Bali de 1994, de Emma Rowe.

Outros destaques do evento

O escritor de Top Gear e The Grand Tour, Richard Porter, também participou na seleção do concurso e afirmou que todos os automóveis inscritos tinham mérito, acrescentando que apenas chegar ao grupo dos 50 finalistas já representava uma enorme conquista para qualquer proprietário.

O evento contou ainda com uma coleção especial de protótipos da British Leyland, cedidos pelo British Motor Museum, incluindo:

  • o primeiro Austin Maestro produzido em série;
  • o protótipo Austin LC10, que deu origem ao Maestro;
  • um Austin Metro de pré-produção, um dos apenas 300 exemplares fabricados em 1980 e utilizado como modelo principal no Salão Automóvel desse ano.

O jornal The Telegraph apresentou igualmente uma exposição dedicada a alguns dos automóveis familiares mais raros do Reino Unido, incluindo um Fiat Strada de cinco portas, um Nissan Prairie e um surpreendentemente comum Alfa Romeo Arna.

Fora das exposições automóveis, o palco principal manteve-se animado durante todo o dia com música ao vivo, entrevistas e apresentações. O popular podcast Smith and Sniff foi responsável por entreter o público e entregar os prémios no final do festival.

Sérgio Gonçalves

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