
A ofensiva europeia da BYD ganhou um novo protagonista. Depois do sucesso comercial dos seus elétricos puros, a construtora chinesa prepara agora a chegada do BYD DOLPHIN G DM-i, um hatchback compacto híbrido plug-in desenvolvido especificamente para os mercados internacionais e pensado para atacar diretamente o coração do segmento B europeu — um dos mais competitivos do continente.
Com estreia comercial marcada para 2026, o novo modelo surge com uma proposta pouco habitual: combinar a experiência de condução de um automóvel elétrico com a autonomia e flexibilidade de um híbrido de longo curso. Na prática, a BYD quer oferecer um carro capaz de circular diariamente em modo elétrico, mas sem a ansiedade de autonomia que ainda afasta muitos condutores dos EV puros.

O primeiro “supermini” híbrido plug-in do segmento
Num mercado dominado por híbridos convencionais, como Toyota Yaris Hybrid, Renault Clio E-Tech ou Honda Jazz, o DOLPHIN G DM-i apresenta uma diferença importante: trata-se de um híbrido plug-in (PHEV). Isto significa que pode ser carregado na tomada e realizar trajetos diários inteiramente em modo elétrico, algo impossível nos híbridos tradicionais.
A BYD descreve o modelo como o único “supermini” europeu do segmento B equipado com tecnologia Super Hybrid DM-i (Dual Mode Intelligent) — um sistema que privilegia o motor elétrico na maior parte do tempo, utilizando o motor térmico sobretudo como gerador de energia ou apoio em viagens longas.
O objetivo é claro: reduzir consumos, emissões e custos de utilização sem obrigar o utilizador a depender exclusivamente da rede de carregamento.

Motor e tecnologia: como funciona o sistema DM-i?
Embora a BYD ainda não tenha revelado oficialmente todos os números técnicos do DOLPHIN G DM-i, já confirmou que o modelo utilizará a mais recente evolução da tecnologia DM-i, atualmente presente noutros híbridos plug-in da marca. O sistema combina:
- um motor elétrico dianteiro, responsável pela maior parte da tração;
- um motor a gasolina de elevada eficiência térmica, utilizado para gerar energia ou complementar potência;
- uma bateria Blade Battery, tecnologia proprietária da BYD baseada em química LFP (fosfato de ferro-lítio), reconhecida pela durabilidade e segurança.

Ao contrário de muitos híbridos tradicionais, onde o motor a combustão domina a experiência de condução, nos sistemas DM-i o carro funciona quase sempre como um elétrico. Em cidade, arranques e acelerações são feitos predominantemente pelo motor elétrico, garantindo silêncio de rolamento e resposta imediata ao acelerador.
Em velocidades de cruzeiro ou quando a carga da bateria diminui, o sistema gere automaticamente a utilização do motor térmico, alternando entre três modos principais:
Modo 100% elétrico – utilizado em deslocações urbanas e curtas distâncias;
Modo híbrido em série – o motor térmico atua como gerador para alimentar o motor elétrico;
Modo híbrido paralelo – motor elétrico e motor térmico trabalham em conjunto para máxima eficiência e desempenho.

Embora a potência definitiva ainda não tenha sido anunciada, especialistas do setor apontam para uma configuração próxima de outros modelos compactos DM-i da BYD, com um bloco 1.5 litros atmosférico a gasolina associado a um motor elétrico frontal. Dependendo da calibração final, a potência combinada poderá ultrapassar os 180 cv, embora estes números ainda não tenham sido confirmados pela fabricante.
Mais de 1.000 quilómetros de autonomia
A grande promessa do DOLPHIN G DM-i está na autonomia. Segundo dados oficiais da marca, o modelo será capaz de ultrapassar 1.000 quilómetros de autonomia combinada, considerando bateria carregada e depósito cheio.

Embora a autonomia elétrica exata ainda não tenha sido divulgada, estimativas da imprensa automóvel especializada apontam para mais de 100 km em modo exclusivamente elétrico, valor bastante superior ao de híbridos convencionais do segmento.
Na prática, para muitos condutores europeus, isso poderá significar semanas inteiras de utilização diária sem consumir combustível — bastando carregar o carro em casa ou no trabalho.
Além disso, quando a bateria se aproxima do limite mínimo, o sistema híbrido entra automaticamente em funcionamento, evitando perdas significativas de desempenho durante viagens longas.

Dimensões compactas, ambição familiar
O DOLPHIN G DM-i mede 4,16 metros de comprimento e 1,825 metros de largura, posicionando-se exatamente no centro do segmento B europeu.
É ligeiramente maior do que alguns citadinos tradicionais, mas menor do que compactos familiares do segmento C, criando uma espécie de “zona intermédia” pensada para maximizar espaço interior sem comprometer a facilidade de utilização em ambiente urbano.
A marca afirma ter dado prioridade à habitabilidade e à versatilidade, procurando criar um automóvel suficientemente compacto para a cidade, mas confortável para viagens familiares.
Visualmente, o modelo adota uma linguagem de design mais próxima do gosto europeu, com uma dianteira redesenhada, linhas mais fluidas e uma postura menos futurista do que alguns modelos chineses lançados nos últimos anos.

O primeiro BYD criado especificamente para a Europa
Um dos aspetos mais estratégicos deste lançamento é o facto de o DOLPHIN G DM-i ser o primeiro modelo desenvolvido pela BYD especificamente para mercados internacionais, incluindo a Europa.
A fabricante reconhece que o segmento B continua a representar uma fatia enorme das vendas europeias e pretende conquistar consumidores que ainda não estão preparados para abandonar completamente o motor térmico.
Em vez de competir apenas com elétricos, o novo BYD pretende desafiar diretamente referências consolidadas como o Toyota Yaris Hybrid, Renault Clio E-Tech, Peugeot 208 Hybrid e Volkswagen Polo.
Preço e chegada a Portugal
A chegada ao mercado europeu está prevista para o segundo semestre de 2026, com Portugal incluído nos planos de expansão da marca.
Os preços ainda não foram oficialmente anunciados, mas projeções da imprensa automóvel apontam para um posicionamento entre 25 mil e 27 mil euros, dependendo da versão, equipamento e capacidade da bateria.
Se a BYD conseguir manter uma política agressiva de preços — algo que já aconteceu com modelos como o Dolphin e o Seal U DM-i — o novo DOLPHIN G poderá tornar-se uma das propostas mais competitivas do segmento.
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