vw t2 pao de forma O princípio e o fim do famoso VW Pão de Forma

É conhecido por imensos nomes em várias partes do mundo, porém para nós em Portugal é simplesmente o “Pão de Forma”. Veículo versátil, prático, carismático e com uma enorme história que percorreu (e ainda percorre) os quatro cantos do mundo. É deste símbolo, deste veículo único que este artigo procura dar um pouco mais a conhecer a todos os amantes de automóveis.

O Volkswagen Bus, também conhecido como o Type 2 (T2) – é o segundo modelo que foi produzido pela Volkswagen a seguir ao período pós-guerra. Após a Segunda Guerra Mundial, houve uma grande procura por veículos comerciais, e a Volkswagen atenta às exigências da procura, desenvolveu de imediato um veículo com características específicas, para depressa se destacar como líder nesse segmento.

vw t2 desenho O princípio e o fim do famoso VW Pão de Forma

Sob o nome de Type 2, foram desenvolvidas e produzidas 5 variações deste modelo, e respectivamente apresentadas para o mercado global, desde o modelo T1 ao T5. Durante os anos cinquenta o VW Type 2 não tinha concorrência. É claro que muitos fabricantes de automóveis mundiais, já construíam outros veículos comerciais, uma vez que muitos profissionais já eram pura e simplesmente dependentes do seu veículo comercial. Com a introdução do Volkswagen T2 deu-se o início de uma nova era.

A ideia original para a carrinha Volkswagen T2 veio da mente do importador da VW holandesa, chamado Ben Pon, que desenhou os primeiros esboços da van, em 1947. Na primeira vez que tentou, a aerodinâmica dos protótipos não era muito boa, mas mais tarde a optimização da aerodinâmica teve um contributo de peso, pois foi processada no túnel de vento da Universidade Técnica de Braunschweig. E realmente, o trabalho realizado no túnel de vento conheceu bons resultados. Curiosamente ou talvez não, o Tipo 2 foi aerodinamicamente superior ao outro modelo emblemático da VW o Carocha (Beetle), apesar da sua forma avantajada e mais alta. Três anos mais tarde, já sob a direcção do novo director da Volkswagen de seu nome Heinz Nordhoff, o primeiro modelo de produção em série saiu da fábrica em Wolfsburg.

Desde a estreia do modelo “The Transporter” em 1950 até ao fim da produção do segundo modelo em 1979, o Volkswagen T1 foi um fenómeno de sucesso em todo o mundo, os números de vendas foram enormes, superando as maiores expectativas de todos os responsáveis da marca alemã. A popularidade deste modelo só pode ser igualado e comparado apenas pelo entusiasmo demonstrado aquando da estreia do VW Carocha.

Existem muitas razões óbvias para este sucesso esmagador. Entre elas, destaque para o espaço amplos, a enorme fiabilidade e resistência e uma (habitual) tradicional qualidade de construção alemã. E como a Volkswagen tinha uma extensa rede mundial de revendedores, no caso de uma avaria mecânica ou algo do género, essas situações poderiam ser facilmente resolvidas. Porém é curioso verificar que estas qualidades e características também estavam presentes nos modelos concorrentes da Volkswagen. Porém o sucesso pertenceu por completo aos alemães da VW. Um dos muitos argumentos em relação a esse sucesso por muitos entusiastas da Volkswagen, era a vantagem da utilização de um motor refrigerado a ar. Outros dizem que este modelo da Volkswagen foi o primeiro MPV (Multi Purpose Vehicle) no mercado, e que mais tarde foi mal imitado por fabricantes de automóveis de Stuttgart e Turim. O Volkswagen Kombi foi o único verdadeiro MPV à época e muitos fãs diziam mesmo, que uma “cópia” deste modelo nem devia ser conduzida.

Além destes argumentos interessantes há apenas um factor que garantiu que o Volkswagen Tipo 2 se tornasse a minivan mais popular de todos os tempos. Isto porque as características e aparência de um automóvel aconchegante, “feliz” e simpático na sua forma, era algo que os concorrentes naquela época não conseguiam igualar. Era o mesmo sentimento de amizade e simpatia que se podia encontrar noutro modelo da marca como já foi referenciado anteriormente, falamos é claro do Carocha. Porém foi uma tarefa quase impossível, a de projectar um veículo comercial, com essa aparência amigável. Mas foi algo que os engenheiros da Volkswagen conseguiram alcançar, em parte, porque a procura por este tipo de veículos era muito elevada e permitiu uma certa audácia.

Um aspecto intrigante é que os historiadores da Volkswagen sempre discordaram sobre o que poderia ser o nome oficial da Kombi. Ninguém duvida porém, do nome que lhe deram inicialmente na fábrica, ou seja o T2, porque este este modelo tinha uma relevância secundário em relação ao outro famoso modelo. O Carocha acabaria mesmo por ficar com o tipo de código número 1 (T1). Ainda assim este veículo e conhecido por diversos nomes, dependendo do país onde foi comercializado. Na Alemanha, deram-lhe o nome de “Bulli”, já na Dinamarca chamaram-lhe “rugbrød”, na América era simplesmente “Transporter”, e nos Países Baixos era conhecido por “Spijltje” e em Inglaterra por “Clipper”. Muitos nomes diferentes, mas um carinho enorme por este modelo nos quatro cantos do mundo.

Os responsáveis da Volkswagen projectaram e conceberam um veículo notável e foi o primeiro da sua espécie que conseguiu alcançar um público tão amplo, como outros importantes modelos de outras marcas também conseguiram. Exemplo disso em Itália o Fiat 500, o 2CV em França e o Mini na Inglaterra. Este “Carro do Povo” contribuiu em particular nos anos sessenta para as grandes mudanças sociais. Durante o florescimento da era hippie, o T2 foi adoptado como um símbolo da paz e liberdade, e a Volkswagen inteligentemente, usou sempre essa faceta do lançamento de novos MPV. Desta forma é fácil perceber onde designers contemporâneos se baseiam quando desenham um novo automóvel deste género.

O Volkswagen T2 foi a primeira minivan, inventado pelas mesmas mentes lógicas que conceberam o Carocha e o deram a conhecer ao mundo. Na verdade, o Volkswagen T2 foi de facto, durante vários anos, uma carroçaria grande e “quadrada” sobre um chassi de um Carocha. Foi pioneiro na concepção do veículo também conhecido como “caixa de sapato sobre rodas”, e é um conceito que transbordou e foi reinventado no século 21. A Kombi é era um veículo lento, barulhento e com consumos elevados, porém estas desvantagens não ultrapassam as suas excelentes qualidades. E desse rol de características positivas, o destaque vai para a sua fiabilidade e durabilidade e também para o seu enorme carácter.

Porém e apesar de uma carreira com enorme longevidade, o Volkswagen T2, também conhecido por outros nomes, como já vimos anteriormente, vai deixar de ser produzido 63 anos depois do primeiro modelo ter sido comercializado. Este veículo histórico ainda é produzido no Brasil, mas a partir de 2014 com a entrada de novas regras e normas de segurança vão fazer com que o T2 não possa mais ser produzido no formato actual.

A 31 de Dezembro de 2013 cessa de vez a sua produção, um dia antes das novas regras de segurança entrarem em vigor. Essas novas regras obrigam a que todos os automóveis de produção em série estejam equipados com travões ABS e Airbags dianteiros para o condutor e respectivo passageiro. Segundo Egon Feichter, o actual director de produção da VW no Brasil, alterar o carro para respeitar essas normas de segurança aumentaria muito os custos de produção e deixaria assim de ser atractivo para a marca continuar a produzir o modelo.

Foram muitos os motores que equiparam este modelo, desde um 1.2 a 2.0 de quatro cilindros. Em fim de carreira no Brasil, o Pão de Forma é equipado com um motor boxer com 1.4 Litros que funciona tanto a gasolina como a etanol e tem uma potência de 78 cavalos e 122Nm de binário na versão a gasolina, ou 80cv e 124.5Nm de binário na versão a etanol. Os preços deste modelo começam nos € 18,321.94. A produção actual diária do T2 é cerca de 251 unidades na fábrica da Volkswagen em Anchieta, no Brasil.

Arrisco mesmo a dizer que este modelo será o único na sua classe (MPV) a ser realmente amado e apreciado como automóvel de colecção e de grande utilidade. Este tipo de automóvel está sempre associado a funções práticas e geralmente não têm grande carisma ou motivos de interesse. O “Pão de Forma” ficará para a história não só pelo que representou ao longo de décadas, como pela sua enorme longevidade. E não fosse as novas leis, e a sua comercialização não ficaria por aqui, uma vez que este modelo ainda hoje consegue ter um relativo sucesso comercial.

Sérgio Gonçalves

Sérgio Gonçalves

A paixão pelos automóveis começou cedo e desde então tem andado de mãos dadas com o jornalismo nas suas mais variadas vertentes.

Produtor de conteúdos, com experiência em rádio, jornalismo online, jornalismo de imprensa e foto-jornalismo.
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