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Porsche 959

Published On 10 de Novembro de 2012 | carros e marcas

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O Porsche 959 foi um dos mais inovadores e fantásticos super-carros dos finais dos anos 80, e também pode ser considerado como o primeiro da sua espécie. O 959 também se destacava como uma plataforma de tecnologia excelente, em que muitas inovações técnicas foram incluídas a partir do famoso centro Porsche de desenvolvimento em Weissach. Na realidade o seu único rival à época, era outra lenda, o radical e leve Ferrari F40. Se bem que as filosofias de ambos eram radicalmente diferentes.

O 959 era alimentado por um novo e revolucionário motor de 6 cilindros boxer com 2,85 litros de capacidade, derivado do famoso carro de corrida apelidado de “Moby Dick”. Este 959 apresentava várias inovações técnicas das quais, as mais proeminentes, eram a refrigeração a água das cabeças dos cilindros e respectivas válvulas, os êmbolos em alumínio forjado, a utilização de titânio noutros componentes do motor, os dois turbocompressores sequenciais, a lubrificação por cárter seco e um sistema de injecção e ignição digital da Bosch Motronic. O sistema de refrigeração do 959 era “sistema” híbrido a água e ar, onde as cabeças dos cilindros eram refrigeradas a água e o bloco do motor era refrigerado a ar.

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O uso de turbocompressores duplos e sequenciais (dois pequenos turbocompressores KKK) em vez do mais comum turbocompressor idêntico para cada um dos dois bancos de cilindros, permitiu uma entrega mais suave e sem falhas de potência em toda a faixa de rotação do motor, em contraste com o abrupto “on-off”, característica que distingue o poder do motor 959 de outros Porsche com mecânicas turbo (930 e também o 964 turbo) da época. A pressão de turbo sequencial era controlada desta forma: abaixo das 4.000 rpm, enquanto os gases de escape não eram suficiente para dirigir ambas as turbinas de forma eficiente, todos os gases de escape iam alimentado um único turbo. Isto fazia com que a turbo operasse mais cedo e com isso permitia ao motor ganhar potência logo desde as baixa rotações, em comparação com a utilização de um turbocompressor de configuração convencional. Entre as 4.000 rpm e as 4.200 rpm, o segundo turbo inicia a sua rotação em carga “pré-spinning” (preparando-se para se envolver logo que necessário em rotações mais altas). Acima de 4200 rpm, os dois turbos operados simultaneamente permitem proporcionar a pressão máxima até 0,9 nas altas rotações.

O motor do 959 produziu uma impressionante potência de 450 cavalos às 6500rpm e um binário máximo de 500Nm às 5500rpm. Graças à ao sistema de dois turbos sequenciais, 400 Nm de binário estavam disponíveis logo às 2500rpm.
Borg Warner contribuiu com uma caixa de velocidades manual de seis velocidades para o projecto 959, permitindo que o carro fosse conduzido na faixa de binário ideal em praticamente todos os patamares de velocidade.

O sistema Porsche PSK (Porsche-Steuer Kupplung) foi desenvolvido e introduzido no 959, e era como nenhum outro sistema. Até hoje, ainda é considerado como um dos sistemas 4WD mais sofisticados alguma vez já produzidos, porque entre todos os vários modelos de quatro rodas motrizes disponíveis, o PSK é o único que pode variar o binário entre a frente e a traseira, em condições de funcionamento normal, enquanto outros projectos só conseguem fazer o mesmo processo quando ocorre o deslizamento dos pneus. O PSK em contrário determina a taxa de divisão de binário mais adequado, analisando diversos parâmetros, como a posição do acelerador, o ângulo da direcção, a força e o impulso das forças G e por fim a pressão dos Turbos. O sistema PSK providenciava uma tracção quase perfeita, portanto, não era comparável a qualquer outro sistema de quatro rodas existente até então.

Na maior parte do tempo, a divisão de binário entre a parte dianteira e traseira era de 40:60, isto é, a mesma que a distribuição de peso existe no carro, o que que permitia uma excelente tracção total. Sob forte aceleração, o PSK transferia até 80% do binário para as rodas traseiras. Em superfícies escorregadias, a divisão de binário era de 50:50.

O sistema PSK e a nova geração do motor não foram as únicas inovações introduzidas com o avançado 959. A configuração de suspensão incluía braços duplos na frente e na traseira, incluindo amortecedores duplos. Esta suspensão permitia variar a altura ao solo, assim como permitia ajustar os amortecedores.

A função de ajuste da altura da suspensão foi projectado para alcançar estabilidade em alta velocidade, sem comprometer o conforto de condução a baixa velocidade. A versão “Komfort” do 959 permitia ao condutor seleccionar uma altura ao solo de 12 cm, 15 cm ou 18 cm. O amortecimento ajustável também tinha três configurações. Para implementar a altura ao solo e amortecimento ajustável, cada roda estava equipada com dois amortecedores. Um deles tinha um motor eléctrico para variar a válvula do amortecedor, a fim de controlar o amortecimento ajustável. Outro amortecedor, cuja pressão de fluido era controlado por uma bomba hidráulica accionada pelo motor, ajustava a altura ao solo.

O Porsche 959 vinha equipado com discos ventilados com 322mm na frente e com discos de 308mm na traseira (os discos na versão Sport, eram perfurados). Os discos eram mordidos por pinças de quatro êmbolos em alumínio, e o processo de travagem era controlado por um ABS da Bosch, com quatro canais com sensores nas quatro rodas. Isto era também uma inovação, uma vez que foi a primeira vez que o sistema ABS foi implementado num super-carro.

Outra inovação eram as jantes de 17 polegadas que equipavam o 959, pois eram feitas em magnésio. Os pneus tinham as medidas 235/45 à frente e na traseira 255/40. Todos os pneus possuíam um controlo de pressão incluído.

O chassis do 959 era derivado do 911, por isso todas as dimensões importantes eram basicamente a mesma. A distância entre eixos era exactamente a mesma do 911, porém o 959 era 65 milímetros mais largo que o 911 Turbo. A Porsche projectou a aerodinâmica do 959 para ser conduzido com segurança a velocidades acima dos 300 km/h.

A Porsche usou tecnologia aeroespacial para a fabricação da carroçaria do 959. O tecto, os guarda-lamas e a secção traseira foram feitos em Kevlar. Já o para-choque dianteiro era produzido em poliuretano e capot frontal e portas eram feitas em alumínio.

De acordo com alguns testes efectuados pela revista Auto Motor und Sport, o Porsche 959 conseguia acelerar de 0 a 100km/h em 3.7s, e consegue alcançar 200 km/h em 13 segundos. A velocidade máxima de 317 km/h foi cronometrada no circuito de testes da VW. Estes números representavam um novo marco, um novo recorde mundial para carros de produção.
A Porsche vendia o 959 em duas versões, o mais equipado e confortável “Komfort” e a versão mais desportiva e menos confortável, o “Sport”. As opiniões de especialistas variavam na motivação da Porsche em vender o 959 com as duas versões.

O 959 tinha alguns problemas de peso graves: até mesmo o mais leve “Sport” pesava 1.566 kg com o tanque cheio de combustível. Isso corresponde a cerca de 1.535 kg de peso significando que mesmo a versão Sport é quase 200 kg mais pesado do que a especificação de fábrica de 1.350 kg. Assume-se que a Porsche ofereceu a versão Sport para conseguir pelo menos 100 kg mais perto do peso “prometido” na informação oficial.

Na versão “Sport”, o amortecimento variável e todos os itens de luxo, como ar-condicionado, vidros eléctricos, fecho central, os bancos (inútil) traseiros e até o espelho do lado do passageiro foram eliminados. Os bancos em pele eléctricos foram substituídos bancos desportivos ajustáveis manualmente.

A Porsche vendia o 959 por 420.000 Marcos Alemães (225.000 dólares). Com esta elevada quantia o cliente poderia comprar um Lamborghini Countach e um Ferrari Testarossa de uma só vez. Ainda assim, era considerado um valor razoável tendo em consideração a tecnologia incluída no carro.

A Porsche declarava que a estimativa do custo de cada 959 era de cerca de 530.000 dólares, relembrando aos seus clientes que a marca perdia muito dinheiro na venda de cada 959. Esta era apenas uma perspectiva vista a curto prazo, embora num período mais alargado de tempo, o 959 foi um enorme benefício para a Porsche, em termos de publicidade e tecnologia. Muitas tecnologias desenvolvidas, testadas e melhoradas no 959 depois foram implementadas na produção dos modelos mais comuns da marca, por exemplo; toda a movimentação da roda para modelos padrão e turbo, a tecnologia de 4 válvulas e refrigeração a água, caixa de velocidades e rodas bem como a concepção de suspensão, ABS, gestão do motor eram apenas algumas das muitas tecnologias que passaram a ser usadas noutros modelos.

O Porsche 959 foi o primeiro super-carro a usar tecnologia de forma abrangente, era extremamente complexo, mas rápido e muito capaz em termos dinâmicos. Dessa forma têm um lugar de destaque na história dos automóveis, e em especial na história dos super-carros e de toda a tecnologia que hoje vemos aplicada em variadíssimos modelos.

Sérgio Gonçalves

A paixão pelos automóveis começou cedo e desde então tem andado de mãos dadas com o jornalismo nas suas mais variadas vertentes.

Produtor de conteúdos, com experiência em rádio, jornalismo online, jornalismo de imprensa e foto-jornalismo.
Sérgio Gonçalves

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