Toyota AE86

Published On 5 de Julho de 2012 | carros e marcas

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A história deste ícone do mundo automóvel, começa quando em 1983 a Toyota lança a 5ª geração do Toyota Corolla. Esta seria a última geração de um Corolla com tracção traseira. A dedicação por parte da marca foi enorme na criação de um carro da velha guarda que desse prazer e uma verdadeira sensação de condução.

Dentro desta filosofia a Toyota lançou dois modelos, um dos quais com faróis escamoteáveis, na altura o último “grito” em termos de design. A marca deu-lhe o nome de Trueno Sprinter.

toyota trueno enthusiast Toyota AE86

O seu irmão por sua vez recebeu os tradicionais faróis fixos que estavam já dentro do design de outros modelos da marca. A marca deu-lhe o nome de Corolla Levin.

A nível de carroçaria, havia a opção entre um prático hatch-back de 3 portas ou as linhas mais atraentes de um coupé com 2 portas.

A Toyota criou também um modelo abaixo do AE86, o objectivo era a produção de um automóvel barato menos desportivo dentro da classe, chamaram-lhe AE85. O irmão mais novo do AE86, que apesar da mesma veia desportiva, não era tão potente. Usava um motor com apenas uma came e tinha um interior mais despido de equipamento mas apesar disso partilhava as mesmas características de carroçaria e design.

Depois disto estavam lançadas as bases para uma internacionalização do modelo em todo o mundo. E assim o fizeram, disponível em quase todos os mercados mundiais, muitos países chegaram mesmo a receber modelos mais específicos, cada um equipado e produzido tendo em conta os parâmetros do mercado doméstico dos vários países.

A Austrália recebeu uma variante do Corolla Levin hatchback mas com equipamento reduzido e muito básico, de seu nome Toyota Sprinter. Na mesma óptica do AE85 que tinha sido lançado no japão. O Sprinter não partilhava a mesma potência ou capacidades do AE86, mas a condução baseada no seu chassi era semelhante em termos de comportamento dinâmico.
O maior mercado da Toyota era os EUA e lá o AE86 tinha o nome de Corolla GT-S. Também houve uma versão mais despida de equipamento e mais barata, o Corolla SR5. Ambos foram vendidos com a carroçaria do Trueno Sprinter tanto na versão coupé ou hatchback.

Na Europa, um mercado muito exigente em termos de equipamento e qualidade, houve muitos estilos e níveis de equipamento. Como no Japão, o Corolla para a Europa veio com o nome de Levin e com a sigla GT independentemente do nível de equipamento. Na Suíça e na Áustria ouve também a versão SR5.

A Toyota é conhecida por muitos nomes estranhos que dá aos seus automóveis no mercado interno. Mas felizmente essa política não aconteceu para o resto do mundo quando falamos do AE86. Os nomes Trueno e Levin que eram usados nos Corolla e Sprinter, como os TE27 e TE71 eram usados não só além-fronteiras como no mercado interno. O nome Trueno significava “trovoada” e o Levin traduzido era “Relâmpago”. E de facto esta aposta nos nomes não podia ter sido mais feliz no AE86. Pois descreviam de forma exacta o sentimento e a sensação que era conduzir este modelo. Na competição chegaram, viram e venceram com a rapidez de um relâmpago e a força de uma trovoada, dominando praticamente tudo à classe, onde participaram. O famoso motor de 4 cilindros e 1.6 Litros de capacidade montado num chassi com tracção traseira fez frente a ferozes competidores no desporto automóvel com enorme sucesso.

Porventura um dos aspectos mais marcantes do AE86 era sem dúvida o seu motor. O 4A-GE. Com duas árvores de cames e 16 válvulas, cerca de 130 cavalos de potência e 1600cc transmitidos às rodas traseiras através de uma caixa de 5 velocidades. Este motor partilhava as suas origens e conceitos com outro motor “famoso”, o Cosworth BDA, e o facto é que se tornaram mecânicas emblemáticas e lendárias.

Entre os seus fãs as características mais marcantes do 4A-GE era a sua simplicidade, fiabilidade, a sua capacidade em fazer rotação, a sua resposta e a sonoridade marcante. Característica que sem dúvida contribuiu para o seu sucesso entre os amantes da marca.

O sucesso deste automóvel fez com que a Toyota nunca alterasse a receita inicial e pouca coisa mudou ao longo da carreira, dos 4 a 5 anos em que foi produzido o AE86. Basicamente foram feitas pequenas actualizações cosméticas para que ficasse a gama distinguida em duas séries. A primeira conhecida nos círculos do AE86 como “Zenki”. Traduzindo do japonês significava a primeira série ou os primeiros modelos. A segunda mais tarde como “Kouki” que significava últimos modelos ou últimas séries, referente aos modelos alvos de face-lift . As mudanças entre as duas séries basicamente eram pequenas alterações tais como: faróis, pára-choques assim como cores exteriores, novos equipamentos interiores, bancos, plásticos e estofos. A nível mecânico não houve nenhuma alteração significativa.

Períodos de ambas as séries:
Zenki: De Agosto 1983 a Julho de 1985
Kouki: De Agosto 1985 a Julho de 1987

Depois de 2 anos de produção a Toyota deu a oportunidade de escolha aos seus clientes, entre a versão de 2 portas coupé e a versão de 3 portas hatchback. Ambos vinham com equipamento como vidros eléctricos, direcção assistida, tecto de abrir, faróis de nevoeiro e um kit aerodinâmico.

Os modelos consistiam em duas versões:
GT/GT-V (O GT era o modelo de 2 portas, e o GTV o modelo de 3 portas)

Este era sem dúvida o mais “puro” e desportivo, assim como o mais leve e despido da maioria dos equipamentos de conforto. Com um diferencial autoblocante, uma suspensão desportiva e um interior específico. O kit estético exterior era um extra, assim como a direcção assistida, ar condicionado ou até mesmo o tecto de abrir. Travões de disco em ambos os eixos, mas só os do eixo dianteiro eram ventilados.

GT APEX
Era o modelo topo de gama, mais equipado e com a maioria dos itens da lista de opções já incluídos no equipamento de série. Vinha equipado com tudo o que o GTV trazia mas a sua lista de equipamentos que era mais vasta. Da lista de opcionais faziam parte: vidros eléctricos, direcção assistida, cruise control, tecto de abrir, espelhos eléctricos, ar condicionado automático (A/C de origem), manómetros digitais, rádio Pioneer, kit estético (composto por lip frontal, saias laterais, aileron traseiro) entre outras coisas.

Todos estes modelos estavam disponíveis em todas as carroçarias, fossem os Trueno Hatchback ou o Levin coupé e vice-versa. Havia também uma grande variedade de cores disponíveis para a carroçaria, mas provavelmente as cores que mais marcaram este automóvel acabaram por ser o preto e o branco. Carro maioritariamente branco com duas faixas pretas pela metade da carroçaria. Os proprietários dos AE86 com esta configuração de cores apelidavam carinhosamente os seus carros de “Panda”.

Mas a pergunta impõe-se, como é que este pequeno desportivo, relativamente barato ganhou tanta popularidade? Muitos argumentam que foi através de uma banda desenhada japonesa criada em 1995 por Shuichi Shigeno, conhecida por Inital-D. Acabou mesmo por ter uma série animada na televisão em 1999. A série falava no carro e no tipo de condução, a partir daí a o Drifting ficaria associado ao AE86, e o sucesso foi imenso e muito contribuiu para a globalização desta forma de condução e da personalização e modificação de automóveis de tracção traseira. Um japonês de seu nome Keiichi Tsuchiya contribuiu e muito para esse objectivo, pois a sua obsessão pelo AE86 assim como a seu estilo muito próprio de condução, tanto na competição como na estrada contribuíram para esse sucesso.

Numa série de corridas de seu nome Fuji Freshman Race Series que envolvia o uso da derrapagem controlada (Drifting) como forma de ultrapassar nas curvas. Keiichi Tsuchiya com o seu AE86 (Hachiroku) devidamente preparado mecanicamente e a nível dinâmico e aproveitando todo o potencial do carro conseguiu um notável sucesso, e uma grande empatia com o público entusiasta, chegando mesmo a criar um DVD (AE86 Club) com esta temática.

Outros argumentam que o sucesso do AE86 e a sua popularidade se deve apenas a sua simplicidade, ao seu baixo preço, o facto de ser um tracção traseira que se enquadra de forma perfeita em várias formas de competições motorizadas, sejam eles os ralis, a velocidade ou até o Drifting.

O carro é tão popular hoje como é nos anos 80, e apesar das várias opiniões sobre o que levou a essa popularidade, o que é verdade é que o AE86 conquistou muitos entusiastas. Jovens e adultos deliciam-se com as suas qualidades, e o prazer de possuir ou conduzir esta máquina japonesa só pode ser descrita por quem conhece de facto a história e o automóvel. Existe uma legião de fãs em todo o mundo, e são inúmeros os eventos sobre o Toyota AE86. A Toyota não ficou alheia a todo este sucesso intemporal e criou o sucessor deste modelo que pouco mudou ao longo dos anos em que foi produzido. O novo modelo (GT86) será um sucessor digno do AE86? Temos que esperar para ver. Mas a receita é a mesma, simplicidade, baixo peso, potência q.b., chassi afinado para um RWD e muito prazer de condução, a história contínua.

Terminamos com um excelente trabalho do artista Hugo Silva.

Sérgio Gonçalves

A paixão pelos automóveis começou cedo e desde então tem andado de mãos dadas com o jornalismo nas suas mais variadas vertentes.

Produtor de conteúdos, com experiência em rádio, jornalismo online, jornalismo de imprensa e foto-jornalismo.
Sérgio Gonçalves

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