Gama RUF CTR

Published On 17 de Outubro de 2012 | carros e marcas

Depois de termos abordado num artigo anterior a história da RUF, hoje dedicamos este artigo à gama mais emblemática do Preparador/Construtor Alemão, a gama CTR. O primeiro automóvel da RUF a ter grande destaque internacional foi o CTR, a gama CTR proliferou até aos dias de hoje, com a adaptação aos modelos mais recentes da Porsche.

O 1º RUF CTR, também conhecido como CTR Yellowbird ou simplesmente Yellowbird, foi uma produção limitada de um automóvel desportivo de altas performances produzido pela RUF Automobile na Alemanha.

RUF CTR Yellowbird

Introduzido em 1987 e baseado no Porsche 911, O CTR (abreviação de “Group C Turbo RUF”) foi baseado no Porsche 911 Carrera 3.2, oposto ao Porsche 930, sendo uma versão derivada do Porsche 911 Turbo. Com painéis de carroçaria mais leves, um roll-cage que reforçava a segurança (adicionando rigidez ao chassi, além da segurança dos ocupantes), suspensões modificadas (incluindo um sistema de travagem mais potente), uma nova caixa de velocidades para acompanhar o nível superior de performances, e várias peças únicas que completavam o equipamento extra do automóvel. Entre essas peças figuravam os pára-choques em poliuretano (mais leves e resistentes) e o uso de um radiador de óleo integrado no pára-choques, ditadas pela deslocalização do reservatório do óleo para a frente, a fim de libertar o espaço para o intercooler na traseira.

Foi dada especial atenção à aerodinâmica do Yellowbird. Essa decisão foi tomada, devido ao coeficiente de arrasto ser demasiado alto, e isso era um facto que prejudicava a performance do automóvel. Os painéis de fábrica como as portas, capot e tampa do motor foram substituídos por peças em alumínio, ajudando a baixar cerca de 200 kg em relação à carroçaria de origem.

Além dos painéis leves, outras modificações consideráveis foram feitos no motor, incluindo a perfuração dos cilindros para fora, em 98 milímetros para aumentar o deslocamento de 3,2 para 3,4 litros. Foi também adicionado um sistema de injecção de combustível Bosch Motronic, e para mudar a ignição originalmente concebidos para o Porsche de Competição 962.

O motor era capaz de desenvolver 469 cavalos de potência, com um binário de 553 Nm. Pesando cerca de 1.170 kg, não era difícil de imaginar as capacidades de um automóvel tão potente e ao mesmo tempo tão leve. O CTR atingia os 100 km/h em apenas 4 segundo e conseguia uma velocidade máxima superior a 320 km/h. Apesar de um pequeno grupo de veículos, tais como o Ferrari F40 e o Porsche 959 serem mais rápidos até aos 100 km/h, o CTR superava toda a concorrência quando se tratava velocidade pura, atingindo a sua velocidade máxima em menos tempo e conseguindo mais do que os seus rivais directos.

O nome Yellowbird surgiu, durante os testes de revista Road & Track, cujos funcionários notaram o contraste criado pela sua pintura amarela contra o céu nublado no dia da sessão fotográfica, dando assim a sua semelhança com um pássaro. O som da válvula de descarga do turbo, também se assemelhava ao chilrear de um canário, dando assim mais um motivo para designar este modelo da RUF com essa alcunha.

A RUF apresentou o Yellowbird no final de 1987, com um preço a rondar os 223.000 dólares por unidade, embora esse número variasse dependendo se o cliente adquiria o seu carro directamente da RUF ou através de um revendedor. A RUF produziu um total de apenas 29 unidades do CTR Yellowbird.

O vídeo que apresentamos a seguir ficou famoso, referimo-lo inclusivamente no artigo sobre Nurburgring, e mostra não só as capacidades do Yellowbird como a excelente perícia do condutor.

RUF CTR 2

O RUF CTR2 é 2º automóvel desportivo da gama CTR que foi construído pela RUF Automobile da Alemanha. Desportivo com 2 portas, tendo sido usado como base o Porsche 911 na geração 993.

Querendo um modelo de alto desempenho para permanecer entre as ofertas da empresa, Alois Ruf Jr, o proprietário da empresa, produziu o RUF CTR2, em 1995, com base no então novíssimo Porsche 911 da Geração 993. Com um preço de 315.000 dólares, o CTR2 vinha dotado de tracção as quatro rodas (4WD), com backets de competição da Recaro, acompanhado de cintos de 5 apoios da marca Simpson, travões maiores e para completar, uma roll-cage de protecção. O motor desse modelo era derivado do motor boxer, de 3.6 litros, twin-turbo que produzia 520 cavalos de potência e 685 Nm de torque.

Capaz de cumprir o arranque de 0 a 100 km/h em menos de 3,5 segundos, e com a capacidade de atingir uma velocidade máxima superior a 354 km/h, o CTR2 foi um dos veículos de produção mais rápido do mundo, capaz de competir uma vez mais par a par, com outros superdesportivos da época, tais como o Ferrari F50 ou o Jaguar XJ220. O Mclaren F1 foi o único modelo que apresentou um desempenho superior ao RUF CTR2.

A RUF ainda participou com duas versões modificadas do CTR2 na emblemática corrida de Pikes Peak em 1997. Um deles foi pilotado por Steve Beddor e o outro por David Beddor. Ao contrário de outros concorrentes, o carro foi conduzido dentro e fora do circuito. Steve Beddor terminou na segunda posição nas eliminatórias, e David terminou na quarta posição.

RUF CTR 3

Em Abril de 2007, o CTR 3 foi revelado no Bahrein. Enquanto as duas primeiras gerações CTR tinham os seus motores na parte traseira, o CTR 3 tem o seu motor na parte central do chassis. No entanto, uma coisa que o CTR 3 tem em comum com os seus dois antecessores é que é uma máquina de condução pura. O CTR 3 é feito para envolver o condutor ao máximo, na experiência de condução.

O CTR 3 de motor central fornece um equilíbrio excepcional e uma maneabilidade superior em relação aos antigos CTR de motores traseiros. Enquanto a maior distância entre eixos proporciona melhor estabilidade numa condução a alta velocidade.

A espinha dorsal do CTR 3 é um desenvolvimento completamente novo que não se baseia em qualquer conceito de motor central existente. É aerodinamicamente projectado para velocidades elevadas.

O aço galvanizado é utilizado para a estrutura da frente e também no compartimento dos passageiros. O motor e a transmissão são fixados numa armação espacial, que por sua vez é construído numa armação modular tubular. O habitáculo é protegido pela mais recente versão do “famoso” roll-cage RUF, integrado de forma a acompanhar os pilares da carroçaria.

As portas têm vigas laterais integradas para protecção em caso de impacto, e o capot são produzidos em alumínio. A carroçaria é feita em Kevlar com composto de carbono.

O conceito deste automóvel desportivo já há muito tempo, que estava a amadurecer na cabeça de Alois Ruf. Junto com sua equipa de design e engenharia, ele conseguiu por em prática a sua ideia. A RUF tem 30 anos de experiência em motores turbo com a arquitectura boxer.

Equipado com dois turbos, o motor de 6 cilindros boxer com 3.8 litros de capacidade do CTR 3 tem uma potência de 750 cavalos às 7.100 rotações por minuto. O binário máximo é superior aos 700 Nm logo a partir das 4.000 rotações por minuto. Este projecto de motor combina uma construção compacta com alta performance. Cada turbocompressor é fornecido com um permutador de calor, que é colocado em frente de cada roda traseira.

A mudança para uma caixa sequencial (montada transversalmente) de 6 velocidades na transmissão no CTR 3 é um projecto novo. Pois não só torna a condução mais emotiva como permite aguentar até 900 Nm de binário máximo. Um indicador de mudança no painel de instrumentos mostra a mudança que está em uso. Um diferencial de deslizamento limitado é fornecido para maximizar a tracção.

A suspensão desportiva foi projectada para uma dinâmica de alto nível, para uma condução desportiva sem esquecer a segurança. Os eixos dianteiros usam um sistema MacPherson e uma barra estabilizadora. Os eixos traseiros utilizam a tecnologia de competição com amortecedores coilover montados horizontalmente.

O sistema de travagem foi projectado para combinar com o motor de alta performance e com a evoluída suspensão. Ambos os eixos, dianteiro e traseiro utilizam bombas com seis pistões em alumínio a fim de melhorar o peso suspenso. Discos perfurados de cerâmica completam o incrível poder de travagem do CTR3, com a vantagem de ser muito mais leve que os discos e bombas em aço. Cada disco de travão é de 380 mm de diâmetro. A Bosch desenvolveu especialmente um sistema de travagem que inclui ABS.

Os CTR 3 rolam sobre jantes forjadas em alumínio com porca única de bloqueio central. Na eixo frontal os pneus são nas medidas 255/35 montados em jantes 19, enquanto que na traseira as medidas são 335/30 em jante 20.

O interior pode ser projectado para o gosto do cliente, indo desde um acabamento funcional e leve, até para um acabamento mais desportivo, de luxo com couro e alcântara. A alavanca das mudanças é em alumínio. O velocímetro graduado até aos 420 km/h é representativo de que os CTR 3 são feitos para um desempenho superior.

A construção deste modelo foi pensada para ser o mais leve quanto possível, e o seu peso total em vazio é de 1400kg. O resultado é uma relação peso-potência de apenas 4,4 kg por cavalo. O desempenho do CTR 3 é tão incrível como os modelos anteriores. A aceleração de 0 a 100 km/h é de apenas 3,2 segundos, e sua velocidade máxima é de 380 km/h.

Uma gama cheia de exclusividade, qualidade, segurança, muita potência e velocidade. Começou em 1987 e promete não ficar por aqui. Neste vídeo final, a primeira e última geração do CTR são comparadas.

Sérgio Gonçalves

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